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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ninguém leu a puta da acta

por josé simões, em 20.05.24

 

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E, numa manobra circense de distracção, quase, quase, quase no final do debate, João Oliveira diz que a solução para a guerra e para a paz e para a prosperidade e para o sol brilhar para todos nós, "está aqui", brandido para João Cotrim de Figueiredo uma papeleta que se supõe ser a Acta Final de Helsínquia. E o que é que diz a Acta Final de Helsínquia? Consagra o "respeito pela igualdade e individualidade soberana de cada Estado; o respeito por todos os direitos inerentes à sua soberania, incluindo o direito de cada Estado à igualdade jurídica, à integridade territorial e à liberdade e independência política [coisa que a Rússia não reconhece à Ucrânia]; o direito de cada Estado de definir e conduzir como desejar suas relações com outros Estados de acordo com o direito internacional; o direito de pertencer ou não a organizações internacionais, de ser ou não não ser parte de tratados bilaterais ou multilaterais, incluindo o direito de ser ou não ser parte de tratados de aliança, o direito à neutralidade". E assim cai por terra toda a justificação putinista do PCP para a invasão da Ucrânia pela Rússia por causa da "intensificação da escalada belicistas dos Estados Unidos, da NATO, e da União Europeia". Como toda a gente embatucou e o candidato do PCP passou por grande pacifista, ao contrário de todos os outros, a conclusão a tirar é que ninguém leu a puta da acta, a começar pelo "pacifista" João Oliveira.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Irmãos Inseparáveis

por josé simões, em 08.05.24

 

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Também não compreendo o coro de lamentações que se ergue da parte daqueles que não se indignaram quando os Estados Unidos e seus aliados e a NATO atacaram, invadiram e ocuparam, sob falsos pretextos, territórios a milhares de quilómetros de distância, como foi o caso da Jugoslávia, do Afeganistão, do Iraque e da Líbia, para só referir os mais recentes.

 

Estamos a assistir a um genocídio sem que os tais que invadiram a Jugoslávia, a Sérvia, o Iraque, o Afeganistão e a Síria para derrubar "regimes sanguinários" façam o que seja.

 

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O diluente

por josé simões, em 13.03.24

 

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Surpreendendo exactamente zero pessoas o PCP mostrou--se disponível para aceitar o repto do Bloco de Esquerda para uma convergência na oposição à direita, salvaguardando que o faz desde que isso não implique a diluição do partido, porque, como é por todos sabido, desde Outubro 1917 que diluições, "amigáveis" ou por OPA hostil, só as dos socialistas, social-democratas, socialistas revolucionários, ou anarquistas, nos partidos bolcheviques. 

 

 

 

 

Adeus PCP

por josé simões, em 13.03.24

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Começam agora os exercícios de entretenimento na desmontagem das teses que os votos não foram do PCP para o partido da taberna que, ao contrário do que muitos alardeiam, está aí vivinho da silva e para as curvas, quando a verdadeira questão, no partido da "análise histórica" e do "materialismo dialéctico", aquela questão que vale um milhão, devia ser "porque é o taberneiro a chegar a esse eleitorado e ainda a recuperar algum à abstenção?" e não o PCP, que vai minguando eleição atrás de eleição.

 

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De Kyiv a Dili

por josé simões, em 28.02.24

 

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A 23 de Abril de 2002, António Filipe, ex deputado à Assembleia da República, membro do Comité Central do Partido Comunista Português, comparava a Ucrânia a Goa e Zelensky a Salazar,  "isto faz-me lembrar, aaa, eu não queria, fff, fazer uma comparação que possa ser mal interpretada, mas esta, esta atitude faz quase lembrar a atitude do Salazar em relação à Índia, é que a Índia também era agressora, eheh".

 

A 26 de Fevereiro de 2024, António Costa, primeiro-ministro demissionário, compara a Ucrânia a Timor-Leste e a agressão, invasão e ocupação de que foi vítima às mãos da Indonésia, "Nós portugueses temos, aliás, um bom motivo para compreender a importância de defender, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, o primado do direito internacional. Todos nos recordamos que, durante muitos anos, Timor-Leste foi um território ocupado ilegalmente pela Indonésia e houve momentos em que Portugal esteve sozinho na cena internacional a bater-se pela defesa do direito à autodeterminação do povo de Timor-Leste".

 

Dizem que no próximo 10 de Março de 2024 o PCP corre o risco de desaparecer do mapa eleitoral e ficar reduzido a um ou dois assentos parlamentares, e até já há apelos ao voto de personalidades mais ou menos conhecidas, um de gente "sem filiação partidária" e outro de antigos companheiros de estrada.

 

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3 de Abril de 1976

por josé simões, em 10.02.24

 

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"Porto, 3 - A poucos quilómetros de Santa Marta de Penaguião, uma poderosa carga de trotil accionado pelo sistema de relógio, deflagrou, esta madrugada, no carro do ex-padre Maximino candidato da U. D. P. às próximas eleições pelo círculo de Vila Real, provocando-lhe a morte quase imediata e a de uma jovem que o acompanhava, Maria de Lurdes Ribeiro Correia, aluna liceal e simpatizante daquele partido de esquerda".

[...]

"cerca de trezentos atentados terroristas perpetrados só no Norte contra sedes e veículos de partidos de esquerda"

 

André Ventura falou em assassinatos no PREC e disse que todas as intervenções do PCP na história "acabaram em morte, em roubo e destruição"

 

"O Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) foi uma organização terrorista portuguesa ativa durante o período que se seguiu à revolução de 25 de abril de 1974.[1] Entre as ações atribuídas ao MDLP estão uma tentativa de golpe de estado em 11 de março de 1975, uma vaga de atentados à bomba a sedes de partidos de esquerda no início de 1976 e o atentado à bomba que vitimou o candidato a deputado Padre Max e uma estudante que o acompanhava.
[...]
 

A cassete

por josé simões, em 27.12.23

 

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O "operário" Raimundo está mais solto, já fala escorreito, sem interrupção para pensar o que há-de dizer, e sem olhar para o papel escrito pelo comité central. Se isto é suficiente para evitar ser o Chicão do PCP é outra história.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

No túmulo de Lenine

por josé simões, em 21.12.23

 

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Começamos o séc. XXI com o regresso do fascismo. Em força. Em toda a Europa e nos Estados Unidos. E na Rússia, um dos países vencedores do fascismo no fim da II Guerra Mundial. Mas o comunismo não regressa. Antes pelo contrário, desaparece. E não só não regressa e desaparece como pisca o olho ao eleitorado do partido fascista. Certinho como o destino é a explicação "científica" do regresso do fascismo como a "decadência do capitalismo". Apesar do comunismo ter [de]caído primeiro. E da esquerda se ter demitido.

 

[Imagem "No túmulo de Lenine", Leni Yakovlev, 1930]

 

 

 

 

 

Os amigos do povo

por josé simões, em 10.11.23

 

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Este Orçamento do Estado para 2024 não é um bom orçamento mas é melhor que o orçamento que o antecedeu, e ainda melhor que governar por duodécimos. Mas este Orçamento do Estado para 2024, que não deve ser aprovado porque é um mau orçamento, já tem a missa rezada caso a direita se alce ao poder: um rectificativo enquanto não elabora a um pior que este, que é mau e que não deve ser aprovado, e ainda pior que os outros que o antecederam. A lógica do quanto pior melhor dos amigos do povo.

 

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Lucy in the Sky with Diamonds

por josé simões, em 27.09.23

 

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O nível de alucinação é de tal ordem entre os minons, do partido que não é putinista, de serviço às redes que atingimos o ponto em que a presença da Europa em África é neo-colonialismo e exploração das riquezas naturais mas o avanço da Rússia é ajuda ao desenvolvimento e libertação das grilhetas imperialistas.

 

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Dizer coisas

por josé simões, em 20.09.23

 

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O "operário" Raimundo foi à Madeira dizer coisas. A Madeira que, assolada com o regresso de milhares de retornados e descendentes de emigrados a fugirem à fome e à miséria na Venezuela, insiste em não perceber a mensagem do "operário" Raimundo, que a alternativa à governação de 47 anos é a CDU, a CDU do PCP que apoia Maduro na Venezuela, de onde esta gente toda parece não parar de chegar.

 

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Um Martin Niemöller por medida

por josé simões, em 15.09.23

 

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Invocar Martin Niemöller quando se é apanhado com a boca na botija, ou quando se lhe cai a máscara de grande democrata, como forma de desviar a conversa e passar a ideia de que vem aí o fascismo com pezinhos de lã, devia ser considerado uma emenda à Lei de Godwin. Vem isto a propósito do ex Brigadista Vitor Jara, 50 anos por estas alturas no Chile de Pinochet, convertido em observador independente numa região ocupada e em guerra, num  processo eleitoral onde os eleitores votam sob coação do cano das AK-47, em eleições não reconhecidas pela comunidade internacional, poucos meses depois de massacres de populações civis e de deportações de crianças, e da desculpa/ justificação que amanhou para nos atirar à cara que aqui, no ocidente, burguês e capitalista, onde cresceu, engordou e tem qualidade de vida, somos todos uns ignaros. Não fora assumir a fraude da sua militância podia ter adaptado o tal do Niemöller para terminar o concerto de violino em 5374 caracteres nas páginas da Visão:

“Primeiro eles vieram buscar os constitucionais democratas [Kadets], e eu fiquei calado porque não era constitucional democrata.

Então, vieram buscar os mencheviques, e eu fiquei calado porque não era menchevique.

Em seguida, vieram buscar os anarquistas, e eu fiquei calado porque não era anarquista.

Depois vieram buscar os socialistas revolucionários, e eu fiquei calado - porque não era socialista revolucionário.

Foi então que os bolcheviques vieram me buscar, e já não havia mais ninguém para me defender."

Mas isso era honestidade demais para tamanha espinha dorsal do militante de um partido que não é putinista.

 

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Papel de resistência à nova ordem imperialista

por josé simões, em 13.09.23

 

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Um dia depois da estátua de Felix Dzerjinski, o carniceiro fundador da Tcheka, ter regressado ao pedestal em Moscovo de onde tinha sido apeada pelo povo em 1991, Putin recebe a visita do louco que governa a Coreia do Norte, descendente da primeira monarquia comunista da história, para lhe dizer que apoia a invasão da Ucrânia contra o imperialismo, 'amaricano', subentende-se, e pela paz, não disse mas está implícito..

Como avançava o partido que não é putinista nas suas teses ao XVIII congresso em 2008, sempre muito à frente nestas coisas da vontade popular, contra o imperialismo, a escalada belicista, pela paz, e coise, "importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à 'nova ordem' imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista - Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia". Como somos pela paz e pela democracia expressa pelo voto popular assinamos por baixo o parlapié do 'camarada' António Filipe no X quando ainda era Twitter "Quando vejo um(a) Chefe de Estado celebrar os seus 70 anos no Poder sem ter sido eleito(a), só me ocorre dizer: Viva a República!", e acrescentamos "Pela paZ!".

 

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Quem diz a verdade não merece castigo

por josé simões, em 03.09.23

 

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É isso camarada, menos armas, menos munições, menos destruição, mais uma república, ficavam a faltar 13 para ser outra vez a URSS [a Bielorrússia já está integrada], e a Carta das Nações Unidas mais a Acta de Helsínquia é o fumo que que a gente sopra para os olhos de gente que não sabe o que diz a Carta das Nações Unidas nem a Acta de Helsínquia, nem se preocupa em procurar saber, com os pés de microfone à cabeça, a famosa "comunicação social a soldo do grande capital".

 

Raimundo critica Marcelo na Ucrânia: contribuiu para "mais armas, mais munições, mais destruição"

 

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A Brigada Brejnev

por josé simões, em 29.08.23

 

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Defender que ditaduras podem "construir uma ordem económica mundial mais justa", mas a justeza das respectivas ordens internas nacionais um peru menor.

Falar em pensamento único imposto enquanto se chora o fim da URSS, esse berço do livre pensamento.

Defender o direito dos povos à autodeterminação e independência, a Declaração de Helsínquia, a Carta das Nações Unidas, enquanto se fala em "desagregação forçada de países como a antiga Jugoslávia" onde os povos quiseram seguir caminhos separados porque os 'amaricanos', a NATO e a União Europeia lhes disseram para seguirem, à imagem do que já tinham feito com os checos e eslovacos.

Ir colocar o embrião do Movimento Não Alinhado na Indonésia "ainda livre da sanguinária ditadura de Suharto" para não referir a  sua fundação na Jugoslávia de Tito, ele próprio a fugir à sanguinária ditadura de Estaline.

Falar em validar  eleições segundo "padrões assimétricos e a qualificar de ditadores todos os governantes que não obedecessem aos seus critérios de submissão, por mais democraticamente eleitos que tivessem sido" fazendo de conta que nada aconteceu na RDA em 1953, e que as eleições foram respeitadas na Hungria em 1956 ou na Checoslováquia em 1968.

 

O artigo do António Filipe no Expresso sobre os BRICS explica a coerência da Brigada Brejnev até ao seu desaparecimento do Parlamento e da vida autárquica.

 

[Link na imagem “According to the precepts of Ilyich”]