Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Os betos dos panamás brancos

por josé simões, em 16.12.25

 

panamá.jpg

 

 

Nos 80s de Setúbal, os betos, da ganga Wrangler, malha vermelha Sidney pelos ombros e com aqueles panamás brancos ridículos enfiados pelos cornos abaixo, mais as suas vespas, paravam no Largo da Misericórdia, frente à Gelataria Valenciana. Os betos e as betas que os namoravam. Eram para aí 15 ou 20, genuínos, descendentes das famílias da burguesia industrial conserveira que fez fortuna com as duas guerras, e a pagar pouco, e com o chibata da GNR em cima dos pés descalços, que empregavam até ao 25 de Abril de 74,  mais alguns despachantes oficiais, e outros, doutores, da elite do Clube Setubalense.

Depois havia mais 30 ou 40, não eram betos, apesar de usarem panamá e restante indumentária, e alguns tinham vespa. Pensavam que ao pararem por ali também eram betos como os outros, por osmose, sem perceber que o mais que conseguiam eram o mimetismo. Acabaram todos nas fábricas da industrialização da península. Ou pior. A trabalhar para o pai do beto ou da beta, e a chamar "sô dotor" ao filho.

Hoje assistimos a um fenómeno semelhante, agora expresso pelo voto em urna. Vamos votar neles e ficamos como eles. Ricos. Importantes. Boa roupa, grandes carros, casa no Algarve. Para acabarem a levar com postas de pescada nas trombas. Sem voz para exigir, vítimas do enviesamento ideológico, a arcarem com as culpas da degradação dos serviços e instalações, motivada pelo desinvestimento dos sucessivos governos. Declarações como as do ministro da Educação, Jornal da Tarde, minuto 31:49. O ódio aos pobres. Votaram neles? Temos pena.

 

 

 

 

Dia de deixar o cérebro em casa

por josé simões, em 29.11.22

 

rev.jpg

 

 

O Presidente da República do Estado laico que anda todo babado, e faz questão de misturar a baba com o cargo que exerce, com os milhões de euros do contribuinte enterrados na Jornada Mundial da Juventude a cargo da Igreja Católica, é o Presidente da República que alerta para para a pobreza e crise social em evento promovido pela Mota-Engil cujo CEO aufere anualmente um salário 73 vezes superior à média do que paga o seu grupo. Isto antes da bola, que foi ver a Braga, agora que os combustíveis estão a baixar há semanas consecutivas e se pode dar a esse luxo, e aproveitar o intervalo para lamentar, em directo para a televisão, ter perdido os primeiros 15 minutos do jogo e dar  a táctica para levar de vencida o Uruguai na segunda parte.

 

No fim do jogo a televisão do militante n.º 1, SIC Notícias, foi "em directo para o Funchal, Cristiano Ró Náldo [assim mesmo, com dois acentos] não marcou mas os madeirenses estão contentes".

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

E ainda há quem inveje a vida dos ricos

por josé simões, em 21.10.22

 

mw-860.webp

 

 

Escreve o jornal do militante n.º 1 na secção "Sociedade" que os "supermercados estão a colocar alarmes em produtos alimentares básicos, como latas de atum ou garrafas de azeite", "as pessoas estão desesperadas, escondem latas de atum e leite para comer ou dar aos filhos". Vira-se a página para o caderno "Economia" e ficamos a saber que a "inflação castiga todo o tipo de famílias: nas mais pobres pesam alimentos e habitação, nas mais ricas os restaurantes e hotéis". Os que vêem o atum e o azeite ao preço do whisky na prateleira do supermercado e os que por estarem quase pobres vão ter de abdicar de brincar aos pobrezinhos na Comporta. Isto podia ter outro título, sei lá, jornalismo de merda.

 

 

 

 

O Marcelo da fé e o partido da fezada

por josé simões, em 18.10.21

 

psd.jpg

 

 

Marcelo alerta para “problema enorme” de pobreza e apela à ação dos cristãos

 

 

 

 

47 anos depois dos 48 anos antes

por josé simões, em 12.04.21

 

castelo velho setubal.jpg

 

 

Até aos anos 80 do século passado era assim a paisagem nas colinas e montes que rodeiam a cidade de Setúbal [na imagem retirada do livro Fartas de Viver na Lama- 25 de Abril. O Castelo Velho e outros bairros], barracas feitas com as caixas dos carros Austin Morris que eram montados na fábrica de Setúbal, operários especializados, com salário e descontos para a Segurança Social, a produzirem carros para a exportação mas sem rendimento que permitisse a compra ou o aluguer de uma habitação condigna. A mulher, quando não ficava em casa, andava na casa de outros "a dias" ou na indústria conserveira quando o apito da fábrica tocava à chegada dos barcos. Os putos cresciam lá em cima, uns com os outros, ao Deus-dará, os índios.

 

47 anos depois dos 48 anos antes o estudo A Pobreza em Portugal – Trajectos e Quotidianos, da Fundação Francisco Manuel dos Santos diz-nos que em Portugal pelo menos 11% dos trabalhadores são pobres, apesar de terem trabalho e salário certo ao fim do mês. Mais de um terço dos pobres em Portugal são trabalhadores, a maioria dos quais com vínculos estáveis e salários certos ao fim do mês.

 

E isto tem um nome. E já cansa repetir. E cansa a ladaínha do "portugueses de bem", do "vai para a tua terra", do "povo honesto" que serve para desviar o foco, meter o miserável a olhar para baixo, contra o ainda mais miserável, aquele que na canção do Gabriel, O Pensador, tem como objectivo na vida "morar numa favela".

 

 

 

 

Substituir "mexicanos" por__________________

por josé simões, em 21.01.20

 

1 (5).jpg

 

 

               A primeira página do mexicano La Jornada.

 

 

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 26.02.19

 

Breakfast Cereal Sugar Smacks.jpg

 

 

Os pobres fizeram-se para a gente os transformar em classe média

 

Alexandre Soares dos Santos, ex-administrador da Jerónimo Martins.

 

[Imagem]

 

 

 

 

CDS alerta que situação do pais "é pior que no tempo da troika"

por josé simões, em 30.11.18

 

 

 

O risco de pobreza reduziu-se para 17,3% - 2018

 

[Título do post]

 

 

 

 

"Baixar os custos do trabalho foi a reforma que ficou por fazer"

por josé simões, em 15.06.18

 

passos portas maria luis.jpeg

 

 

Pobreza em Portugal prolonga-se geração após geração

 

[Pedro Passos Coelho em 9 de Abril de 2015]

 

 

 

 

Homem rico, homem pobre

por josé simões, em 22.03.18

 

marcelo ricardo salgado.jpg

 

 

Diz que o Marcelo, Presidente, diz que tem vergonha das desigualdades socias e da pobreza em Portugal, em 2018, no século XXI.

 

[Imagem]

 

 

 

 

1%

por josé simões, em 14.12.17

 

Nilton Fukuda-Estadão.jpg

 

 

A imagem quase que dispensa ler a notícia.

 

 

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 02.10.16

 

clown.jpg

 

 

De Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro, em 25 de Outubro de 2011: "Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo - em termos relativos, em termos absolutos [...]" ao que se seguiram 4 anos de Governo Pedro Passos Coelho/ Paulo Portas/ Cavaco Silva, que não tinha um "modelo de baixos salários para o país" e com os sacrifícios distribuídos "equitativamente" entre os mais pobres, que ficaram 25% ainda mais pobres, para Pedro Passos Coelho, primeiro-ministro no exílio, em 2 de Outubro de 2016 a acusar o Governo de construir uma "sociedade mais pobre e mais injusta". Qual Governo?


[Imagem]

 

 

 

 

Guardar

||| Estudos da treta, com conclusões da treta, para justificar conversas da treta

por josé simões, em 05.05.16

 

Derniere Danse.jpg

 

 

Porque a verdade é que o Euro é uma moeda cara e 1 kg de batatas que no dia 31 de Dezembro de 2001 custava 80/ 100 escudos passou a custar 1 euro no dia 1 de Janeiro de 2002 e um café que custava na mesma data 45/ 50 escudos passou a custar, também no dia seguinte, 50 cêntimos de euro, uma conversão directa em menos de 24 horas [do que é que o pequeno comércio a retalho e restauração se queixaram será sempre uma incógnita]. Dir-me-ão que as pessoas não se governam só a café e batatas, pois não, mas é muito por aqui que a coisa começou.


Outra coisa que o estudo nos diz é que vale a pena apostar e investir na educação porque com mais formação e mais habilitações literárias as probabilidades de encontrar um emprego mais remunerado são muito maiores.


O que o estudo não nos diz é a média salarial dos portugueses, nem a quantidade de portugueses que aufere o salário mínimo nacional, nem a constituição dos agregados familiares dos portugueses que vivem com a média e o mínimo salarial em Portugal. É que dá muito mais jeito à narrativa liberal instalada no Banco de Portugal dizer que os madraços dos tugas são uns gastadores que não acautelam o futuro e insistem em continuar a viver acima das suas possibilidades. É que alguém que ganhe o salário mínimo nacional, se não tiver filhos, nem pagar renda da casa, nem água, nem luz, e for trabalhar de Inverno com roupa de Verão, depois de um jantar de bolacha Maria na véspera, consegue aforrar a pensar nalgum contratempo da vida ou para acautelar a velhice.


Estudos da treta, com conclusões da treta, para justificar conversas da treta.


[Imagem]

 

 

 

 

||| "Social-democracia, sempre!"

por josé simões, em 17.03.16

 

Montenegro-Passos-Marco.jpg

 

 

"Uma em cada 14 famílias portuguesas salta refeições por não ter dinheiro. Sofre daquilo que se designa, na gíria, como "insegurança alimentar grave", ou seja, não come o suficiente por não ter meios para isso."


[Imagem]

 

 

 

 

||| Em quem vota Américo Amorim?

por josé simões, em 24.01.16

 

Cavaco Silva Guarda 10 de Junho.jpg

 

 

Em quem votou Américo Amorim nas Presidenciais de 2006 e de 2011? Em quem vai votar nas Presidenciais de 2016, o homem a quem 2 – dois – 2 milhões de pobres não superam a fortuna e que em 2009, quando já estava no Top of the Pops dos mais ricos, não teve pejo em despedir 195 a ganhar o salário mínimo nacional, por antecipação ao que a crise global iria «certamente evidenciar»? Em quem vota Américo Amorim?