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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Os gloriosos dias das "vistas maravilhosas"

por josé simões, em 24.09.20

 

ines-medeiros.jpg

 

 

Cada vez mais perto os gloriosos dias das "vistas maravilhosas" em que deitados na toalha no areal de Tróia teremos como paisagem o Cristo-Rei, a ponte 25 de Abril e toda a linha de costa desde Lisboa até Cascais.

 

Secil estuda ampliação da pedreira no Parque Natural da Arrábida

 

[Inês de Medeiros na imagem, de autor desconhecido, por causa]

 

 

 

 

|| Praia com vista para a capital

por josé simões, em 06.01.13

 

 

 

Enquanto via o documentário "Arrábida – da serra ao mar" dei comigo a pensar que não é de todo descabido poder estar um dia em Tróia estendido na toalha e a admirar a bela paisagem de… Lisboa.

 

A herança que vamos deixar às gerações futuras, como agora se costuma dizer para justificar o saque e o esbulho ao bolso do cidadão, já que é de saque e esbulho ao património comum dos cidadãos que se trata.

 

E quando não houver serra onde é que encaixamos os argumentos que servem para manter as pedreiras e a cimenteira em actividade? Nas mais valias pornográficas de meia dúzia de accionistas com a justificação dumas centenas de postos de trabalho pagos a salários inferiores aos da média europeia, e mais um osso para roer na forma de um mecenato migalheiro, ao futebol da cidade e a uns quantos espectáculos musicais em dias de festa – com a cumplicidade do poder autárquico, para manter o povo distraído, da pedra e do cimento, e respeitosamente grato a quem paga o circo?

 

[Uma das pedreiras da Arrábida na imagem]

 

 

 

 

 

 

Uma luta (deliberadamente?) mal-direccionada

por josé simões, em 22.01.08

 

Mais que uma novela, a co-inceneração de resíduos industriais perigosos na cimenteira Secil em pleno coração do Parque Natural da Arrábida, é uma série. E à imagem do que acontece com outras séries de culto – Dr. House, Prision Break, CSI – desenvolve-se por temporadas.
 
Um dos actores que desde a primeira temporada da série “Co-Inceneração na Arrábida” se mantêm no elenco é o Movimento de Cidadãos pela Arrábida. Este “movimento” a engrossar o rol de outros da criação do PCPMDM, CPPC, URAP, etc. – tem uma nuance em relação aos seus primos: é que além de ter os habituais “independentespontas-de-lança do PC, inclui alguns “extremos” provenientes do Bloco.
 
Até aqui nada de mais. Todos somos poucos para defender e preservar o património natural; e ser do PC ou do Bloco não pode ser estigma que inviabilize a participação dos cidadãos na intervenção cívica. Não fosse o mal que enferma este “movimento” desde a sua creação (em português do séc. XIX por causa do acordo ortográfico):
O “movimento” é contra a co-inceneração; o “movimentofoi fabricado em função da co-inceneração. Até à decisão de co-incenerar na Arrábida nunca ninguém na cidade tinha dado fé destes senhores e a cimenteira já lá está há mais de 50 anos
 
Muito mais lúcida me parece a posição da distrital de Setúbal do PSD. Pela voz do seu presidente:
 
(…) o partido está disponível para lutar contra a co-inceneração na Secil. Bruno Vitorino reafirma que a discussão não deveria centrar-se na queima de resíduos industriais perigosos na Arrábida, mas sim na deslocalização da Secil e do fim da exploração das pedreiras”
Jornal de Setúbal em 21 de Janeiro.
 
Um palpite: exigir o fim da cimenteira, é, no imediato, exigir o fim de não-sei-quantos postos de trabalho. E o PC nessa não embarca. Se bem que num futuro próximo, nem Serra, nem cimenteira, nem postos de trabalho. Mas também a quem é que isso importa?! Quem cá estiver que se amanhe; não é?
 
(Foto de Jarrett Gorin)
 
 

O PS Setúbal e a Arrábida (II)

por josé simões, em 09.10.07
Paulo Valdez, vereador do PSD na Câmara de Setúbal, pediu escusa de votar a moção camarária condenatória da decisão do Governo em prolongar a vida útil de laboração da cimenteira Secil em pleno coração do Parque Natural da Arrábida. Alegou conflito de interesses, uma vez que é funcionário do grupo Semapa que detém a fábrica.
O mesmo não aconteceu com o vereador do PS Ilídio Ferreira, que apesar de ser funcionário da cimenteira não se inibiu de votar contra a moção, a favor da continuação do esventramento da serra.
 
Aquela coisa “da corrupção”, ou do combate à, de que João Cravinho na entrevista à Visão se diz chocado com as tomadas de posição dentro do seu partido, tem só a haver quando alguém recebe uns dinheirinhos por baixo da mesa por uns negócios mais ou menos (i)lícitos; ou existem outros tipos de corrupção – politica, ética, moral?

O PS Setúbal e a Arrábida

por josé simões, em 08.10.07

 

Uma moção que contesta a concessão pelo Governo do prolongamento da vida útil da cimenteira Secil a laborar em pleno Parque Natural a Arrábida, foi aprovada por maioria pelo executivo da Câmara de Setúbal. O vereador do PSD Paulo Valdez que profissionalmente se encontra ligado ao grupo detentor da cimenteira pediu escusa de votar. Contra a moção votaram os vereadores eleitos pelo PS. Neste “contra a moção” deve ler-se a favor da continuação da laboração da cimenteira, defendida pelo vereador do PS Ilídio Ferreira.
 
Arquive-se esta tomada de posição para memória futura. É sempre bom sabermos – os habitantes de Setúbal em particular e os cidadãos nacionais no geral – com quem podem contar. Aqueles que tomam o partido do bem-estar das populações que os elegeram, e, aqueles que tomam o partido de lobies ligados a grandes grupos económicos, mesmo que isso implique a destruição do património natural, a perda da qualidade de vida das populações, e hipotecar a das gerações futuras.

Saquear com o aval do Estado

por josé simões, em 25.02.07

 

Confesso que tive uma certa esperança e, uma pequena alegria interior, pela natureza, através da força do mar, estar a corrigir os anos e anos de barbaridades e atentados efectuados pelo homem, nas praias da Costa da Caparica.

 

Essa secreta esperança e alegria morreu hoje e, transformou-se numa tristeza a dobrar ao ler nos jornais que, a solução para travar o mar nas praias da Costa, passará por trazer pedras mais pesadas das pedreiras da Serra da Arrábida.

 

Tentar remendar um problema causado pelo constante desrespeito dos princípios básicos de ocupação do litoral e das dunas, agravando outro numa área protegida, num Parque Natural.

 

Depois da delapidação que a Serra da Arrábida sofreu (via pedreiras), com aval do Estado português, para a construção da Expo 98, depois de toda a destruição causada pelo saque legalmente efectuado pela Secil para alimentar a indústria cimenteira;  a rapinagem continua e, pelos vistos com a benção do ministro do Ambiente...

 

Custa-me muito dizer isto mas, agora a minha secreta esperança é estar um dia tranquilamente deitado na toalha em Tróia, desfrutando do meu banho de sol e... estar a vêr Lisboa!