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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

The House in the Middle of the Street

por josé simões, em 23.07.25

 

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No Bairro do Talude em Loures moravam motoristas da Carris Metropolitana. Todos sabemos os problemas com a falta de motoristas que a Carris Metropolitana teve no arranque da operação, foram sobejamente noticiados nas televisões. Portanto, o argumento da "imigração à toa" e ilegal cai já por terra, "afuera!", como diz o outro.

O salário médio de um motorista da Carris Metropolitana anda à roda dos 1 100/ 1 200€ mensais, com horas e folgas, que é nesta base que as chapas de serviço são elaboradas, leva 1 300/ 1 400€ para casa.

A casa cuja renda não podem pagar. Nas várias reportagens que as televisões passaram aparecem moradores do Talude a dizer que até 400€ de renda conseguem pagar e abandonar a barraca. Como diz o sobrinho do Álvaro Amaro que é ministro [nos idos do PS havia uma hastag para isto, #ComPrimos], a economia vai ter de se adaptar. E o país pode esperar.

Entretanto a televisão do militante n.º 1, SIC Notícias, organiza um debate em cima do joelho com autarcas da Área Metropolitana de Lisboa. 

"Moedas a funcionar", como diria o Espírito Santo, abre a boca e invariavelmente a conversa vai parar à polícia e à polícia municipal. Que incompetente, benza-o Deus. Não tem mais nada.

O chegano, militante do PS que é presidente da câmara de Loures, depois de andar pelas redes a meter likes em quem o incentivou a mandar os pretos para a terra deles, os macacos para a selva, Portugal para os portugueses, diz que  "não podemos [a câmara] deixar o problema alastrar". Pois. Construiram uma barraca, construiram duas, construiram três, construiram 10, e às 90 barracas a câmara deu por isso.

Pelo meio insinua que há uma rede mafiosa que vende barracas a dois/ três mil euros, como se isso fosse argumento, como se alguém que trabalha 9, 10, 12 horas por dia, nos trabalhos de merda que os portugueses não querem fazer, se sujeitasse a viver na imundice só porque sim e para se fazer ao bife a uma casa da câmara, sabe-se lá com quantos anos na lista de espera.

Afinal a maior imundice, a merda até ao tecto, não está no bairro da lata.

 

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A blitzkrieg municipal

por josé simões, em 22.07.25

 

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O Talude em Loures é terreno privado. A câmara municipal, que não tem autoridade para intervir em casas ao abandono, fechadas há anos, para as recuperar, reabilitar, e meter no mercado por forma a suprir carências habitacionais, [era o "socialismo" e a "Venezuela" e as "Mortáguas" e o "novo PREC" e o caralho , estão lembrados?], é a mesma câmara que, numa blitzkrieg municipal, vai erradicar as barracas de um terreno privado e deixar meia centenas de famílias ao relento. Percebem?

 

[Na imagem a famosa Casa Okupada ao Bairro Salgado em Setúbal. Foi-o durante 19 anos, em 2019 foi desocupada por ordem judicial, está assim em 2025. Não quero dizer nada com isto, é o que é.]

 

 

 

 

O resto do mundo

por josé simões, em 17.07.25

 

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Horas de directos nos telejornais, de reportagens, de comentários, de painéis de especialistas, que ainda ontem estavam a comentar os drones na Ucrânia e que amanhã, se preciso for, estão a comentar as eleições no Benfica, e nenhum, nem um só, foi capaz de fazer uma pergunta simples a um morador do bairro do Talude Militar em Loures: que vida tinha antes, o que é que aconteceu, que voltas é que a Terra eu ao Sol para ter de ir morar para uma barraca e agora se encontar na pele do personagem da canção do Gabriel, O Pensador, "Eu queria morar numa favela, O meu sonho é morar numa favela"?

 

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Um pantomineiro

por josé simões, em 16.07.25

 

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Querem saber o que é um pantomineiro? Ouçam as declarações de José Luís Carneiro, secretário-geral do Partido alegadamente Socialista, sobre as demolições em Loures, câmara governada por um também alegadamente socialista. Encheram a cabeça de Pedro Nuno Santos que as eleições se ganhavam ao centro, e Pedro Nuno Santos, contra natura, auto domesticou-se e meteu-se ao centro. Foi o que se viu, o PS a descer, muito, e o "centrista" Chega a subir, muito. Agora, como as eleições se ganham ao centro, elegeram secretário-geral um engomadinho com tanto carisma quanto um molho de nabos, e que aparece barbeadinho, penteadinho, a tentar respirar o ar dos tempos na questão da imigração e dos "pretos que enxameiam o país com barracas", sem tomates para se assumir ou, pior que isso, a ser mesmo o que aparenta ser. Mário Soares, sem conversa de merda, tinha ido ao terreno e tinha chamado o Ventura wannabe de Loures ao Rato.

 

[Imagem: Setúbal, Barracas no primeiro piso do Forte Militar, Setúbal. Arquivo da Associação de Moradores 1975 [?], do livro  "Fartas de Viver na Lama", Jaime Pinho/ Fernanda Gonçalves/ Leonor Taurino, Edições Colibri]

 

 

 

 

O vómito

por josé simões, em 02.11.24

 

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No "Altos e Baixos" do jornal do militante n.º 1 aka Expresso é assim que aparece classificado o taberneiro do PS, no alto, a subir. Não há muito mais para dizer. O vómito. Dois vómitos. De quem vomitou, e de quem comeu e regurgitou.

 

 

 

 

"sem dó nem piedade"

por josé simões, em 31.10.24

 

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Presidente da Câmara de Loures defende despejo "sem dó nem piedade" de participantes em distúrbios