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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Na compra de 5 embalagens oferta de um curso de jornalismo grátis

por josé simões, em 24.07.20

 

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Ainda sou do tempo em que "televisão pública" era sinónimo de qualidade e de credibilidade.

 

 

 

 

Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 21.07.20

 

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Não é um subsídio é compra antecipada de publicidade. E além disso ainda não recebemos um cêntimo sequer, logo não conta. O Estado incumpridor a pôr em causa o salário dos estagiários e dos recibos verdes. Também não andamos aqui para perder o nosso rico dinheirinho e nunca contratávamos a Ronalda da televisão pimba se não tivéssemos o retorno do investimento proporcionado pelas audiências proporcionadas pelos palermas que se indignam muito no Facebook com as aquisições que fazemos. 

 

Não ter a puta da vergonha na cara é isto: o canal, o Estado, e quem está no sofá com o comando da televisão numa mão e o android na outra, a meter likes no Facebook e selfies no Instacoise. 

 

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O estado da Nação

por josé simões, em 29.04.20

 

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"Quem é que nunca teve problemas com o motor de arranque?"

O regresso de alguns comerciais às televisões dizem mais do estado da Nação em tempos de Covid-19 que horas a fio de comentadeiros com avença no prime time generalista e em contínuo no cabo.

 

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Notícias da "livre escolha" entre público e privado

por josé simões, em 21.04.20

 

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A televisão do militante n.º 1, aka SIC e SIC Notícias, descobriu que os hospitais privados cobram aos utentes o equipamento de protecção Covid-19 usado pelo pessoal médico. E faz notícia de telejornal com isso e com pessoas da "livre escolha" entre público e privado muito indignadas com mais esta parcela na factura da "saúde negócio". E ficamos sempre sem saber se estas indignações são genuína burrice; se estas indignações são genuína ignorância da máxima "não há almoços grátis"; se estas "manchetes" de telejornal são apenas mais um passo no "processo Correio da Manha em curso" nos canais auto-intitulados de referência; se isto não é só genuína sonsice da televisão do militante n.º 1 a tentar passar a ideia de que público e privado é tudo "a mesma luta".

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Serviço público de televisão

por josé simões, em 09.04.20

 

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Temos Bento Rodrigues, um gajo sóbrio e calmo, com dicção pausada e tom de voz baixo, a apresentar o telejornal da SIC em tempos de pandemia, medo e alarme social. E depois temos José Rodrigues dos Santos na RTP 1, um peixeiro histrionico, aos berros e de olhos esbugalhados, apostado em acagaçar uma plateia. Na televisão pública. Sim senhor.

 

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Terroristas e irresponsáveis

por josé simões, em 14.03.20

 

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Nenhuma linha de saúde em nenhum país do mundo está preparada para receber um fluxo de chamadas decorrente de uma pandemia global como a que estamos a viver. Nem nenhum serviço de saúde está preparado para receber um tão elevado número de doentes com uma doença específica, como o que está a acontecer em Itália com a pandemia do novo coronavírus. Nenhuma cadeia de supermercados está preparada para receber num só dia o fluxo de clientes que recebe numa semana e apostado em comprar de uma só vez o que habitualmente compra durante um mês. Assim como é impossível fazer uma chama telefónica ou a ceder ao wi-fi num ponto onde esteja concentrado um elevado número de pessoas de telemóvel na mão, já todos passámos por isso, numa passagem de ano ou num festival de verão. E é do senso comum e nem devia ser passível de discussão e de comparações parvas. E depois há a irresponsabilidade da televisão do Correio da Manha que passa uma manhã agarrada ao telefone para o Saúde 24 para poder dizer no telejornal que o tempo de resposta foi de xis horas, enquanto entupiu ainda mais o sistema e tirou a vez a alguém realmente necessitado. E isto devia dar prisão sumária e cassação da licença de emissão.

 

[Na imagem "An Iranian man uses a provided toothpick to press an elevator button in an office building in Tehran on March 4, 2020, as a preventative measure against viral transmission", Atta Kenare/ AFP]

 

 

 

 

A gente faz de conta que não os percebe

por josé simões, em 13.09.19

 

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Quando andava tudo à chapada e a berrar por cima uns dos outros a democracia portuguesa nunca mais crescia, já levávamos quase meio século dela e não saímos da fase infantil. Agora que os debates são civilizados, com urbanidade e onde ninguém se interrompe temos debates enfadonhos e o sistema político está a precisar de um abanão, um choque de adrenalina.

 

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O suspeito do costume nem sequer lê o jornal, vê as gordas no Correio da Manha

por josé simões, em 03.09.19

 

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"O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu hoje incentivos do Estado aos 'media' para fazer face à crise no sector, considerando que sem uma comunicação social forte não há democracia. Para o Presidente da República, qualquer solução não pode ser de censura ao sector, mas recorrendo a medidas, como algumas existentes noutros países como incentivos à leitura de jornais por jovens e nas escolas, através do financiamento de assinaturas, ou desagravamentos fiscais, exemplificou.". Isto dito em português de Portugal significa que Marcelo quer pôr o suspeito do costume, "o contribuinte", que noutros casos o suspeito do costume pode ser "o eleitor" ou "o cidadão", a financiar, com o dinheiro dos seus impostos, órgãos de comunicação social na sua grande maioria propriedade de empresas privadas, à excepção de um, propriedade do militante n.º 1 do partido de Marcelo Rebelo de Sousa, e meteu ali pelo meio os "incentivos à leitura de jornais por jovens e nas escolas" para compor o ramalhete, facilmente desmanchado com o argumento da "doutrinação" pelo Estado e do "marxismo cultural", a partir do núcleo duro da base que o pariu e elegeu. Está certo, já que "o contribuinte" paga os desmandos da excelência da gestão da banca privada porque não pagar os jornais e as televisões privadas que marcam o ritmo e o compasso da agenda da direita radical? Como diz o Jesus, Jorge, são pinares.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Portugal a arder, coincidências e copycats

por josé simões, em 15.08.19

 

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Por uma daquelas estranhas coincidências da vida o início do Verão coincidiu exactamente com o início da greve dos motoristas de transporte de matérias perigosas e, os incêndios que, em tempo fresco, estavam a todas as horas certas nos canais de notícias no cabo e a fazerem meia hora de abertura de telejornal nos canais em canal aberto, com repórteres de imagem em directo dos sítios mais recônditos do país onde nem o carro do Google Maps vai, pura e simplesmente desapareceram, Portugal deixou de estar a arder pela primeira vez nos últimos 20 anos, no mínimo.

 

Ou as televisões redireccionaram o histerismo mediático e com isso minimizaram o efeito copycat na floresta na exacta proporção em que o combustível desaparecia nas bombas de norte a sul do país?

 

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Prioridades

por josé simões, em 11.08.19

 

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Dia 1, antes da greve: A televisão do militante n.º 1, SIC Notícias, faz directo da Quinta do Lago com as dificuldades de abastecimento de combustível para os turistas, os VIP, os que vão de jacto particular, ou de helicóptero desde a outra Quinta, a da Marinha em Cascais. Desconhece-se se o estagiário deslocado para o local da crise fez o passadiço das dunas até ao restaurante do Gigi para dar conta das dificuldades de abastecimento de víveres para tão ilustre clientela e mui nobres estômagos.

 

Dia 2, antes da greve: A televisão do militante n.º 1, SIC Notícias, faz directo da Marina de Vilamoura com as dificuldades de abastecimento que os iates, dos VIP e milionários com skippers pagos à tarefa e sem factura passada, vão ter para abastecer e voltar às terras de origem, ainda se sujeitam a ter de lavar a rouba a bordo e a estender as cuecas num cabo esticado entre o estai e o brandal, o que é contra as boas regras da civilidade. Os pescadores de Portimão que se fodam, e com efe grande, que são danos colaterais nestas prioridades de abastecimento televisivo.

 

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O circo nunca acaba

por josé simões, em 12.03.19

 

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Associação feminista desanca e arrasa programa de televisão 'machista' apresentado por membro e cronista feminista da associação feminista que desanca e arrasa o programa 'machista'. Confusos?

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Que filhos da puta, benza-os Deus!

por josé simões, em 15.02.19

 

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Os mesmos comentadeiros, que são aqueles tipos que dantes estavam na taberna a discutir a linha do mister antes e o penálti mais o fora-de-jogo depois e que agora passaram para as televisões e ainda recebem do taberneiro para beber o vinho que pagavam e que os mete a delirar um serão inteiro que ao menos as tabernas fechavam às 10 da noite, que asseguravam o suicídio do Benfica com a irresponsável convocatória de Lage para a Turquia, deu tudo contra o Nacional no nacional e despreza os otomanos na Europa, WTF??? a prioridade é ser campeão, já se mentalizou que nas uéfas não tem hipóteses nem tem plantel, e como é que os putos se vão comportar perante o inferno na terra que é 50 mil turcos que conseguem estar um jogo inteiro a fazer barulho e que nem no intervalo se calam [se calhar a falta de sexo explica isto],  eram os mesmos comentadeiros que terminado o jogo batiam palmas e entoavam hosanas à ousadia do treinador do Benfica, ao conhecimento do plantel e aos valores seguros que o Benfica tem no Seixal, um treinador que aposta no produto nacional e o caralho, CLAP! CLAP! CLAP!, uns miúdos com grande personalidade e carácter e espírito competitivo que não se deixaram intimidar pelos urros vindos das bancadas, CLAP! CLAP! CLAP! outra vez, alguns com alguma, pouca mas alguma, noção do ridículo e com a memória das merdas que tinham dito 90 minutos antes ainda ensaiaram um "não foi o Benfica que jogou bem, foi a Galatacoise que esteve uns furos abaixo do que nos habituou", "lembram-se do Galatacoise dos anos 90, lembram-se?", exactamente, ir buscar o há 20 anos... também nos nos lembramos do Benfica de Eriksson e se calhar alguns até se lembram do Benfica do Bella Gutman para comparar com o Galatacoise. 

 

Que filhos da puta, benza-os Deus!

 

 

 

 

Todo o poder aos trogloditas!

por josé simões, em 22.01.19

 

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"Vamos ouvir aqui este adepto do FC Porto" diz a menina da SIC Notícias de microfone esticado na porta do Estádio da Pedreira antes do Benfica vs. Porto para a Taça da Liga". "Não sou do FC Porto...". "Não é do FC Porto?!". "Não, sou neutral". E lá vai ela de microfone esticado à cata dos mestres da táctica que fazem linhas completas com suplentes e tudo, e até se deitam a adivinhar quem vai marcar os golos, enquanto os outros passam por trás em passo acelerado e vão largando "Benfica é merda!" e "filhos da puta, até os comemos", "Porto, caralhooo!", ignorando olimpicamente o maná que tinha ali entre mãos, caído do nada, um puto com não mais de 16 anos, ainda sem barba na cara, que se tinha dado ao trabalho de sair de casa numa noite fria de Janeiro para ver um jogo de futebol só pelo prazer do jogo, sem torcer por nenhum clube em especial.

 

Não, as televisões não têm culpa nenhuma no clima de violência que se vive nas bancadas dos estádios, não senhor.

 

[Imagem de Octavi Serra]

 

 

 

 

O branqueamento e a promoção do fascismo

por josé simões, em 03.01.19

 

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Dois dias depois de Ricardo Costa, "Jornalista @sic.sapo.pt e @Expresso.sapo.pt Retweets are not endorsements; views are my own" e blah-blah-blah [bio na conta Twitter], ter chamado a atenção para um texto de Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo sobre o tratamento abaixo de cão dos jornalistas na tomada de posse de Jair Boldonaro e, tão importante como o texto, "é lerem os comentários que se seguem", [as caixas  de comentários e as redes sociais e o anonimato e a cloaca e o coise, estão a ver?], a TVI convida para o programa da manhã de Luís Goucha o neo-nazi Mário Machado, um criminoso condenado por roubo, coacção agravada, detenção de arma ilegal, danos e ofensa à integridade física qualificada, difamação, ameaça e coacção a uma procuradora da República, homicídio de Alcino Monteiro, o preso em Portugal que mais tempo passou numa prisão de alta segurança, apresentado como o "Nacionalista desde da adolescência, esteve preso por dois anos e meio por escrever um texto na internet a apelar à mobilização dos nacionalistas".

 

Voltando ao início do post, as caixas  de comentários e as redes sociais e o anonimato e a cloaca e o coise e blah-blah-blah, estão a ver [o papel do jornalismo]?

 

 

 

 

Libertem o tunning!

por josé simões, em 21.12.18

 

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Uma manif de palermas inventada pelas televisões, com directos intermináveis, dois jornalistas por manifestante, drones com câmaras de filmar, cavalgada pela direita populista do CDS antes que os fascistas do PNR, ou outros dissidentes do sentido de Estado PSD/ CDS, que perderam definitivamente a vergonha, se cheguem à frente e ocupem o lugar, é "o povo na rua farto do socialismo", segundo a direita radical de plantão nas redes.

Uma avenida cheia de gente, desde o Marquês ao Rossio, enquadrados pela CGTP, com um caderno reivindicativo definido e propostas concretas, merece meio minuto no telejornal a seguir ao intervalo e é só funcionários públicos, manhosos, sem nada que fazer, dispensados pelas câmaras municipais e juntas de freguesia, que não perdem o dia de trabalho e só atrapalham a vida aqueles que querem fazer o país andar para a frente.

 

A comunicação social anda a brincar com coisas sérias, um dia mais tarde também vai levar por tabela.

 

[Imagem encontrada no Twitter]