"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O dia a seguir a Marcelo, Costa e restante tropa fandanga, terem saído a terreiro eufóricos com a captura de Rendeiro, a enganarem-se a eles próprios quando misturam confiança do cidadão na Polícia Judiciária com confiança do cidadão e credibilidade da Justiça, sabe-se que no denominado "Caso PPP" os antigos governantes escapam a julgamento por prescrição de crimes. E agora já não há mais nenhum Rendeiro para capturar.
Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade, parece-me adequado à quadra e a quem vai passar o Natal com a família.
Como é que alguém que acredita piamente nas virtudes da desregulação total dos mercados e na economia de casino, perdão, na financeirização da economia, resultado lógico do neoliberalismo de que se reclamam, pode ser condenado por professar a sua fé?
E uma boa imagem do país que temos está a passar em “loop” nas televisões desde a hora do almoço, com o FMI a chegar a pé ao Ministério das Finanças enquanto o ministro e secretários de Estado a chegam de Mercedes.
Deu para perceber o peso real de António Costa dentro do PS, deu para José Sócrates e Teixeira dos Santos perceberem que tinham metido o pé na poça, deu para o primeiro-ministro fazer mais um número de malabarismo no Parlamento e perder a oportunidade de mostrar uma faceta de humildade humana ao reconhecer que se havia excedido enganado, apesar de saber que nós sabemos que ele sabe o que “está escrito no papel”. Como diria Vasco Santana: Compreendi-te!
Nas vésperas dos 101 anos da “ética republicana” o que quer que essa merda signifique mesmo mesmo antes de abrir o espumante que para o caso deve ser champanhe e ah e tal o Carlos César e os Açores e o Mário Soares que escreve às terças-feiras uma página inteira do Diário de Notícias para não dizer o que podia ser dito em ¼ de página e mais os mercados o que quer que essa merda signifique também que estão à escuta e o Teixeira dos Santos que está no fim da tabela do Top of the Pops dos ministros das Finanças da Europa. Assim mesmo sem vírgulas.
A girl é do PSD mas responde (ou devia responder) perante um boy do PS que responde (ou devia responder) perante a tutela (temporariamente) do PS. O exemplo acabado de 35 – trinta e cinco – 35 anos de governação repartida. Se calhar a culpa ainda é do gonçalvismo…
Daqui por meia dúzia de meses chega o PEC IV, porque “algo” (que nunca se saberá o quê, como se fossemos todos burros) correu mal no PEC III, que por sua vez já havia sido necessário porque, algo que nunca se soube o quê (continuamos a ser todos burros), correu mal no PEC II.
E o IV Capítulo do PEC vem acompanhado pelo bicho papão FMI e, a União Nacional - com os banqueiros à cabeça e o professor Marcelo a carro-vassoura - que se desdobrou em justificações, apelos, prantos, rezas e mezinhas pela aprovação do Capítulo III, e onde só faltaram as vozes de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, e Pinto da Costa, volta à carga outra vez com os mesmíssimos argumentos em defesa da mesmíssima imperiosidade da aprovação do Capítulo IV. Sem tirar nem pôr.
A ladainha da “imagem de credibilidade” que é necessário passar para “Os” mercados e para “As” instituições financeiras, rezada nos últimos quinze dias por todas as religiões e seitas num unanimismo que nem a selecção nacional de futebol consegue, resume-se a isto: Orçamento de Estado incompleto entregue quase ao foto finish, e conferência de imprensa adiada para hora incerta.
Dizem que o maior jackpot de sempre saiu em Inglaterra mas é mentira. Saiu em Portugal, a uma sociedade formada por Hernâni Lopes, Medina Carreira, Silva Lopes e Cia Ldª.
(Dizem por aí que a República fez 100 anos esta semana e que o 25 de Abril já leva 36 longos anos)
Teixeira dos Santos ontem já tinha deixado cair que «“é tempo de o Governo e os partidos, em especial o PSD, se entenderem quanto a isto: há que executar as medidas necessárias”» e hoje os jornais fazem primeira página com José Sócrates e Pedro Passos Coelho. Não sei se era bem isto que o líder do PSD desejava: apanhar o caminho minado e armadilhado e ver o seu nome associado ao “odioso” da questão. Seja como for é uma boa prova de fogo e vamos ver o que é que o homem vale agora que a política está de volta.