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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Parasitas

por josé simões, em 13.02.20

 

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Lembro-me de em 2010 ter ido como convidado ao congresso do PSD em Mafra, o "congresso da Lei da Rolha" proposta por Santa Lopes e do "acho muito bem" de Manuela Ferreira Leite e lembro-me do cheiro; antes da política e do debate, o cheiro; antes dos camiões TIR das candidaturas de Passos Coelho, Aguiar-Branco e Paulo Rangel, ao estilo apoio a equipas de Fórmula 1, estacionados atrás do pavilhão, o cheiro; antes da intriga política e dos jogos de bastidores, o cheiro. A profusão de perfumes, masculinos e femininos, que se misturavam, quando descíamos da bancada onde estavam os bloggers convidados e a comunicação social até ao piso térreo dos delegados ao congresso, e sem pedir licença nos entravam narinas acima até bater no cérebro. Uma mistura inebriante que chegava a fazer doer a cabeça. O cheiro.

 

E lembro-me de ter ido ver o óscarado Parasitas e do cheiro. Do cheiro não me lembro - há-de chegar esse dia, do cinema com cheiro. O cheiro a "rabanete velho", o cheiro das "pessoas que andam de metro", de que se queixava o marido parasita da família parasitada. "Cheira a senhor Kim" diz ele deitado ao lado da mulher no sofá. O cheiro-ignição para a facada fatal desferida por Kim quando Mr. Park se baixa para apanhar as chaves do carro. O cheiro. E enquanto via o filme lembrei-me do cheiro a Pê Pê Dê no pavilhão de Mafra. Dez anos depois.

 

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