"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Não ganhou Trump, ganhou Corina Machado, admiradora de Trump, amiga de Abascal, Orbán, Marine Le Pen. E se calhar ganhou Trump, a legitimidade que lhe falta para derrubar Maduro, agora que anda a afundar barcos a torto e a direito no Mar das Caraíbas com o pretexto da luta contra o tráfico de droga. E isto não faz de Maduro um gajo porreiro.
Gajo com uma espécie de Gestapo que anda pelas ruas do próprio país a prender aleatoriamente pessoas, pela fisionomia, cor do cabelo, ou língua falada, acha-se merecedor do Nobel da Paz. A puta da lata.
Em 1938, Adolf Hitler, o então chanceler alemão, foi nomeado para o Prémio Nobel da Paz por E.G.C. Brandt, deputado ao parlamento sueco. Um no depois, 1939, começa a II Guerra Mundial e o resto é História, e História construída em cima das cinzas e dos escombros de uma Europa destruída pela guerra mais devastadora de que há memória.
Em 2012, uma União Europeia à beira da implosão porque e subjugada pela política económica de uma Alemanha, reconstruída e recuperada da destruição da II Guerra Mundial pelos Aliados, e igual entre os iguais na Europa para evitar que o passado fosse presente e futuro, é a vencedora do Prémio Nobel da Paz 2012 pelo seu papel histórico na união do continente.
Sempre a Alemanha.
[Imagem "Hitler viewing the victory", Hugo Jaeger, Time & Life Pictures]
Contra todas as expectativas, e pelo terceiro ano consecutivo, o Nobel da Economia 2011 não saiu na timeline do Twitter Portugal, nem na blogosfera portuguesa “especializada” na matéria, nem sequer nos painéis do comentário político-económico das televisões portuguesas.
Aqueles que não conseguem separar o génio literário de Saramago das suas posições políticas nem perceber a sua importância para a língua e cultura portuguesa no mundo são os mesmos que fizeram o elogio fúnebre do padre fascista-bombista Melo.