"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Os indicadores a considerar para sermos os campeões do mundo em 2025: bolsa, PIB, inflação, procura de Portugal por estrangeiros. Da qualidade de vida dos portugueses isso agora não interessa nada, uma coisa é a realidade, outra coisa é o mundinho dos economistas neo-liberais. Por outro lado desmonta-se a argumentação do Governo para o pacote laboral em cozinhado. Já somos liberais q. b. ou o liberalismo ainda faz muita falta?
[Link na imagem]
Cotrim liberal, com a narrativa desmontada, diz "continuamos com 10 a 11 países à nossa frente". Falso. Temos 10 ou 11 países atrás de nós.
Parece que Portugal teve o pior resultado de sempre no "Índice de Percepção da Corrupção". Diz que demos um tambolhão e ficámos ao pé do Botswana e do Ruanda, sítios onde os portugueses, que não são racistas, percepcionam as pessoas com uma saia de folha de palmeira e um osso no cabelo a servir de travessão.
O Correio da Manha fez mais um editorial, e meteu McDonald's em Valongo, "Influencer", Estado, "Tutti Frutti", oh rootie, a wop bop a loo bop a lop bom bom, que é como quem diz essas coisas dos políticos, já cantava o Little Richard.
Mais uma oportunidade para Marcelo fala-baratar, com ar grave, que está preocupado, que é preciso cuidado, que há muito anda a avisar, e outras banalidades para a ocasião. Que alinha com o Governo na valorização das percepções, disse a imprensa da especialidade.
Depois vai-se ver e o famigerado "Índice de Percepção da Corrupção" não é elaborado em função de entrevistas, de sondagens, de relatórios oficiais, de casos transitados em julgado, não. O "Índice de Percepção da Corrupção" é elaborado por quatro ilustres especialistas, dois pela Transparência e Integridade e dois independentes. Gajos que percepcionam coisas. Doutores percepcionadores.
Também disse Marcelo, no exercício de fala-baratar, que é preciso ter atenção ao que vai na cabeça dos portugueses. Pela parte que toca vou ali comprar o Correio da Manha, sem til.
[Na imagem print screen da página 24 da edição do Correio da Manha de 12 de Fevereiro de 2025]
Malgrado os 4 anos de Nuno Crato, diligentemente investidos na destruição do ensino público e da escola pública mas frustrados por causa maldita da política de empobrecimento, desemprego e miséria, do ir além da troika [que a troika não embarcou em grupos: «and reducing and rationalising transfers to private schools in association»], e quando, contra todas as expectativas e anseios do Governo, se assiste a uma fuga das famílias do ensino privado para o ensino público, agora que a fogueira das vaidades tem uma chama muito ténue e umas brasinhas de carvões a morrer à volta, já não é "o ranking [martelado] da escola do seu filho", passámos ao nest level, o de "o lugar em que ficou a sua escola" [no ranking martelado].
A sua escola. Assim uma espécie de nostalgia para os pais e avós. E até podiam fazer um histórico por anos, com as fotos das turmas de finalistas, american style, que era um deleite.
E que lhes sirva para perceber como é que foi possível a um bando de energúmenos e matarruanos, nascidos, crescidos, criados, educados e formados na escola pública, chegarem ao poder com o objectivo único de destruir quem os educou e lhes deu formação.
Dois anos de redução de salários, dois anos de redução do preço da hora extraordinária, dois anos de aumento do horário de trabalho, dois anos de diminuição do número de feriados e do número de dias de férias, dois anos de redução das indemnizações pagas por rescisão de contrato, dois anos de redução do valor do subsídio de desemprego e de doença, dois anos de marcha à ré, dois perdidos em nome da competitividade.
Baixam-se os salários, aumenta-se a carga horária, retiram-se dias ao descanso, retiram-se direitos e garantias, diminuem-se as indemnizações por rescisão de contrato, liberaliza-se o despedimento, diminui-se o valor e a duração do subsidio de desemprego, põem-se os beneficiários do RSI a trabalhar de borla, tudo isto em nome da competitividade e do emprego, para o resultado final ser o desemprego a disparar para os 15, 7% e uma descida no ranking da competitividade, inversamente proporcional ao aumento da mais-valia do patrão, que não é posteriormente canalizada para a economia, para o investimento, para a criação de mais emprego e mais riqueza.
Obviamente a culpa é do Governo, da Troika, da crise internacional, dos malandros dos gregos, da conjuntura, de Barack Obama, de Angela Merkel em particular e dos alemães em geral, dos discípulos de Hayek que nunca leram Hayek, e por aí, não obrigatoriamente por esta ordem, e cada uma por si e todas em conjunto. O sindicalismo responsável, e com [muuuuuito] "sentido de Estado", da UGT, que assinou de cruz as alterações ao Código do Trabalho, não tem nada a ver com isto e vai aparecer, mais rápido que a própria sombra, a apontar o dedo e a exigir medidas.
“É proibido ocupar um lugar no Parlamento vestindo uma armadura. Mas é ainda mais proibido morrer-se nesse lugar, sob pena de ser detido. Por outro lado, uma mulher grávida pode urinar no capacete de um polícia. A televisão UKTV Gold publicou ontem o ranking das leis britânicas mais absurdas” (Continuar a ler aqui)