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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

E de súbito, combinaram-se

por josé simões, em 11.12.08

 

 

Ontem tinha sido Rui Tavares no Público (só assinantes), hoje é o Pedro Lomba no Diário de Notícias.

Porque é que os portugueses estão a virar “à esquerda”; porque é que os portugueses são “de esquerda”?

 

Parece-me (a eles) que é por causa das desigualdades. E das assimetrias. E das injustiças sociais. E por ganharem pouco. Ainda tentei saber se havia uma equação demonstrativa, tipo: Baixos Salários + Aumento do Custo de Vida = Comunismo, ou Desemprego + Inflação : Taxas de Juro = Esquerda, mas não dei fé de existir.

 

Este tipo de análises soa(m)-me sempre a “manhosa”, porque se baseia(m) essencialmente no factor económico, ignorando o resto. E a meu ver “o resto” tem um peso muito maior a ter em conta na abordagem do “fenómeno”. Não explicam, por exemplo, que sendo a Direita tradicionalmente tão ciosa da ordem e da paz social não aproveite para quando é poder se manter ad eternum na governação, através de politicas que melhorem os salários e a qualidade de vida das populações e inibam “a rua”, que por sua vez é capitalizada pela Esquerda para chegar ao poder. Que inevitavelmente o vai perder nas urnas para a Direita, porque afinal não tinha a varinha mágica para acabar com as desigualdades e as injustiças, e que na maior parte das vezes a solução encontrada para as corrigir é fazer o nivelamento por baixo. É um circulo. Assim como um cão a morder a cauda.

 

Para já não falar de uma personagem da vida pública de Setúbal que é dono de 4 – quatro – 4 ourivesarias na baixa, militante do Partido Comunista e que quando vai de férias é para o parque de campismo. Expliquem lá esta; não era suposto ser um reaccionário direitista do caraças?

 

Adenda: para um dos itens d’ “o resto” que falta, recupero um excerto de um artigo de Gonçalo Reis na saudosa Revista Atlântico que usei como introdução a este post.

 

 

 

A República dos Bambos

por josé simões, em 29.05.08

 

Portugal ao espelho. Uma parábola sobre Portugal, os portugueses e a classe política dirigente (negrito meu):

 

Queixam-se, nomeadamente, de criarem expectativas com as consultas, pagando por cada uma delas um determinado montante, acabando por verificar que nada na vida pessoal mudou a não ser a diminuição das suas contas bancárias.

 

A frustração das expectativas, apesar de muito dinheiro envolvido, pode ser um dado demasiado subjectivo.

 

(Link)

 

Somos assim. Um povo de crédulos. Desde há muito governado por professores Bambo. Mas, malgré toutes les espectatives crées; e apesar de ficarmos constantemente mal na fotografia, já vamos aprendendo a gerir as frustrações. Valha-nos isso.

 

(Foto de Al Lim)

 

 

 

Já tentou hoje?

por josé simões, em 12.07.07

«Já é difícil fazer reformas em Portugal. Os grandes ignoram os pequenos. Os instalados perpetuam-se. As elites reproduzem-se com outras elites. Os que estão dentro tapam o caminho aos que estão fora. Mas a nossa crise de natalidade ameaça dificultar ainda mais a renovação do País. Tudo seria bem melhor se os portugueses percebessem o que têm de fazer em cada dia. Levantar cedo, pôr os filhos na escola, trabalhar, encher o bucho, trabalhar outra vez, regressar a casa a 60 km/ hora, buscar os filhos, ver televisão, dormir. No dia seguinte repetir a dose.»

 

Pedro Lomba no Diário de Notícias, hoje.