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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Vá lá que a culpa não foi do presidente da Câmara como em Lisboa

por josé simões, em 28.11.14

 

av 22 dezembro.jpg

 

 

E também há o Largo da Ribeira Velha que fica na baixa comercial de Setúbal que vá-se lá saber porque é que se chama assim e porque é que há cheias na baixa comercial de Setúbal de cada vez que chove mais que a conta...


E também havia a Ribeira do Livramento que libertava para o rio Sado, onde é agora o Mercado do Livramento [os nomes... os nomes...] o remanescente das águas pluviais, em dias de muita ou pouca chuva, que tomam balanço e velocidade e ganham caudal desde as encostas de Palmela e das encostas dos lados do Convento de S. Paulo, via Rio da Figueira, [vá-se lá saber porque é aquilo foi baptizado de Rio da Figueira...] e que não eram absorvidas pelos solos das pelas quintas ao redor da cidade, onde hoje são os bairros do Montalvão, da Urbisado, da Algodeia, por exemplo, e de onde vinham as famosas laranjas de Setúbal [a água das chuvas, a matéria orgânica das serras, o solo das quintas, não sei se estão a seguir um míni delta do Nilo...] em dias de muita ou pouca chuva.


Depois veio a modernidade e dava muito mais trabalho manter uma ribeira limpa, sem cheiro e sem mosquito, do que dotar todas as casas e habitações de saneamento básico, além do mau aspecto de gente a lavar a roupa e a tomar banho na margem da Ribeira, e os génios das lâmpadas que iluminam Setúbal acharam por bem entubar a ribeira pelo subsolo em manilhas de esgoto, de esgoto que não havia nas habitações, e fazer por cima uma avenida toda modernaça, larga, passeios, duas vias de circulação em cada sentido, com árvores no separador central e tudo e dar-lhe o nome de 22 de Dezembro, “data da creação [sic] do concelho de Setúbal”, como diz na placa toponímica na esquina da avenida para a Estrada da Algodeia, mesmo ao pé do Estádio do Bonfim.


Entretanto ontem choveu e, por um azar do caralho, além de chover como só Noé viu a maré estava cheia e prontes, havia a água no lugar dela e a avenida no lugar da água e as casas todas à volta e a SIC.


E a SIC que, para não estarem sempre a dizer que só reporta em Lisboa em Algés e no Dafundo, mandou equipa a Setúbal, fora das horas de comer peixe assado. Vai daí uma chica-esperta, armada ao pingarelho a ver se tirava um António Costa da cartola setubalense para poder mostrar serviço ao patrão Balsemão, pergunta a um desgraçado na lojeca com água pelas orelhas “acha que foi só cheia ou há mais qualquer coisa?” e o que até então era só um desgraçado com o negócio a ir literalmente por água abaixo responde, já promovido a idiota, com os pés em cima do alcatrão que tapa a ribeira que corre agora por cima do negócio que é seu “há mais qualquer coisa... há as obras inacabadas ali [com gesto largo de braço] e a ribeira lá atrás que não foi limpa”. Qual ribeira c’ um caralho?! E vão os dois, repórter e comerciante, idiotas, à sua vida.


Podia ser pior, podia ter sido culpa da presidente da Câmara Municipal como foi em Lisboa, com a baixa toda impermeabilizada por túneis do metro, parques de estacionamento, condutas de gás, de electricidade e de esgotos, garagens de prédios e hotéis e o diabo a quatro.


[Na imagem do insigne fotógrafo setubalense Américo Ribeiro a Ribeira do Livramento antes de ser Avenida 22 de Dezembro e onde o outro tem o negócio debaixo de água e a da SIC andou a molhar os stilettos]

 

 

 

 

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