"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O Ventas do chaga congratula o Vox pelo resultado eleitoral, com a bandeira espanhola em primeiro plano e por cima da portuguesa, o Vox retribui a deferência e convoca uma manif com um mapa da península onde é tudo Espanha.
Portugal, segunda década do século XXI: Jorge Nuno Pinto & Pedro Ferraz, da Costa, todos os dias nas televisões, em todos os telejornais. Do que é que nos queixamos concretamente?
Esta histeria coisa no século XXI da Web Summit mais dez em Lisboa Portugal são os anos 60 e 70 do século passado com os países do norte da Europa nos têxteis, com as marcas pré-globalização, na indústria do norte do país pelos baixos salários e incentivos ficais dados pelo Estado. Antes pelo contrário, espero que finados os dez anos negociados a Summit leve sumiço daqui para fora e não fique por aqui mais cinquenta.
"O novo ouro de Portugal" vem logo a seguir ao velho ouro de Portugal. E o velho ouro de Portugal foi o ouro do Brasil que enriqueceu umas quantas famílias à roda do rei, fez um palácio em Mafra, que serviu para nada até Saramago se lembrar de escrever um livro, e permitiu aos ingleses, por via dos tratados assinados, amealhar reservas para fazer a maior praça financeira da Europa, até hoje.
E a seguir ao velho ouro de Portugal, que foi o ouro do Brasil, veio o velho ouro da CEE, que enriqueceu umas quantas famílias à roda do poder político eleito, fez uns palácios de alcatrão que serviram para as pessoas fugirem mais rapidamente do interior para os grandes centros urbanos no litoral e daí para o Algarve nas férias pontes e feriados, e permitiu, por via dos tratados assinados, a agricultura e pescas em Espanha, França, Alemanha e Itália, e os abates em Portugal.
E a seguir ao velho ouro de Portugal, que foi o ouro do Brasil, e do velho ouro de Portugal, que foi o ouro dos fundos da CEE, veio o "petróleo verde", que enriqueceu umas quantas famílias ligadas às celuloses, privatizadas ou liberalizadas pelo poder político eleito, permitiu que umas centenas avulso, que recebem parcas reformas, recebessem mais umas centenas de euros de xis em xis anos e desordenou o território, destruiu ecossistemas, desertificou o interior que restava e inventou a industria do combate aos incêndios paga pelos impostos dos contribuintes.
Faz hoje precisamente três anos que Portugal se sagrou campeão da Europa em futebol com uma equipa de pretos, ciganos e brasileiros, estranhos à "entidade civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade", não herdeiros dos "Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789", e isto, como diz o povo, é do caralho!
"Portugal é o país que menos cumpre as recomendações do Conselho da Europa contra a corrupção. Um relatório agora publicado garante que no final de 2018 faltavam cumprir 73% dessas recomendações."
Já estamos a ver a dona @CristasAssuncao e o senhor @NunoMeloCDS de @Publico na mão a exigirem explicações ao @govpt e ao ministro da tutela por esta má execução de fundos comunitários.
A verdade é que se as televisões não tivessem passado as duas últimas semanas, a todas as horas certas em todos os telejornais, a falar no protesto dos coletes amarelos, "convocado pelas redes sociais" [sic], entremeado pelos debates de "opinião pública" com convidados especialistas em protestos de coletes amarelos, ninguém dava pelo protesto dos coletes amarelos, "convocado pelas redes sociais" [sic] que fazem as agendas das televisões e do jornalismo miserável, mal pago, feito por estagiários.