"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O sujeito que recebe duas pensões de reforma e que, enquanto Presidente da República, optou pela remuneração mais elevada desconsiderando o cargo que ocupava e a instituição Presidência da República para a qual foi eleito em eleições livres e democráticas, aparece a falar em sustentabilidade do sistema de pensões e em aumento da idade da reforma.
Marques Mendes foi à televisão do militante n.o 1 ganhar 700 € em 10 minutos para explicar às pessoas que ganham 600 € em 30 dias que cada vez há mais velhos e menos novos e como se não bastasse os velhos cada vez morrem mais velhos e as mulheres cada vez têm menos filhos, o que não é compensado com uma política de imigração inteligente, porque os que têm filhos às carradas não interessa que venham para cá e os dos vistos gold vêm lavar dinheiro e não fraldas [esta parte ele não disse, é um aparte que me ocorre de todas as vezes que ouço falar em "imigração inteligente"] e que temos de encontrar uma solução para o futuro da Segurança Social, para a sustentabilidade do sistema de pensões, e que o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos é um estudo válido, mais que não seja para trazer o tema para a praça pública e goste-se ou não das conclusões tem o mérito de lançar a discussão.
se na era da informatização, da automação, da robotização, do online, que tornam o factor humano cada vez mais dispensável, o tempo em vez de lazer e fruição deva ser de trabalho e de "prisão" para que alguém que ganha 52 vezes mais que o seu semelhante e 120 vezes mais que a média dos seus empregdos se dê não ao prazer da redistribuição mas ao de patrocinar estudos que lhe apontam formas de ficar ainda mais rico.
O que eles nos estão a dizer é que num futuro mais ou menos próximo o "trabalhar até morrer" vai estar de volta para pagar os biliões do erário público enterrados na recapitalização dos bancos privados que nos ficam com a casa quando deixarmos de ter dinheiro para pagar a hipoteca porque a empresa que nos dava trabalho foi à falência em mais uma crise provocada pelos bancos.
"Como vai ser a minha reforma, qual o papel do Estado e, [debate inquinado logo à partida], que parte cabe aos privados?", que estão genuina e desinteressadamente preocupados com o meu futuro e com a minha reforma. O Expresso em parceria com a Eurovida, uma companhia de seguros, e um banco, o Popular. É tudo negócio e "liberdade para pensar". E fazer fé que, em caso de malabarices e trafulhices por parte de quem, geguinamente se preocupa com o meu futuro e a minha reforma, a parte que cabe ao Estado é assumir o prejuízo, depois da parte do meu futuro e da minha reforma que couber aos privados. A entrada é livre, apesar de haver quem jure a pés juntos que "não há almoços grátis".
E se o impacto dos 100 mil for superior aos peso dos 4 milhões? A coligação não esclarece nem apresenta contas e deixa a coisa para sede de concertação social onde só vai haver um voto contra e de vencido, as usual, o que é o mesmo que dizer que a proposta já está aprovada caso ganhem as eleições, praise UGT.
No entanto no programa que vai a votos propõe "a introdução, para as gerações mais novas, de um limite superior para efeitos de contribuição, que em contrapartida também determinará um valor máximo para a futura pensão. Dentro desse limite, a contribuição deve obrigatoriamente destinar-se ao sistema público e, a partir desse limite, garantir a liberdade de escolha entre o sistema público e sistemas mutualistas ou privados" daí se depreendendo que os 100 mil que agora vêm à baila sejam os 100 mil mais bem remunerados e os 100 mil que vão ter a tal da "liberdade de escolha" e os 100 mil que vão ter um impacto devastador num sistema que assenta na repartição e na solidariedade.
O que nós gostaríamos era de ter um ministro, um só um, para o caso até podia ser mesmo o do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia de um Governo de "um país considerado rico no mundo" a lamentar num "país considerado rico no mundo" haver uma coisa chamada "Tarifa Social de Electricidade" e não a lastimar-se por a tal da tarifa continuar longe da meta estabelecida pelo Governo. Daí o outro lamento do outro do objectivo falhado de baixar o custo do preço do trabalho e a insistência em cortar 600 milhões nas pensões e reformas.
"A tarifa social não está a ter um nível de adesão tão elevado como gostaríamos"
Vão ver que não custa nada e que a meta vai ser largamente ultrapassada se continuarmos com mais 4 anos da mesma posologia, para lá de Outubro de 2015.
Já estava na hora de se fazer o deve e o haver, com números e percentagens e assim, da contribuição destes 4 anos de coligação PSD/ CDS-PP para a descapitalização da Segurança Social e para a sua insustentabilidade, no geral, e particularmente do CDS, a quem calhou em sorte o ministério com a tutela da Segurança Social, não só na sua futura insustentabilidade mas também na criação de um Estado paralelo ao Estado, pago com o dinheiro do Orçamento do Estado, para fazer exactamente a mesma coisa que o Estado fazia e faz, com o extra que é a criação e o fomento de uma nova classe de bem-instaldos na vida às custas do negócio com o infortunio e com a miséria alheia, com muita fé em Deus.
O CDS a sacudir a água do pacote por tudo isto, como se tudo isto nunca tivesse sido dito e como se não fossem juntos a votos, PSD e CDS, lá para o final do Verão.
Prioridade 1: cortar nas pensões e nas reformas, em nome da sustentabilidade da segurança social, enquanto se perdoam milhões à banca, por exemplo, ou se baixa o IRC às empresas e já se fala em baixar a TSU, também por exemplo, em nome do investimento e da criação de emprego que afinal é o aumento da mais-valia ao patrão e accionista, para depois se aumentar a comparticipação a pagar pelos idosos para ter acesso a cuidados.
Prioridade 2: desmantelar o Estado e o Estado social enquanto se cria um Estado paralelo, pago com o dinheiro dos impostos dos contribuinte, na sua quase totalidade pertença de organizações e instituições heterónimos da Igreja Católica e alimentando uma indústria à roda da miséria alheia.
O CDS apoia o corte de 600 milhões de euros nas pensões porque «há um problema de sustentabilidade do sistema de pensões» e porque o CDS é favorável à descida da TSU, com a luz verde e irrevogável de Paulo Portas, sem custos para o utilizador os trabalhadores, o que faz toda a diferença, olarilas, a descapitalização da Segurança Social não é tida nem achada, olarilas mais uma vez, e porque os jovens não descontam porque no país da retoma e do milagre económico e do exemplo para a Europa e para o mundo emprego não existe, quanto mais trabalho, e porque os que que descontam fazem-no nos países de destino, para onde emigraram, e porque como ninguém desconta voltamos outra vez ao princípio que é a descida da TSU sem custos para o utilizador os trabalhadores e porque uma maioria absoluta não chega para levar a cabo tão hercúlea e patriota tarefa é preciso um consenso alargado na forma de um «compromisso com o principal partido da oposição» - o PS, para que a culpa tenha marido e não morra solteira. São demasiados "porque" para um partido de pantomineiros – o CDS, propriedade de um pantomineiro – Paulo Portas.
Atendendo às "reformas" que foram feitas, aos indicadores de pobreza, ao desemprego, às falências, à emigração anos 60, ao grau de destruição provocado, deliberadamente provocado, é bom ou mau papa Portugal que o FMI tenha "arrasado" o Governo por só ter feito «um terço das reformas exigidas pela 'troika'»?
Às vezes há vezes em que convém ter tento na língua porque quer parecer que este título é uma boa palavra de ordem para os partidos da coligação meterem em cartazes durante a campanha eleitoral [Paulo Portas vai fazer um nó com esta gravata, certezinha] e, pelas reacções que vi por aí, à esquerda...