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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Undead

por josé simões, em 03.07.22

 

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A questão já nem é sequer o regresso de toda a tralha do PSD que, desde os idos de Cavácuo, circula entre o Governo, o Parlamento, os interesses privados, ou o tratar da vidinha por conta própria, com uns palermas novos à mistura, que também já vão sendo velhos, personificados nas figuras ocas de Duarte Marques e Hugo Soares, que se notabilizaram por repetir o que o líder de momento diz, por ser o mais adequado à vidinha que têm pela frente para tratar, daqui por uns anos descrita como "carreira" ou "percurso político", e apresentada, desde o congresso ao pagode, pela comunicação social como "o PSD renovado" ou "o novo PSD".

 

A questão já nem é sequer ouvir o "ponto" de Passos Coelho no Parlamento durante os anos da troika muito preocupado com os baixos salários dos portugueses, em geral, e dos portugueses, em particular, depois de na apresentação urbi et orbi ter abdicado do passado próprio em prol do seu passado Passos, o do "baixar os custos do trabalho foi a reforma que ficou por fazer", apesar do aumento da carga horária, do aumento dos dias de trabalho, do valor a pagar por cada hora extra, da indemnização a receber em caso de despedimento, da redução de apoios e prestações sociais.

 

A questão já nem é sequer ouvir o "ponto" de Passos Coelho no Parlamento durante os anos da troika genuinamente preocupado com os funcionários públicos, em quem disse piamente acreditar, depois de quase cinco anos de campanha contra os ditos, do açular de ódios entre públicos e privados, e de Miguel Albuquerque nas listas, o do "não vale a pena ter ilusões. Reformar o Estado é despedir".

 

A questão já nem é sequer ouvir o "ponto" de Passos Coelho no Parlamento durante os anos da troika dizer, durante quase uma hora, num pavilhão para um pavilhão cheio de amorfos, que caso um dia chegue a primeiro-ministro, truz truz, lagarto lagarto, vai fazer exactamente o oposto do que o passado de que se reclama fez e que ele tão denodadamente defendeu, às vezes a fazer o pino, o flic-flac e mortais encarpados na primeira fila da Assembleia da República.

 

A questão já não é sequer a comunicação social destacar a bisca do "contra a xenofobia e o racismo" e o referendo à regionalização que não é para fazer por causa de uma guerra e respectivas consequências económicas, só tem cabeça para uma coisa de cada vez [o que se há-de fazer?], enquanto destacam os tremoços não destacam o que realmente interessa destacar, o marisco a que vêm.

 

A questão é as pessoas e a memória que as faz votar quatro anos depois no mesmo deputado em quem não votaram quatro anos antes, às vezes candidato pelo mesmo círculo eleitoral; a questão é a memoria das pessoas, ou a falta dela, ou 50 anos depois da revolução de Abril ainda não termos saído da fase infantil da democracia.

 

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