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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Convinha esclarecer uma quantidade de coisas antes de termos todos de gramar com mais populismo

por josé simões, em 27.05.20

 

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Gradualmente as empresas privadas de transportes - terrestres, marítimos e aéreos, estão a repor as operações. E fazem-no em função da procura/ volume de passageiros. A TAP, como empresa privada que é, "vai voltar aos céus com 73 rotas a partir de Lisboa e apenas três a partir do Porto".

A TAP, como empresa privada que é, não quer ganhar dinheiro e por isso só retoma três rotas a partir do Porto?

A TAP, como empresa privada que é, está apostada em perder dinheiro com as 73 rotas a partir de Lisboa, que não fazem falta ali mas noutro ponto cardeal?

A administração da empresa privada TAP optou por 73 rotas a partir de Lisboa e três a partir do Porto só para chatear Rui Moreira, o PS Porto, Rui Rio, Pinto da Costa e qualquer um que apareça a falar do centralismo de Lisboa?

A TAP, como empresa privada que é, devia começar já com 10 voos de manhã e mais 10 à tarde, do Porto para algum lado e para lado nenhum, só porque tem as cores da bandeira portuguesa?

A TAP, como empresa privada que é, devia ter gestão pública de atirar dinheiro para aviões vazios porque o Estado detém 50% do capital e é o último a falar e quando chega a sua vez fica calado porque não tem voto na matéria?

É que convinha esclarecer uma quantidade de coisas antes de termos todos de gramar com mais populismo, agora em modo regionalismo-futeboleiro.

 

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Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 22.01.20

 

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Porto “não tem interesse específico na fundação” Sindika Dokolo, diz Rui Moreira

 

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Do que é que nos queixamos concretamente?

por josé simões, em 28.10.19

 

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A maioria encolhe os ombros, os outros até dão razão à marca, por interposta pessoa, a Câmara do Porto, enquanto criticam a atleta. Os "cortes orçamentais" e o "interesse público" e o "dinheiro que não chega para tudo". Do que é que nos queixamos concretamente?

 

[A imagem é minha]

 

 

 

 

O Estado de direito sob a égide do regionalismo-futeboleiro

por josé simões, em 04.02.19

 

 

 

Diz Rui Moreira, presidente eleito da Câmara do Porto, a propósito do chumbo do Tribunal de Contas ao projecto para o antigo matadouro industrial do Porto, que "não é possível governar uma cidade cumprindo a palavra dada ao cidadão eleitor, se se continuar a permitir que órgãos não eleitos extravasem as suas funções e violem o princípio da separação de poderes", de uma assentada mandando à merda a Constituição da República Portuguesa e defendendo a inauguração de uma nova era no Estado de direito democrático:

 

- a da eleição dos juízes dos tribunais pelo voto popular depois de animada campanha patrocinada pelos caciques e barões diversos dos partidos?

- a da instituição de um tribunal a jeito por cada futura região administrativa a criar, caso o povo se decida por votar "Sim" em novo referendo à regionalização?

 

Não perguntaram os jornalistas nem explicou o caudillo Moreira, critico do anacrónico modelo de voto português e apologista da regeneração do sistema político pela ditadura, que é só uma questão de léxico já que "quando o Salazar chegou ao poder [...] criou o nome ditadura nacional e não era nada insultuoso".

 

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O caudillho do regionalismo-futeboleiro

por josé simões, em 25.07.18

 

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Resumo da entrevista de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, à SIC Notícias:

 

- O Porto vai sair da Associação Nacional de Municípios porque a Associação Nacional de Municípios, por unanimidade de votos dos seus membros, tomou posição à que, enquanto presidente da Câmara do Porto, considero contrária aos interesses da cidade, merecedora do estatuto de Estado-nação.

 

- O Tribunal de Contas, com o devido respeito, age como "força de bloqueio", com o devido respeito, porque, como dizem os 'amaricanos', no seu papel de "checks and balances" consagrado na Constituição da República Portuguesa, toma posições que eu, enquanto caudillo eleito, com o devido respeito, considero contrárias aos interesses da cidade do Porto, merecedora do estatuto de Estado-nação.

 

E remata com "o Poder político é a expressão do povo em democracia" depois de ter passado toda uma entrevista a criticar as decisões do poder político democrático. Com o devido respeito.

 

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A seguir o PS, e o PS Porto que é uma espécie de PS-nação dentro do PS nacional, vai aparecer com falinhas mansas depois de ter andado anos a chocar o "ovo da serpente".

 

 

 

 

 

Um dia como outro qualquer

por josé simões, em 18.05.17

 

O dia em que uma parte do eleitorado descobriu que os independentes e impolutos, regeneradores da vida política e da cidadania, não só enfermam dos mesmos vícios do establishment político-partidário, velho de tantos anos quantos os anos da democracia, como também daqueles truques e 'malabarismos' contra os quais os cidadãos se organizaram em formações políticas para concorrem em eleições a cargos de administração e defesa da cousa pública.

 

 

 

 

 

 

O mundo ao contrário

por josé simões, em 04.05.17

 

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O Partido Socialista, enquanto partido fundador da democracia, é que se devia sentir incomodado por ter sido capturado por um caudillo regionaleiro-futeboleiro com pensamento político-ideológico abaixo de zero.

 

Rui Moreira incomodado com apropriação da sua recandidatura pelo PS

 

 

 

 

||| E agora?

por josé simões, em 12.04.15

 

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Paulo Portas que, na noite do rescaldo das autárquicas 2013, apareceu em bicos dos pés nas televisões a reclamar vitória na Câmara do Porto, vai agora aplaudir o "seu presidente" portuense nas "taxas e taxinhas" que Pires 'Soldado Disciplinado' de Lima, de uma forma 'bastante peculiar' [para não ser deselegante], criticou em António Costa na Câmara de Lisboa?


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|| A mão atrás do arbusto, since 1985

por josé simões, em 03.10.13

 

 

 

«O alvo dessas alegadas tentativas de “condicionar” teria sido Luís Valente de Oliveira, de acordo a descrição à SÁBADO de duas fontes próximas de Rui Moreira. Alguém muito próximo de Cavaco Silva terá tentado convencê-lo a não apoiar o independente Rui Moreira. Mas Valente de Oliveira, que é o presidente da Assembleia Municipal de Porto, não se deixou "afectar", pelo menos tendo em conta o discurso público do novo presidente da Câmara do Porto. O ex-ministro cavaquista (foi 10 anos ministro de Cavaco e integrou o Governo de Durão Barroso) acabou por ser o mandatário da candidatura independente.

Rui Moreira estava convencido que o Presidente da República desejava a vitória de Luís Filipe Menezes, candidato oficial do PSD, por achar um risco para o sistema partidário o sucesso de um independente numa cidade tão importante. Não terá sido indiferente, também, o facto de ter sido o Palácio de Belém a advertir a Assembleia da República para a gralha na lei de limitação de mandatos: onde se lia presidente "da" câmara, devia ler-se presidente "de" câmara, o que poderia originar uma interpretação da lei mais favorável a Luís Filipe Menezes, que atingira o limite de mandatos em Gaia. Daí ter incluído o recado no discurso.

O sucessor de Rui Rio no Porto, que apoiou Mário Soares nas Presidenciais de 2006, foi tendo ao longo dos anos várias intervenções críticas de Cavaco Silva.»

 

[Imagem via Cavaco Silva A Olhar Pra Cenas]

 

 

 

 

 

 

|| Um microcosmo

por josé simões, em 20.01.13

 

 

 

Há Menezes, um candidato "fora da lei" e campeão nacional do endividamento autárquico, o que por si só é um sério teste à inteligência e sanidade mental dos cidadãos do Porto, e Moreira, que nos intervalos das outras coisas [desde o futebol ao aeroporto de Alcochete], é presidente da Associação Comercial do Porto. É por isso que a gente gosta muuuuuito da democracia, as pessoas podem fazer com o seu voto o que muito bem entenderem.

 

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|| Tenham medo. Muito medo

por josé simões, em 22.06.10

 

 

 

Com o apoio da nobreza e com a bênção do clero, está prestes a rebentar uma espécie de guerra da Jugoslávia nessa espécie de “país”, esse (E)estado de excepção permanente, da justiça às leis do trabalho e com passagem pelo futebol e às vezes tudo misturado, que dá pelo nome de “Norte”.

 

(Na imagem versão francesa do cartaz do filme Welcome to Sarajevo)

 

Adenda: “A pagar desde 5 de Novembro de 1962”. Podia ser a divisa da margem Sul do Tejo

 

 

 

 

Os financiadores do estudo e a “claustrofobia”

por josé simões, em 18.06.07

Onde se transcreve excerto da entrevista de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, concedida ao Público / Rádio Renascença, que mui bem ilustra o sentimento de claustrofobia referido pelo deputado Paulo Rangel no discurso comemorativo do 25 de Abril, proferido no Ano da Graça de 2007. Fica o blogue a aguardar futura entrevista em que o tema seja, o sentimento de claustrofobia, quando o poder político fica refém das decisões do poder económico. Não é o caso nem o momento. Mas acontece. E com mais frequência do que possa parecer.

(O negrito nas respostas é da responsabilidade do escriba-copista.)

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?

- Não. A Associação comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início (ver edição de ontem do Público). Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários – e não só, outras pessoas também – têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.

 

Que consequências?

- Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega (da direcção da ACP) Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.

 

E o senhor assina por baixo?

- Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.

 

Mas isso é um mito ou uma realidade?

- Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

Mas é um fenómeno que acontece só com este Governo ou que se tem passado com outros?

- Não é especificamente com este Governo. Mas já havia algum ruído de fundo relativamente a esta coisa. Se calhar é mais patente porque o país vive uma contradição maior, porque está em crise. Neste momento, sente-se mais, embora sempre se tenha sentido. E eu percebo que as empresas se queiram proteger, que um empresário diga: “Eu dou cinco mil contos para isso, mas não quero ter maçadas”. Desculpem a expressão, mas é um pouco essa. Mas que maçadas? Maçadas com o Governo, amanhã vou ter um problema qualquer, vou ser mal visto. É um pouco isso.

 

E acha que isso é um dos entraves ao desenvolvimento da economia portuguesa?

- Ai com certeza que é. Quanto mais informalidade tivermos, quanto menos transparente for a nossa economia, quanto menos transparente for quem são os donos das empresas, quem são os clientes, quem são as pessoas que fazem os estudos e para quem são… Acabamos por ter um poder-sombra, porque esse não é o poder em que nós votamos. Quando cada um de nós vota num partido, não vota nisso, num poder que não está devidamente estruturado e, em rigor, é antidemocrático. Mas, além disso, tem um efeito muito nefasto na economia portuguesa, na medida em que uns são afastados, que podiam ser os melhores para desempenhar uma tarefa. E acabamos por escolher os segundos, que são os piores. Nessa medida, é péssimo. È um péssimo sintoma.