"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Já todos estamos esquecidos dos "instrumentos de gestão do risco financeiro", dos "contratos swap", dos "produtos financeiros de alto risco", dos "fundos de investimento em renda variável", e de outras trafulhices com nomes pomposos inventadas para haver ganhar muito dinheiro há conta de alguém que perde, e bem.
E já estamos todos esquecidos dos regates do BPN, do BES, do Banif. Foi há muito tempo, foi há mais de 10 anos. E "miss swaps" foi promovida a comissária europeia, e foi para Bruxelas fazer aquilo que sabe fazer, swapar para a União Europeia, sítio onde há muito totó em lista de espera para ficar sem as poupanças de uma vida.
Via Miguel Madeira tomei conhecimento do novo produto a lançar hoje pelo BES:
«(…) o Depósito MacCain/Obama, um depósito a prazo indexado às eleições norte-americanas e que permite ao cliente aplicar o seu dinheiro no depósito McCain ou no depósito Obama.»
Sendo que as apostas em Portugal são um exclusivo da Santa Casa da Misericórdia e da Associação Portuguesa de Casinos (vide caso Betanwin), pegando nas palavras do Miguel:
«o BES, ao lançar estes depósitos, basicamente criou um mercado de apostas que assume uma igual probabilidade de cada candidato ganhar»
a minha dúvida prende-se com a suposta (i)legalidade deste tipo de produto. Ou esta é mais uma daquelas excepções “à portuguesa”, com o Governo a assobiar para o ar e o Banco de Portugal a olhar para o lado?