Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

A "venezuelização" do país

por josé simões, em 07.05.21

 

pacto de varsovia logo.jpg

 

 

Não deixa de ser curioso ver aqueles que mais rejubilam com o julgamento e prisão de José Sócrates serem aqueles que se agarram com unhas e dentes a uma trafulhice de José Sócrates em Reserva Ecológica Nacional e Reserva Agrícola Nacional, ao inventar um PIN para um parque de campismo com capacidade até 1572 campistas e com o reforço da vegetação autóctone e resistente ao fogo, para acabar na chico-espertice das barracas de madeira, em terreno não passível de fraccionamento ou loteamento para construção, cuja licença terminou em 2019 e com a sociedade que explora o lugar a ser declarada insolvente em 2020. Ilegalidades atrás de ilegalidades. Portanto, partindo do princípio de que o Estado somos todos, tenho eu, o outro qualquer cidadão, tanto direito àquela "propriedade privada" como os alegados proprietários que mais não são que os donos das ripas de madeira que pagaram ao chico-esperto que lhes geria o condomínio.

 

Entretanto um mascarado, porta-voz dos barricados na porta do empreendimento à espera da invasão dos tanques do Pacto de Varsóvia [link na imagem], diz na televisão do militante n.º 1 que já falou com alguns dos migrantes, que "estão assustadíssimos e que alguns até já perderam o emprego". Alto e pára o baile. É aqui que todos deviam perceber a importância do contrato de trabalho, da contratação colectiva, dos direitos e garantias. Alguém se imagina na situação de ser despedido por falta ao trabalho numa situação de emergência sanitária e de saúde pública? Sim, nos States. Ou nos programas do Ilusão Liberal e do Chaga.

 

 

 

 

Covid 19, direita do tugão e propriedade privada

por josé simões, em 01.05.21

 

psd.jpg

 

 

Vai grande alvoroço nas hostes da direita do tugão, por defeito beata e temente a Deus, aquela que qualquer que seja o evento - funeral, missa, casamento, investidura, baptizado, tem sempre lugar reservado na primeira fila das igrejas, mesmo que seja só essas as vezes que lá mete os chispes, com a possibilidade do Estado requisitar temporariamente, sublinhe-se temporariamente, um alojamento turístico em Longueira- Almograve para período de confinamento obrigatório e isolamento profilático dos trabalhadores agrícolas sazonais na região de Odemira, mesmo que os proprietários estejam em situação de falência e com dívidas de vários milhares de euros ao Estado,  e apesar das culpas do PS na "institucionalização de uma espécie de “campos de refugiados” para trabalhadores agrícolas estrangeiros no Alentejo" nos concelhos de Odemira e Aljezur.

 

E o que diz a Igreja Católica à direita beata do tugão com lugar cativo nas primeiras filas das igrejas de boca aberta para receber o "Corpo de Deus"? Diz que a propriedade privada é um direito legitímo mas não absoluto.

 

Faço minhas e volto a propor a todos algumas palavras de São João Paulo II, cuja veemência talvez tenha passado despercebida: «Deus deu a terra a todo género humano, para que ela sustente todos os seus membros, sem excluir nem privilegiar ninguém». Nesta linha, lembro que «a tradição cristã nunca reconheceu como absoluto ou intocável o direito à propriedade privada, e salientou a função social de qualquer forma de propriedade privada». O princípio do uso comum dos bens criados para todos é o «primeiro princípio de toda a ordem ético-social», é um direito natural, primordial e prioritário.Todos os outros direitos sobre os bens necessários para a realização integral das pessoas, quaisquer que sejam eles incluindo o da propriedade privada, «não devem – como afirmava São Paulo VI – impedir, mas, pelo contrário, facilitar a sua realização». O direito à propriedade privada só pode ser considerado como um direito natural secundário e derivado do princípio do destino universal dos bens criados, e isto tem consequências muito concretas que se devem refletir no funcionamento da sociedade. Mas acontece muitas vezes que os direitos secundários se sobrepõem aos prioritários e primordiais, deixando-os sem relevância prática.

 

Papa Francisco, encíclica Fratelli tutti, ponto 120.

 

Portanto o "amor ao próximo" e a "caridade cristã" não interessam para nada, eles que morram longe, ainda por cima são do outro lado do mundo, e o Estado que nos devolva o dnheiro que lhe devemos.

 

[Imagem de autor desconhecido]