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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Se fosse muuuuuito maquiavélico

por josé simões, em 12.06.12

 

 

 

Diria que estas coisas têm aparições cirúrgicas, em datas também elas cirúrgicas, para levantar poeira, preparar a opinião pública, e justificar medidas repressivas e de censura na Web. Mas isso era se fosse muuuuuito maquiavélico.

 

«Dados pessoais de sete mil militantes do PSD na Net»

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

|| «pirataria é "fonte de progresso"»

por josé simões, em 30.04.10

 

 

 

 

Na ressaca do chamado boom do rock português, depois dos Chicos Fininhos e das Ruas do Carmo e de Portugais na CEE e de O Corpo É Que Paga, entre outros, e que levaram as editoras e as rádios a apostar em toda a merda que surgia desde que fosse quatro por quatro e com um refrão manhoso, propiciando o aparecimento de aberrações e flops editoriais como os NZZN, Roquivários, e perdoem-me os que ficaram esquecidos que só de me lembrar destes já fico com pele de galinha, e com essa fobia da next big thing e consequente mina de ouro, deitar fora o bebé junto com a água do banho, a coisa estagnou: nem as editoras gravavam o que quer que fosse de “rock português”, nem as rádios passavam o que quer que fosse de “rock português” – só “grandes músicas”, avant la lettre.

 

Foi com o aparecimento das rádios piratas e com a aposta no alternativo, e na maior parte das vezes alimentadas as emissões com gravações também elas piratas, que se voltou a falar em rock feito em Portugal. E foi assim que o “1º de Agosto” dos Xutos & Pontapés foi um hit antes do estúdio, e foi assim que conseguiram furar o bloqueio e gravar. A primeira banda a gravar depois da ressaca. A partir daí é história.

 

Esteve muito bem o ministro, Miguel Guedes que esteja caladinho (e os Xutos também).

 

(Na imagem o pirata mais famoso do mundo: Errol Flynn)

 

Adenda: Afinal parece que não... Ainda assim não invalida nada do que escrevi.

 

 

 

Pirataria e Terrorismo (II)

por josé simões, em 29.07.07

Nesta altura do ano em Espanha, desde Cádiz até Barcelona, em tudo o que é cidade, aldeia, vila ou lugarejo que tenha um mínimo de afluxo turístico, é impossível não encontrarmos dezenas de magrebinos, todos ilegais, que se dedicam à venda de cd's e dvd's piratas. É o seu único meio de subsistência, e o preço de cada, oscila entre os 2 e os 5 euros, dependendo da capacidade negocial do comprador. Tenho alguns no carro. Que estes desenraizados, que estes deserdados, sejam presa fácil - contingente de recrutamento - nas malhas do terrorismo jihadista , essa é uma outra questão...

 

Vem isto a propósito das declarações de Eduardo Simões, director-geral da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), e já comentadas aqui.

 

Uma pergunta para o sôr Eduardo: E se no carro dos terrorista do 11 de Março tivessem sido encontradas caixas de Aspirinas? Ou maços de Marlboro?

Pirataria e Terrorismo

por josé simões, em 27.07.07

 

A pirataria está a financiar o terrorismo

 

Quem o diz é Eduardo Simões, director-geral da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), nas Alegações Finais no DN de hoje. E desenvolve: «Em conferências internacionais têm sido dados exemplos de financiamentos de terrorismo a partir da pirataria. Os casos mencionados foram, em conferências a que assisti, O IRA e, mais recentemente a Al-Qaeda. Nos ataques do 11 de Março, em Madrid, foi apreendida uma carrinha cheia de capas de CD pirata. (…)».

 

Acredita quem quer. Esta não engulo, e, confesso, estive quase tentado a dar a este senhor o troféu O Verdadeiro Artista.

A seguir ao 11 de Setembro em Nova Iorque, foram publicados vários relatórios com origem na Mossad e na CIA, que desmontavam as origens dos financiamentos ao terrorismo. Eram eles, por esta ordem: As colectas efectuadas nas mesquitas após as orações, o tráfico de droga e de armas, e, imagine-se (!) a especulação bolsista, depois apareciam financiamentos mais ou menos descarados provenientes de famílias árabes ricas.

 

Revolta-me a hipocrisia de pessoas como o director-geral da AFP, ao afirmarem que com a pirataria «Está em causa o modo de vida de artistas, músicos, actores, editores…», e revolta-me ainda mais a hipocrisia dos «artistas, músicos, actores» ao pactuarem com estas declarações. É mais que sabido que os artistas ganham uma ninharia, uma miséria, nicles, com os chamados royalties sobre as vendas dos seus trabalhos. A grande fatia do lucro vai parar às mãos das editoras e das lojas revendedoras – tipo FNAC’s. Onde os músicos ganham algum dinheiro é, com os direitos de autor recebidos das rádios e televisões de cada vez que a sua música ou o seu trabalho é apresentado, e dos espectáculos ao vivo.

 

Meus amigos; não sou consumidor de CD’s. Continuo a preferir o vinyl; e, vinyl como é sabido, não dá azo a piratarias. Mas uma coisa vos asseguro; uma certeza vos deixo: se o entendimento sobre “financiar o terrorismo” for contribuir para que as grandes editoras e revendedoras deixem de ter os lucros astronómicos que têm à custa do trabalho criativo de terceiros; eu vou começar a financiar. Vou começar a comprar CD’s piratas.