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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O Zé Mula e a Virgem Enganada

por josé simões, em 26.07.07

 Dois acontecimentos, duas notícias. Hoje. Exemplo dos dois condimentos, aparentemente opostos, mas essenciais à composição e construção desta espécie que dá pelo nome de Português. Depois de devidamente amassados e fermentados por quase 900 anos de história.

 

A primeira componente: O Zé Mula.

- A PJ e a ASAE numa operação conjunta encerram três sites portugueses que se dedicavam à partilha de conteúdos – filmes, músicas, jogos, programas, etc. – sem o correspondente pagamento de direitos de autor. Os sites davam pelos nomes de btuga, zetuga, zemula.

Lapidar! Podíamo-nos ficar só pelos nomes de baptismo dos sites e não era preciso dizer mais nada. O Tuga, espécie de troglodita “chico-esperto”, que invariavelmente se chama qualquer coisa” e é Mula, no sentido de manhoso e ardiloso, sempre com estratagemas a roçar a ilegalidade, para contornar a lei e dar a volta ao sistema.

 

A segunda componente: A Virgem Enganada.

- Uma portuguesa de 38 anos, imigrante na Escócia. Mal fala inglês e não pesca nada de informática. Durante três meses manteve relações sexuais forçadas com um escocês de 63 anos que se fazia passar por agente secreto. O 007 forjava e imprimia e-mails devidamente traduzidos para português, que entregava à vítima. Neles constava que agências governamentais de Portugal e do Reino Unido a tinham seleccionado para dar prazer ao espião e, caso não seguisse as ordens do Scotsman, ela, a sua família e os amigos seriam mortos. Se tentasse escapar o avião ou o meio de transporte usado explodiria. O caso começou esta semana a ser julgado no tribunal de Edimburgo.

O português: mais totó que anjinho. Não obstante nunca ter visto o mar, e nem sequer a língua pátria saber falar, mete-se à aventura por esse mundo fora à procura do El Dorado; aparece com frequência nos noticiários a queixar-se que trabalhou sem receber, ou que fez trabalho-escravo. Às vezes dá-se bem, outras nem por isso.

 

Quer um – O Zé Mula -, quer o outro – A Virgem Enganada -, despedem-se sempre do seu interlocutor com um “Até amanhã se Deus quiser!” e “Saudinha a todos é o que eu desejo!”.

Foi assim que chegámos à Índia. Foi assim que descobrimos o mundo. Foi assim que inventámos a globalização. Foi assim que nos tramámos. Ficámos nessa zona semi-obscura que, melhor que ninguém conseguimos definir, e que se denomina “”. Ficámos lá. No entretanto, os “outros” partiram para outra.

 

Como dizem os americanos: I Love This Country!!!