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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Informação de qualidade e isenção é o que se espera da televisão pública

por josé simões, em 30.01.20

 

Mary Delaney Cooke - Corbis - Getty Images.jpg

 

 

Uma pessoa desequilibrada agride uma médica numa urgência psiquiátrica e o evento é apresentado no telejornal da RTP 1 como exemplo de agressão a profissionais de saúde num trabalho sobre as agressões no Serviço Nacional de Saúde [nos idos de Correia de Campos todos os dias nascia uma criança numa ambulância].

 

O que se espera da televisão pública é informação de qualidade e isenção que as televisões privadas não têm, subjugadas que estão à agenda da saúde privada [principal beneficiária da campanha cerrada de desinformação e ataque, em curso contra o SNS], pela dependência das receitas publicitárias, provenientes dos grupos económicos proprietários de hospitais privados, seguros de saúde, e com participação accionista nos media, quer pela orientação política e ideológica da redacção, nomeada pelo accionista, perante o qual responde através de resultados e objectivos pré estabelecidos pelo grupo, numa lógica de funcionamento em circuito fechado.

 

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Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 12.01.20

 

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"Existe um sentimento de impunidade porque estes julgamentos demoram demasiado tempo". Não, o bastonário da Ordem dos Médicos, no Opinião Pública/ SIC Notícias, não se estava a referir às participações na Ordem que "bastoneia" por má prática médica, era da recente vaga de agressões a médicos e profissionais de saúde agressões falava. Da justiça pública, não da justiça privada-corporativa da Ordem dos Médicos, das eternidades e dos arquivamentos.

 

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O Estado da daNação

por josé simões, em 06.01.20

 

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"Tenho uma prima que morreu por negligência médica e estou a pensar em ir para a investigação do Correio da Manhã para ver se consigo alguma coisa". Telefonema para o Opinião Pública/ SIC Notícias aos seis dias do mês de Janeiro do Ano da Graça de 2020.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

A verdade alternativa da direita radical

por josé simões, em 30.12.19

 

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Não, o Governo de Passos Coelho não teve nada a ver com o estado lastimoso em que ainda se encontra o Serviço Nacional de Saúde cinco anos depois de se ter ido embora.

 

Portugal cortou nas despesas de Saúde o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a 'troika'.

 

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Isto é para levar a sério?

por josé simões, em 26.12.19

 

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Depois do "ministro" [entre aspas] do Ambiente ter vindo anunciar o desassoreamento do Mondego para evitar as cheias que lhe proporcionaram cinco dias depois ter vindo anunciar  a recuperação dos diques no prazo de dois meses, António Costa, que tem uma paixão pela saúde, veio ele próprio anunciar o desassoreamento do Serviço Nacional de Saúde, num caso peculiar de primeiro-ministro do Estado laico a fazer "mensagens de Natal", primeiro ao eleitores e depois aos cidadãos. António Costa tem a noção de que mais tarde ou mais cedo a direita vai regressar ao poder e que estes exercícios manhosos de propaganda manhosa são o grão a grão que enche o papo dos eleitores, até à saturação que inevitavelmente há-de dar uma sapatada no PS para entregar o poder de mão-beijada a quem vai acabar por concluir o longo processo de desmantelamento do SNS em prol do negócio da saúde privado? É assim que as coisas funcionam, a entrega da guarda da capoeira à raposa, já deviam estar avisados por um governo de Passos Coelho, do empobrecimento geral na "ida ao pote", a seguir a um governo PS. E bem podem berrar pelo "pai António Arnaut" e pela "herança", metida na gaveta depois do upgrade feito a meias com António Semedo, que o pote é para rapar até ao fim.

 

[Na imagem Federico Fellini on the set of Satyricon, phorographed by Mary Ellen Mark, 1969]

 

 

 

 

Um pantomineiro há-se ser sempre um pantomineiro

por josé simões, em 04.12.19

 

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Luís Montenegro, para os mais esquecidos era aquele deputado líder da bancada parlamentar do PSD que servia de ponto, dava as deixas para Passos Coelho dissertar longamente sobre o seu desígnio terreno de meter o país nos eixos de onde havia descarrilado no 25 de Abril de 74, sobre a tradicional mandriice portuguesa, sobre o viver acima das possibilidades, as virtudes do empobrecimento e as grandes reformas estruturais para mil anos, no debate para a liderança do PSD que a salvação do Serviço Nacional de Saúde, a resposta para os constrangimentos, passa por atribuir competências a privados, fingindo ignorar que o garrote se deve às políticas orçamentais assumidas no quadro da União Europeia do défice zero até haver excedente orçamental e, com a cumplicidade amorfa da moderadora, sai incólume sem explicar como é que não havendo dinheiro para os cuidados de saúde no Estado vai esse mesmo Estado ter dinheiro para pagar aos privados para se substituírem ao Estado na prestação desses serviços. Luís Montenegro não está preocupado com o SNS nem com a saúde dos portugueses, está preocupado com o negócio da saúde a atribuir a privados.

 

[Na imagem Danny Kaye, o original, que tinha piada, não o sósia, um piadista perigoso]

 

 

 

 

Vou-vos contar uma história de listas de espera no SNS

por josé simões, em 02.12.19

 

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Depois de dois anos com um ferro enfiado no osso da perna [RX na imagem], motivado por fractura numa queda em BTT, a médica que me operou achou por bem retirá-lo, "você é ainda muito novo para passar o resto dos dias da sua vida em sofrimento" e, em Maio de 2017, marcou a respectiva cirurgia, "há-de receber uma carta em casa". Em Julho do mesmo ano recebo a bela da carta. Era um cheque-cirurgia para ser usado até final do ano num de três hospitais à escolha: um hospital em Torres Vedras, o hospital da Ordem Terceira em Lisboa e ainda outro, também em Lisboa, de que não me recordo o nome. Deve dirigir-se ao centro hospitalar da sua área de residência para confirmar ou recusar, lia-se na papeleta. No dia seguinte dirigi-me ao hospital de S. Bernardo em Setúbal, "vocês desculpem lá, isto é uma cirurgia de entrar num dia e sair no outro, não há-de ser nada mas nunca se sabe e em caso de correr alguma coisa mal lá anda a família em bolandas de Setúbal para Lisboa ou para Torres. Não". Assinado o termo de responsabilidade e uma vez que na carta constava que nos serviços podia consultar a lista de espera para a minha cirurgia, "já agora, se faz favor, diga-me o tempo de espera até ser novamente chamado", "o tempo de espera não lhe sei dizer, digo-lhe o número de pessoas que estão à sua frente, são 579". "OK, já esperei dois anos não é por mais um ou outro". Termo de responsabilidade assinado e ala. Passada exactamente uma semana, uma sexta-feira, estava na praia e toca-me o telemóvel, "senhor José Simões? Fala do hospital Santiago do Outão em Setúbal, temos uma vaga na próxima segunda-feira para a sua cirurgia, quer avançar?", eu "err... então mas na semana passada tinha quinhentas e tal pessoas à frente... despacharam-nas numa semana? Isso é que é eficiência..." do outro lado, "Não [risos]. Sabe, é porque estamos no Verão... Julho e Agosto... As pessoas recusam fazer cirurgias, algumas com anos de espera, estão de férias e nada as demove". E "prontes", lá fui eu.

 

 

 

 

Há aqui um padrão

por josé simões, em 27.11.19

 

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"Apesar de 60% da população estar isenta de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde (SNS), são as classes média, média baixa e baixa que mais contratam seguros, ou seja, a motivação não se prende com a poupança". E é a mesma classe média baixa e baixa que toma o pequeno almoço fora de casa, que compra bilhete a bordo nos transportes públicos ao invés do passe mensal, que faz refeições habituais nas cadeias de fast food, que só veste roupa de marca e com a marca bem visível, e por aí. Portanto há aqui um padrão e tem a ver com educação, organização, economia e gestão do orçamento familiar, não ter nada a ver com a denominada "falência do Estado" e a "degradação do Serviço Nacional de Saúde", argumentos usados pela direita para cavalgar a notícia, na esperança de que ninguém se lembre das décadas de políticas de desmantelamento do Estado social em prol de interesses privados, nos seguros de saúde, na saúde negócio a cargo de privados, nos planos privados de reforma, de que ninguém se lembre que a falência do Estado e a degradação do SNS têm pai e mãe, não nasceram de geração espontânea.

 

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Pescadinhas de rabo na boca com arroz de totós

por josé simões, em 02.09.19

 

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Mais de 20 anos de políticas concertadas na marcha do balão do "arco da governação" do PS, PSD e CDS, de desinvestimento, a degradarem e a retirarem competências ao Serviço Nacional de Saúde em favor da negócio da saúde no privado, para depois virem, com ar cândido, que a resposta que o SNS não dá é coberta por privados. Privados que estão debaixo de ataque cerrado da esquerda e em risco de falir, e até de desaparecer, coitados, às mãos da esquerda que quer restituir ao SNS as competências perdidas. É a chamada pescadinha de rabo na boca, aqui acompanhada por arroz de totós, comido por quem quer ser enganado.

 

O número de cirurgias feitas através do Serviço Nacional de Saúde foi o mais elevado de sempre, mas o aumento fica a dever-se ao reencaminhamento de casos para o sector privado

 

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Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 08.08.19

 

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O doutor, que teve um heli do INEM para fazer 20 km até ao hospital e ainda recebeu a visita da ministra da Saúde, escreve sobre quem é pobre e tem de fazer 300 km de ambulância para parir um filho. É lamentável, escreve o doutor. Lamentável é estar reformado aos 50 anos de idade depois de uma vida à sombra do Estado, com acesso a tempo de antena nas televisões e escrita paga nos media a perorar sobre a sustentabilidade da Segurança Social e o aumento da idade da reforma.

 

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Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 26.04.19

 

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"A primeira e maior preocupação do @_CDSPP em relação à Lei de Bases da Saúde é que as populações sejam servidas com qualidade e com tempo. Queremos servir todos os portugueses e servi-los com qualidade e com o menor custo possível para o contribuinte, certamente.", Assunção Cristas no Twitter.

 

"Portugal cortou nas despesas de Saúde o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a ‘troika’.", o Governo onde Assunção Cristas era ministra e assinava resoluções bancárias de cruz e com os pés de molho numa piscina no Algarve.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Os paridos do Correia de Campos nas ambulâncias

por josé simões, em 01.03.19

 

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Esta histeria mediática, e consequente aproveitamento político-partidário, com as urgências hospitalares faz lembrar quando Correia de Campos, ministro da Saúde, empreendeu uma reestruturação dos hospitais e centros de saúde e todos os dias nascia uma criança numa ambulância. Depois, como por artes mágicas, deixaram de nascer cidadãos em quatro rodas e em andamento.

Ora se uma urgência hospitalar só tem capacidade para xis doentes e lhe aparecem xis + ípsilon, a menos que a ideia seja deixá-los morrer à porta, como nos States, modelo de assistência e cuidados de saúde para aqueles que por ora se indignam com a qualidade do serviço prestado nas urgências, obviamente que têm de ficar pelos corredores.

Às vezes também calha ir com o carro à revisão e estar a oficina cheia [que bom para o dono e empregados] e o tempo de espera ser de uma semana, e outras nem por isso e numa manhã o assunto é despachado. É exactamente a mesma coisa. E qualquer engenheiro sabe que, tirando bacias de tempestade, é errado dimensionar para picos.

Ainda assim é preferível ser tratado no corredor duma urgência do SNS que numa enfermaria xpto do NHS, que enche os bifes de peneiras a ponto de lhe terem dedicado uma coreografia nos Olímpicos de Londres.

 

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O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 30.01.19

 

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Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República em 2019, está decidido a vetar uma Lei de Bases da Saúde aprovada à esquerda, só com os votos do PS, do PCP e do BE, a mesma esquerda que sozinha no Parlamento aprovou a criação do Serviço Nacional de Saúde, com os votos contra da direita - PPD e CDS e de Marcelo Rebelo de Sousa deputado em 1979.

 

[Imagem "Bing Crosby as a clown for the St. John's Hospital benefit", autor desconhecido]

 

 

 

 

Percebem onde eles querem chegar?

por josé simões, em 26.12.18

 

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De todas as vezes que o CDS refere o Serviço Nacional de Saúde [SNS] trata-o por Sistema Nacional de Saúde [SNS], por exemplo, Pedro Mota Soares, no vídeo a partir do minuto 01:01.

 

Percebem a diferença? Percebem onde eles querem chegar?

 

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Honestidade e transparência

por josé simões, em 20.08.18

 

 

 

Corria o ano de 1979 e o PPD, com Marcelo Rebelo de Sousa como deputado, votava contra a Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde que daria lugar à lei 56/79 que criou o Serviço Nacional de Saúde.

 

Corre o ano de 2018 e o PPD/ PSD de Rui Rio mete Rui Raposo, administrador do Mello Saúde, grupo privado que gere os hospitais CUF, num grupo de trabalho que propõe meter o Estado a pagar ao sector privado a prestação dos cuidados de saúde, a mesma lengalenga da "liberdade de escolha" usada nos idos de Passos Coelho para privatizar a educação.

 

O PS, todo muito de esquerda e sem se rir, saiu logo a terreiro a condenar e desmascarar a tramóia, depois de ter arrumado o relatório Arnaut/ Semedo para uma nova Lei de Bases da Saúde no fundo da gaveta mais funda e ter metido Maria de Belém Roseira, consultora do grupo privado Luz Saúde, um sucedâneo da Espírito Santo Saúde, e ex consultora da Euromedics e Merck a rever a Lei de Bases da Saúde.

 

Honestidade e transparência, há coisas que nunca mudam.