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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Waiting for the sun *

por josé simões, em 18.05.21

 

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Só quem já fez a travessia de barco Ceuta - Algeciras a circular livremente na fila de embarque reservada a cidadãos da União Europeia enquanto vai observando na fila ao lado os marroquinos que são tratados abaixo de cão pela Guardia Civil, encostados à parede, cassetete no pescoço, papéis observados à lupa, inquéritos minuciosos, implicações aleatórias só porque não se gosta da cara, é que percebe.

 

Só quem já fez de carro Perpignan - Málaga no primeiro dia de Agosto a ultrapassar uma caravana ininterrupta de milhares de carros comprados em 4.ª ou 5.ª mão aos franceses pelos marroquinos em migração de férias, com as viaturas apinhadas de família, mais os móveis e electrodomésticos que se levam para a terra em todo o espaço livre e numa construção em altura a desafiar a lei da gravidade, encimada pelo pneu sobresselente porque até esse espaço é necessário para armazenar os brindes do sucesso do seu trabalho em França que se levam aos parentes, é que percebe.

 

Só quem já viu as dezenas, arrisco centenas, da migração no primeiro dia de férias dos 40 e poucos graus de Agosto, parados na beira duma estrada espanhola porque o motor dos carros comprados no limite do abate deu o berro, à espera da assistência em viagem que nunca vai chegar porque é um marroquino ou porque o seguro não cobre e mesmo que cubra nunca vai aparecer porque é um marroquino, é que percebe.

 

Só quem já esteve numa área de serviço da Sierra Nevada numa fila com mais de 50 marroquinos à frente para pagar combustível e, sem dizer nada nem reclamar, vê o espanhol abrir uma caixa registadora, fazer sinal, passar à frente de toda a gente, pagar e a caixa fechar logo de seguida porque é uma caixa especial para europeus, inventou ele naquele momento condoído pela minha espera, é que percebe.

 

É a diferença entre ser português do sul e marroquino, na hierarquia de entre ser europeu do sul e europeu do norte da Europa, e por muita piada que tenham as piadas do regionalismo-futeboleiro.

 

Nem é preciso ir a Marrocos para perceber,

 

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