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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Os stores no seu mundinho

por josé simões, em 16.08.23

 

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Alugar avionetas para moer o juízo a quem está de férias na praia, farto de um ano inteiro de greves em todos os sectores e actividades, enquanto se emite alegremente CO2, em defesa do planeta, "pela escola pública, não paramos, 6 anos, 6 meses e coise", é de certeza uma belíssima ideia. Depois quando começarem a perder a opinião pública fora do vosso mundinho a ideia passa de belíssima a genial.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Racismo direccionado

por josé simões, em 12.06.23

 

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Com cartaz, foleiro e de mau gosto, que já circula nas manifs desde Março e que na mais mediática e escrutinada de todas desceu a Avenida no 25 de Abril sem ter levantado ondulação quanto mais ondas, a questão é outra: Bush filho e Obama, com um intervalo de 5 anos, foram caricaturados como macacos [é googlar que ainda se encontram por aí], com um o pessoal riu-se bué, com outro foi considerado racismo. António Costa tirou a carta da manga e atingiu o objectivo pretendido, conseguiu isolar o STOP, o sindicato mais mediático e mais inorgânico, menos confiável aos olhos do poder, o que tem feito mais barulho e mais estrago. Podia ter ido pela stora que aos 53 anos acha que os profs atingiram a idade da reforma, fartos de trabalhar, tadinhos, não como os motoristas, empregados de mesa, pedreiros, bancários, médicos, ou outros, de vida descansada e costas direitas, que podem muito bem trabalhar  até aos 66 anos, 6 meses e 23 dias. Mas as coisas são o que são.

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

Marcelo comentador não sabe coisas que Marcelo Presidente devia saber

por josé simões, em 10.03.23

 

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A páginas tantas na entrevista Marcelo começa a discorrer sobre a greve dos stores "ao lado dos sindicatos clássicos, apareceram novos tipos de sindicatos...", "como o STOP, por exemplo", voz de António José Teixeira, "por exemplo transversais... [sorriso de orelha a orelha] que cobrem todos os que trabalham na escola e não apenas os professores...  [sorriso de orelha a orelha outra vez, "estão a ver como eu sou um génio iluminado?"] isto é uma realidade completamente nova, e as confederações sindicais como as patronais estão há muitos anos a serem ultrapassados por esta realidade" [minuto 14:40].

Estão há tantos anos a serem ultrapassados que desde o sindicalismo democrático, surgido da revolução de Abril, existe uma coisa chamada Contrato Colectivo Vertical, que se aplica a todos os colaboradores trabalhadores de uma determinada actividade económica, por exemplo o trabalhadores rodoviários, para fins de contratação entendem-se como tal não só os motoristas, como também os mecânicos, os empregados administrativos, os empregados de limpeza, os empregados dos refeitórios, etc, etc, que trabalhem numa mesma empresa do ramo. A novidade aqui, no caso STOP, é ser um sindicato saído da escola marxista-leninista da reivindicação de massas, malgré o comissário Nogueira na Fenprof, e onde o tradicional primus inter pares, em vigor nas escolas, foi deixado cair.

 

[Imagem de Otto Stupakoff]

 

 

 

 

Não ter a puta da vergonha na cara é isto

por josé simões, em 05.03.23

 

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"O meu passado chama-se Passos", proclamou o homem sem passado quando se alçou ao cadeirão em S. Caetano à Lapa,  o Passos do "baixar os custos do trabalho foi a reforma que ficou por fazer", mas [agora] "nós no PSD queremos tirar o país do empobrecimento", disse Luís Montenegro, sem meter a cara de Danny Kaye, imagem de marca durante anos, alguém na entourage lhe deve ter dito que estar sempre com ar de gozo não caía bem na rua. Pelo meio largou umas baboseiras sobre as culpas do PS no estado lastimoso em que se encontra a ferrovia, mas a gente já nem liga, não nos esquecemos dos fundos comunitários para o alcatrão e dos Manéis Queirós desta vida nomeados para a CP.

 

O cónego Melo, à nora no Largo do Caldas desde que o Ventas roubou as cadeiras do parlamento ao Chicão e anunciou que a seguir vai roubar a rua à esquerda, lol, veio para a manif dos stores, de mãos nos bolsos, com uma a fazer uma figa, com a outra a agarrar um crucifixo, "vai de retro comunismo!", "t' arrenego reviralho!", anunciar que questionou Bruxelas, se lá foi ou se mandou e-mail não disse, sobre contagens de tempo suspenso no tempo em que o CDS rejubilou com a troika e apontou a porta da emigração aos docentes.

 

O bispo do Porto exortou os fiéis a cumprirem uma Quaresma de penitência por causa dos pecados da Igreja. Uma artista este Linda, que é dom Manuel, segundo a televisão pública do Estado laico. Os padres abusaram sexual e psicologicamente dos putos, mentiram à comunidade com a Bíblia na mão e a "palavra do Senhor" na boca, mas quem cumpre a penitência são os pais, os familiares, os amigos dos ditos. Espectáculo. 

 

 

 

 

GDUP

por josé simões, em 30.01.23

 

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STOP vai reunir comissões de greve para decidir como lidar com serviços mínimos

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

Os stores e a Lição de Salazar

por josé simões, em 16.01.23

 

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As coisas funcionam assim: os pais trabalham e no horário de trabalho dos pais os filhos estão na escola, e mesmo para aqueles pais que trabalham a partir de casa este princípio é válido. E é assim em todo o mundo, desde sempre, até porque o horário dos professores é o horário de trabalho dos pais professores e dos filhos dos professores. E por isso ver nas televisões e nas redes professores irados que "a escola não é um depósito de crianças" é não ter noção de nada, arrogância e falta de respeito pelo trabalho dos outros, gozar com o pagode, ou, na pior das hipóteses, os stores serem versados na Lição de Salazar onde o pai regressava do trabalho para alegremente ser recebido pela criançada que tinha ficado em casa à guarda da mãe, empenhada nas tarefas domésticas, cuidar dos petizes, e onde o direito à greve terminava na PIDE ou com umas cacetadas da GNR no lombo. E isto nem sequer tem nada a ver com greves, direitos à greve, justeza de greves, mas com educação e respeito pelos outros cidadãos.

 

 

 

 

Paixão: Educação

por josé simões, em 21.12.21

 

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Rui Rio, no palanque de Santa Maria da Feira, longos minutos a perorar sobre educação e professores, todas as desgraças e todos os males do mundo, mais parecia estar a desancar o ministro do Governo da troika, Nuno Crato, inchado de paixão pela educação, como dizem os 'amaricanos', since 2019:

 

"Temos professores a mais, infelizmente". Rio defende o “redimensionar” da administração pública

 

[Nuno Crato, militante da UDP, na imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

O triunfo do Comissário Nogueira

por josé simões, em 08.05.19

 

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No frente-a-frente entre João Oliveira do PCP e Leitão Amaro do PSD pergunta Sara Pinto, a rapariguita que a televisão do militante n.º 1 meteu a pivô no telejornal do Mário Crespo, se "a dívida aos professores vai ser paga". A dívida. Nós, que há 10 anos não temos aumentos nem progressão na carreira nem nunca iremos ver 9A 4M 2D andar para trás no tempo, ainda temos uma "dívida aos professores". Muito bem.

 

[Imagem]

 

 

 

 

Então vamos lá para os media lançar granadas de fumo

por josé simões, em 07.05.19

 

 

 

De Jerónimo de Sousa a Catarina Martins, passando pelo comissário Nogueira e cartilheiros diversos espalhados pelos espaços de comentário e de plantão às "redes sociais", que o dinheiro que há sempre aos milhões para os bancos nunca há para os professores, para os trabalhadores da Função Pública e do Estado. E também para os trabalhadores do privado, que não descongelam a carreira nem progridem porque sim e onde o tempo nunca anda para trás 9A 4M 2D, e que é de onde sai o dinheiro para os bancos e para os os professores, para os trabalhadores da Função Pública e do Estado e tudo o resto. Esta é a parte que se esquecem sempre de dizer, e é para isso que servem as granadas de banco fumo.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Têm dois defeitos

por josé simões, em 06.05.19

 

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Quando todos pensávamos que tinham aprendido alguma coisa com o banho de realidade que levaram, que os portugueses, quarenta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, não só já não são anjinhos ignorantes como não gostam de ser tratados como tal, logo nos minutos seguintes às declarações de anúncio de marcha-atrás assistimos ao frenesim de centenas de contas no Facebook e no Twitter, algumas até daquelas que só são activadas em situações de crise ou um mês antes das eleições, em operação concertada para  minimizar danos no eleitor com o "eleitoralismo de António Costa" mais "as mentiras de António Costa" e a "campanha eleitoral do PS" e "o que o PS aprovou e desaprovou" e "a nossa posição sempre foi esta", "nós não dissemos o que vocês nos ouviram dizer" e outros chavões em formato telegráfico, decalcados dos discursos do líder, Rui Rio e Assunção Cristas consiante a afiliação, a tratarem outra vez os portugueses como crianças, sem perceberem que não perceberam nada do que lhes aconteceu. Têm dois defeitos: são burros e não querem aprender. Nunca acabem.

 

[Imagem de Otto Stupakof]

 

 

 

 

Resumo da jornada

por josé simões, em 05.05.19

 

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Nesta questão do contorcionismo de Rui Rio e Assunção Cristas com a contagem do tempo de serviço dos professores, uma medida que não ia custar um cêntimo de euro ao contribuinte, ou que até podia custar mas não tinha implicações orçamentais já este ano, era só para o ano, ou lá mais para a frente e o Governo que viesse que se desenmerdasse, como sói dizer-se, é o líder do PSD e a líder do CDS só tarde e más horas terem percebido que dez anos de crise e quatro de troika e resgate financeiro e de sacrifícios, sofrimento e vidas desfeitas, ensinaram à grande maioria dos portugueses o valor do dinheiro, a importância de contas certas, e que o tempo não anda para trás.

 

[McCormick code na imagem]

 

 

 

 

É só rir

por josé simões, em 04.05.19

 

 

 

Procissão Cristas, ministra no Governo da birra irrevogável até subir no rating ministerial e ser nomeado vice-pantomineiro, a atirar à cara de António Costa a ameaça de demissão de José Sócrates a propósito de um PEC qualquer.

 

Comissário Mário Nogueira, chantageador-mor da República, há mais de 20 anos não faz outra coisa que chantagear governos, professores, pais, encarregados de educação e alunos, a acusar António Costa de chantagem.

 

Muito bom!

 

 

 

 

A caixa do Comissário Nogueira

por josé simões, em 03.05.19

 

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A CGTP e UGT já vieram exigir "tratamento igual ao dos professores para toda a função pública"; os "militares também querem solução idêntica à dos professores para contagem integral"; agora já não há desculpas, "dizem os polícias marítimos"; e os enfermeiros saíram a acusar o PSD e o CDS de "preferirem professores a outros profissionais". E ainda nem sequer 24 horas são passadas sobre a aprovação pelo Parlamento da contagem integral do tempo de serviço dos professores. De fora só os trabalhadores do privado, sem sindicatos que lhes passem cartucho ou liguem peva, com os seus 9A 4M e 2D de cortes salariais, sem progressões na carreira e sem progressões na carreira só porque sim, aqueles que tiveram a sorte de não ir bater com o lombo no desemprego, com ou sem subsídio, aqueles que tiveram meses de salários em atraso, aqueles que viram a falência das empresas de uma vida de trabalho; aqueles que entregaram a casa ao banco, aqueles  que foram para a emigração.

 

Pandora tinha uma Caixa que depois de aberta deixou escapar todos os males do mundo excepto um, a esperança. A esperança de que, como o que foi aprovado não aumenta num cêntimo que seja o encargo para o Orçamento do Estado, ler o dinheiro dos contribuintes, toda esta gente do funcionalismo público e da administração do Estado, que vive numa realidade paralela à dos seus co-cidadãos, venha a ser paga em notas de Monopólio.

 

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Como dizem os 'amaricanos', enough is enough

por josé simões, em 23.01.19

 

 

 

O que estes senhores estão a dizer aos pais e encarregados de educação que, durante os anos desgraçados do "ajustamento", desde os idos do 2.o Governo de José Sócrates até aos últimos dias do Governo PSD/ CDS/ Troika, viram as vidas e as carreiras suspensas, conheceram o desemprego, os salários em atraso, a emigração, que perderam apoios sociais na exacta proporção em que eram taxados, impostados e sofriam reduções salariais substantivas, enquanto mantinham os filhos na escola e pagavam explicações, por fora e sem recibo, aos mesmos professores que na escola não lhes chega o tempo nem têm jeito para ensinar e se lastimam em posts no Facebook, em directo da praia e no horário de trabalho, do martírio que é a vida e a carreira docente, e que passados estes 4A 9M 2D que sofreram na pele, como na badge na lapela do Comissário Nogueira e não são exclusivo dos stôres mas uma realidade de todo o sector privado, se calhar com um 6, um 7 ou um 8 antes do A, e que começam agora a ver a sua vida recomeçar onde tinha ficado, o que nos estão a dizer é que afinal a desgraça ainda não acabou porque há uns senhores que, do alto do Olímpio onde se colocam, se acham acima dos sacrifícios passados por todos os portugueses e se sentem no direito de continuar a vidinha que tinham como se nada se tivesse passado, nem troika, nem ajustamento, nem princípio de banca rota, nem nada, o que para os outros foi vida perdida para eles foi apenas um stanby, e prometer e ameaçar  um ano desgraçado aos filhos dos contribuintes que lhes pagam o salário.

 

Como dizem os 'amaricanos', enough is enough.

 

Fenprof ameaça Governo com "ano desgraçado" se não forem retomadas negociações

 

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Portugueses de primeira

por josé simões, em 03.01.19

 

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Diz o constitucionalista que, por serem três regimes diferentes consoante as regiões do país: um na Madeira, outro nos Açores e um terceiro no continente, não haver dúvidas sobre a inconstitucionalidade do regime de reposição salarial dos professores ou, como resumiu Marques Mendes na avença semanal, não pode haver professores de primeira e professores de segunda. E portugueses de primeira e de segunda, pode? Portugueses que nunca verão reposta a sua vida suspensa ou desfeita desde os anos de José Sócrates primeiro-ministro até aos anos do fim do Governo da troika, pode? Portugueses de todos os sectores da economia vs. portugueses da administração pública, pode? Portugueses que vão continuar a pagar do esforço do seu trabalho, via impostos, até ao próximo descalabro onde invariavelmente verão a vida outra vez suspensa e desfeita, pode? E recomeçar tudo outra vez, as reclamações e os protestos dos injustiçados da sociedade, todos lhes devem, incluindo as badges no peito com o número de anos, meses e dias em dívida, pode?

 

[Imagem de autor desconhecido]