"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Montenegro foi à China vender coisas, desde que Passos Coelho vendeu a EDP e a REN ao Partido Comunista Chinês somos bons a vender coisas ao Império do Meio, lá mais para a frente haveremos de saber o que foi vendido, desta vez com o nome de "investimento". E Montenegro, como nunca foi tido nem achado nas negociações para a paz na Ucrânia, aproveitou para se pôr em bicos de pés e "desafiar Xi a pressionar a Rússia. "Eu-ue [é assim que ele diz] creio que o apelo, vindo de um país amigo, não cairá em saco roto", enfatizou. Pela foto no Renmin Ribao - Diário do Povo, o sorriso de deslumbramento parolo do rural versus o ar de enfado do imperador, agora é que a China se vai chegar à frente.
Liberalizaram totalmente o mercado, sem exigências de segurança social, pensões, subsídios de desemprego, salário mínimos, sindicatos, horários de trabalho, dias de descanso e de férias, na esperança de 1 500 000 000 de consumidores para as marcas e corporações da "economia ocidental" e, quando lá chegaram, apanharam pela frente com um 1 500 000 000 produtores, sem quaisquer regras ou controlos de qualidade, laboral, individual, familiar. Argumentam agora, os liberais de pacotilha, que a globalização contribuiu para retirar 1 500 000 000 da miséria quando a globalização se limitou a meter 1 500 000 000 de miseráveis ao mesmo nível dos miseráveis ocidentais, ainda assim uma subida de rating. É o que o povo na sua imensa sabedoria chama de "ir à lã e sair tosquiado".
[Ursula von der Leyen] "instou Xi Jinping a tomar medidas para controlar a superprodução de bens industriais chineses que inundam o mercado europeu". "Uma China que joga limpo é boa para todos nós". LOL.
Zelensky "não pode querer tudo", e se calhar é melhor deixar a Crimeia para os russos e não se fala mais nisso, disse Lula da Silva antes de viajar para Pequim, onde vai dizer que o camarada Jinping "não pode querer tudo", deve deixar Taiwan seguir o seu caminho, e que tirar a bota cardada de cima do Tibete talvez não fosse má ideia. Não, não vai. Lula só quer a paZ.
Três dias passados e continuam com "o que é que aconteceu, que coisa foi aquela no congresso do Parido Comunista Chinês?". Se o camarada Hu Jintao podia ter sido impedido de se sentar na tribuna antes da abertura da sessão, tirar a respectiva cadeira, compor o cenário, evitar toda a coreografia que se lhe seguiu, alegando posteriormente que a sua ausência se deveu a inesperados problemas de saúde? Podia, mas não era a mesma coisa, não tinha o mesmo efeito coreográfico. O que o camarada Xi quis passar para o mundo e para dentro do comité central, não obrigatoriamente por esta ordem e já que as imagens não passaram oficialmente dentro de portas, foi que quem manda ali é ele, que não restem quaisquer dúvidas, e que até se pode dar ao luxo de humilhar publicamente um camarada com provas dadas, ex secretário-geral do partido e ex presidente do país, um pouco à imagem do que acontecia com a exposição dos elementos "contra-revolucionários" e "desvios de direita" nas praças públicas pelos Guardas Vermelhos durante a Revolução Cultural, foi um aviso por antecipação. Voltando ao início, três dias passados e continuam com "o que é que aconteceu, que coisa foi aquela no congresso do Parido Comunista Chinês?" e quer-me parecer que vão continuar por muito mais tempo, para grande frustração do camarada Xi que nem com um desenho lhes conseguiu explicar.
[Link na imagem "Attendants serve tea for the delegates before the opening ceremony. Thomas Peter/Reuters" ]
A woman wearing a face mask rides a bicycle past a large television screen at a shopping center displaying Chinese state television news coverage of Chinese President Xi Jinping's visit to Hong Kong in Beijing, Friday, July 1, 2022. AP Photo/ Mark Schiefelbein.