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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Tratado europeu

por josé simões, em 06.04.07

“Durão pressiona Sócrates para não fazer referendo.

 

Bruxelas vê com bons olhos uma ratificação rápida do futuro Tratado europeu, que evite a realização de referendos.”

Primeira página do Expresso, hoje.

 

Mas não se esqueçam da Ota!

por josé simões, em 17.03.07

 Pela sua actualidade, recupero aqui excertos de um artigo, assinado por Miguel Sousa Tavares e publicado no Expresso de 3 de Fevereiro, em plena gritaria e algazarra da campanha do referendo à IVG.

 

Mas Não Se Esqueçam da Ota!:

 

“Vai pôr a capital uma hora mais longe da Europa e do mundo.”

 

“E vai, fatalmente, custar uma fortuna incalculável ao país – que o Governo disfarçará, através da privatização da ANA e das receitas do novo aeroporto e do de Faro (os únicos rentáveis), de que o estado vai abdicar a favor dos privados durante gerações, para assim se poder enganar os tolos dizendo que praticamente não há custos públicos envolvidos.”

 

Os impactos para o turismo, decorrentes da construção do novo aeroporto, segundo um dos estudos em curso e elaborado pela empresa da Ota – NAER:

“Deverá gerar cerca de 1100 milhões de euros para o turismo nacional, que terá um acréscimo de 7, 35 milhões de dormidas com a nova infra-estrutura.”

“O estudo prevê que as entradas de turistas continuarão a crescer indefinidamente ao ritmo de 1, 5% ao ano, o que fará com que em 2020 se atinja os 23, 5 milhões. Então fizeram-se as seguintes contas: se em 2017, quando a Ota entrar em funcionamento, a Portela (que, entretanto, continua sempre em expansão) estará já a responder por 16 milhões de passageiros, os 7, 35 milhões que faltam até chegar aos tais 23, 5 milhões em 2020 serão atingidos graças à Ota. Os pressupostos em que assenta este raciocínio são hilariantes: primeiro, que todos os turistas entram em Portugal o fazem por via aérea (na realidade, são apenas 42%) e, segundo, que todos eles, rigorosamente todos, chegarão através do aeroporto da Ota.”

 

“Segundo os inquéritos que terão sido feitos, também há turistas que deixarão de vir a Lisboa, com um aeroporto situado a 55 km da cidade: “apenas 14%, escreve o jornal (Jornal de Negócios). Apenas? Saberão eles que o grande crescimento do turismo se tem situado justamente em Lisboa? Pouco importa: informam-nos que isso será compensado com “o aumento de turistas na Região Oeste e na Comporta (?), por exemplo”. Sejamos então suficientemente crédulos para acreditar que os quase 900. 000 turistas/ ano que o próprio estudo reconhece que deixarão de vir a Portugal e a Lisboa, devido à localização da Ota, serão amplamente compensados por outros que só cá virão para desembarcar na Ota e ficar logo por ali, ou então para ir à Comporta, que fica 55 kms mais longe! Estarão a brincar connosco?”

 

Noutro estudo encomendado pela NAER, mas que recebeu tratamento discreto e de nome Relatório Final da Análise de Terraplanagens, elaborado pela empresa de construção Parsons, a mesma que tem actualmente grandes obras em curso – adivinhem onde? – no Iraque; e segundo esse relatório:

A “Ota tem um “problemazinho” com a existência de uma serra com 660 metros de altura a norte do enfiamento da pista principal – o que só consente duas soluções: ou se arrasa a serra ou se põe os aviões a fazer manobras escapatórias assim que levantem do chão. Já se sabia que, em termos de segurança de voo na aproximação às pistas, a Ota, devido aos ventos dominantes e outras condicionantes, irá ter fatalmente uma baixa classificação de segurança, em contraste com a Portela, que tem uma excelente classificação internacional.”

 

Ainda segundo o relatório Parsons:

Que “a área do novo aeroporto se situa numa região de forte risco sísmico, na Zona A do zoneamento sísmico nacional (falha do Vale Interior do Tejo).”

“Por exemplo, que será necessário desmatar 100 hectares de terreno arborizado e remover biliões de metros cúbicos de terras. Bem pior, que o terreno é todo ele alagadiço e atravessado por três ribeiras (uma das quais terá de ser desviada), o que leva os engenheiros a afirmar que “pelas suas características geomecânicas desfavoráveis e condições hidrológicas associadas, é particularmente condicionante do tipo de ocupação prevista, delimitando a sua ocorrência zona de risco e exigindo a adopção de disposições de estabilização”. Acontece, de facto, que, para azar dos obreiristas, os terrenos da Ota são integralmente compostos por areia, argilas e lamas, fazendo prever que, após as obras de terraplanagem, “o tempo de consolidação, sem contar com o factor sísmico, possa variar entre 25 e 110 anos”. Mas, há solução: os engenheiros chamam-lhe “colunas de brita” – é cara, complicada e vai durar, só ela, dois anos e meio.”

***

por josé simões, em 03.03.07

"O dever é o que temos de fazer, apeteça-nos ou não. E o primeiro mandamento da «gentlemanship» é respeitar o sentido de dever."

 

João Carlos Espada, para ler hoje no Expresso