"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Não podem rezar na via pública. E não é autorizada a construção de novos lugares para o culto. Vão rezar em garagens, armazéns, caves, na clandestinidade. Entregues a imames, clérigos radicais, sem escrutínio, fora dos radares. E assim se "alimenta a radicalização, a guetização e a hostilidade aos valores democráticos". Exactamente o que se argumenta para a proibição. É o círculo perfeito de que se alimenta a extrema-direita, irmã gémea do islamofascismo. O ódio alimenta o ódio, a raiva alimenta a raiva, o medo alimenta o medo.
Desde o deserto e o Líbano até ao grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus e até ao mar Grande para o poente do sol será o vosso limite. Ninguém te poderá resistir todos os dias da tua vida; como fui com Moisés, assim serei contigo; não te deixarei, nem te desampararei. Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra que, sob juramento, prometi dar a seus pais. Tão somente sê forte e mui corajoso para teres o cuidado de fazer segundo toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que sejas bem-sucedido por onde quer que andares.
Josué 1:4
O Movimento de Resistência Islâmica sustenta que a Palestina é um território de Wakf, (legado hereditário) para todas as gerações de muçulmanos, até o Dia da Ressurreição. Ninguém pode negligenciar essa terra, nem mesmo uma parte dela, nem abandoná-la, ou parte dela. Nenhum Estado Árabe, ou mesmo todos os Estados Árabes (juntos) têm o direito de fazê-lo; nenhum Rei ou Presidente tem esse direito, nem tampouco todos os Reis ou Presidentes juntos, nenhuma organização, ou todas as organizações juntas – sejam elas palestinas ou árabes – têm o direito de fazê-lo, porque a Palestina é território Wakf, dado para todas as gerações de muçulmanos, até ao Dia da Ressurreição.
Artigo 11.º do Estatuto do Hamas
Quem se interesse por estas coisas da religião, do ponto de vista histórico, civilizacional, cultural, não do ponto de vista da fé e da crença; quem, como aqui o escriba, tenha lido a Bíblia e o Corão da primeira à última página, e o Livro de Mórmon até meio, não havia pachorra para mais, fica a saber duas coisas essenciais:
- Não dar para o peditório de guerras religiosas;
- Não discutir com quem tem um tratado com Deus.
Este último ano tivemos essa confirmação, se dúvidas houvesse.
Em 2021 tentaram matá-lo em Setúbal com uma caixa de pastilhas elásticas, em 2024 foi alvo de atentado com rateres de uma moto em Famalicão, em 2025 caiu varado no palco sem sequer ter dito "Deus me castigue se estou a mentir!". Foi em Tavira, mas foi a 13 de Maio. "Foi Deus que lhe atribuiu a missão de mudar Portugal". Como se escreve nas redes #ChupaMontenegro. Menos sorte teve Bolsonaro, que levou uma facada no estômago, sem sangue, a 6 de Setembro, dia de Santa Begga de Landen, fundadora da Ordem das Beguinas, que significa murmurar, falar pouco, em alusão aos hábitos de prece em voz baixa que mantinham. Nitidamente fora do rosário do taberneiro.
Andava o general Jaruzelski em cima do Solidariedade na Polónia, sempre com a memória dos tanques de Moscovo em Praga e em Budapeste, e o Vaticano escolhe um Papa polaco. A história conta o resto.
Temos Trump, Vance, e um bando de alucinados a cometerem as maiores barbaridades e atrocidades em nome de Deus, replicados por fotocópias em todas as partidas do mundo, e o Vaticano elege um Papa norte-americano, que fez a vida na América Latina, das ditaduras e dos governos corruptos com o apoio americano, que geram as hordas de migrantes que assolam a fronteira com o México.
Isto é um bocado como as votações do Festival Eurovisão da Canção, com as vitórias para Israel e Ucrânia em tempos diferentes.
Dirigentes políticos que insultaram Jorge Bergoglio de comunista para cima, de minar os alicerces do cristianismo, de destruir a Igreja por dentro - de Trump a Orbán passando por Milei e outros alucinados menores, na primeira fila no funeral do Papa com o silêncio e a cumplicidade de quem agora critica o de comunista para cima Pedro Sánchez por delegar a função na figura do rei. Sonso ou hipócrita [*] o espanhol não é.
Eu acho que este Papa tem prestado um mau serviço ao cristianismo. Acho. Acho que tem mostrado a esquerda revolucionária quase como heroica e a esquerda europeia marxista como a normalidade. Acho que este Papa tem contribuído para destruir as bases do que é a Igreja Católica na Europa e acho que em breve vamos todos pagar um bocadinho por isso.
Hoje é um dia de tristeza e sofrimento para os cristãos do mundo inteiro. O Papa Francisco deixa uma marca inspiradora de proximidade e simplicidade que a todos tocou profundamente. Que a sua vida intensa seja um exemplo para todos os que querem servir a causa pública!🙏
O Papa recebeu uma equipa de 70 médicos no Vaticano para lhes agradecer tudo o que fizeram para lhe salvar a vida durante o recente internamento. Por cá vão a pé até à capital do embuste e por lá andam de 'rodillas'. Anda uma pessoa a estudar medicina durante um ror de anos para isto.
Vladimir Putin diz que Deus lhe deu a missão de defender a Rússia. O Donaltim de Putin na Casa Branca diz que Deus o salvou para tornar a América grande outra vez. Francisco, Papa, o secretário de Deus no planeta Terra, está a morrer num hospital de Roma. Há aqui qualquer coisa que não bate certo...
Logo a seguir à fuga de Assad para Moscovo as televisões mostravam Al-Jolani a ordenar a duas adolescentes, que na rua tinham ido ao seu encontro de sorriso largo na alegria do derrube do regime, que cobrissem o cabelo que levavam ao vento, sendo de imediato obedecido. Ontem, na recepção ao chefe da diplomacia turca em Damasco, Al-Jolani aparece de gravata, aos olhos do fundamentalismo islâmico símbolo do cristianismo e da decadência ocidental. Ou estamos a assistir a uma enorme representação teatral ou alguma coisa mudo mesmo naquelas cabeças...
Vai grande excitação nas redes com a recuperação de umas declarações proferidas em 2017 por Mike Huckabee, à época governador do Arkansas, agora nomeado por Donald Trump embaixador dos EUA em Israel, onde afirma sem artifícios ou subterfúgios que a Cisjordânia não existe, que se recusa a usar essa palavra, que o nome é Judeia e Samaria, que não existem colónias israelitas mas bairros e cidades, no fundo um fanático religioso a citar o Antigo Testamento em Josué 1:4 4 "Desde o deserto e desde este Líbano, até o grande rio, o rio Eufrates, toda a terra dos heteus, e até o grande mar para o poente do sol, será o vosso termo", tal e qual os fundamentalistas do governo de Netanyahu. E perceber isto ajuda a perceber toda esta loucura e insanidade. Como se resolve uma guerra religiosa é a million dollar question.
Pelo menos até à data da impressão do poster que ilustra o post, 1981, a religião era o ópio do povo. Dez anos depois, 1991, a pátria do socialismo desmoronou-se e as coisas ficam um bocado ao "deus-dará", sem ironia, até ao ano de 2006 onde temos um partido comunista a estabelecer relações diplomáticas com uma organização terrorista fundamentalista islâmica, dos inteligentes com trapos enrolados na cabeça, como no poster, um Estado dentro do Estado, com exército próprio, responsável pelo assassinato de um primeiro-ministro do próprio país, um ano antes da embaixada a Beirute. Tudo por causa da "luta contra o imperialismo" 'amaricano', contra o sionismo, e o caralho. Nada mal para quem anda sempre com a boca cheia de constituição, do respeito pela legalidade, pelas instituições e e pelo Estado democrático.
Corria o ano de 135 e Adriano, para pôr fim às revoltas e constante instabilidade na região, depois de ter perdido uma legião, desloca para a Judeia a VI legião, a de Ferro, a XII legião, a Fulminante, e o general Lucio Severo, com um grupo de especialistas em guerrilha urbana vindos da Bretanha. Foram massacrados 580 mil judeus, cidades e templos arrasados, milhares de judeus escravizados, a cabeça de bar Kosba cortada e exibida como troféu, e a região rebaptizada de Síria Palestina. "Oitenta mil romanos invadiram Betar, e assassinaram os homens, mulheres e crianças, até correr sangue das soleiras e valetas". Nascia o judaísmo como condição religiosa e cultura, acabava a condição política.
Na apresentação do plano para controlar militarmente o "corredor de Filadélfia" Netanyahu recorre a um mapa onde a Cisjordânia já não aparece assinalada, é tudo Israel, só já ali resta Gaza a incomodar e atrapalhar. Netanyahu e os fundamentalistas religiosos e de extrema-direita com quem está coligado no governo vão "corrigir" a história e repetir na "terra prometida" com os palestinianos o que Adriano lhes fez há quase 1900 anos. E ninguém quer saber.