"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Depois do "Novo Rumo" de António José Seguro [paz à sua alma] ter proposto um tribunal especial para investidores estrangeiros, temos agora o Velho Rumo de Passos Coelho/ Paulo Portas a tentar bloquear o acesso dos pequenos contribuintes à justiça com mais uma inconstitucionalidade da praxe, um ranking dos contribuintes. Paga e não sacode água do pacote.
Como é por todos sabido um verdadeiro católico, temente a Deus, crente em Nosso Senhor Jesus Cristo e obediente ao Santo Padre e à Santa Madre Igreja, só "lá vai" para fazer filhos.
O que os meritíssimos juízes do Supremo Tribunal Administrativo nos estão a dizer é que 50 anos e já passou o prazo, fechou a fábrica. Temos pena. E temos Fátima todos os anos duas vezes por ano, e o casal debaixo dos lençóis, e o pudor de ver o cônjuge nu, e o prazer vedado à mulher, e o prazer é fora de casa. Mantêm-te no teu lugar. Cala-te!
Pare os meritíssimos juízes do Supremo Tribunal Administrativo o poema do “Truca-Truca” que Natália Correia dedicou em 1982 ao deputado do CDS, João Morgado, durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez após ter afirmado que "o acto sexual é para fazer filhos".
Já que o coito – diz Morgado – tem como fim cristalino, preciso e imaculado fazer menina ou menino; e cada vez que o varão sexual petisco manduca, temos na procriação prova de que houve truca-truca. Sendo pai só de um rebento, lógica é a conclusão de que o viril instrumento só usou – parca ração! - uma vez. E se a função faz o órgão – diz o ditado – consumada essa excepção, ficou capado o Morgado.
Construir plataformas logísticas e aeroportos em cima de um dos maiores aquíferos da Península Ibérica, construir campos de golfe em parque natural e/ ou área de paisagem protegida, construir resorts de luxo em reserva agrícola nacional e/ ou reserva ecológica. Mais barragem aqui e auto-estrada ali. Um imenso Algarve, de Valença a Vila Real de Santo António.
Macário Correia não tinha PIN. Faz toda a diferença. Para os juízes e tribunais. A natureza não fala, não se queixa. Nem faz lobby.
No país onde o Governo inventa o “projecto PIN” como forma de espoliar o património comum a milhões - reserva agrícola nacional, parques naturais e reservas ecológicas – em benefício de meia dúzia, um autarca vê o mandato suspenso por ordem judicial por violação do PDM e do Plano Regional de Ordenamento do Território. Awesome.