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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Falta de noção

por josé simões, em 06.11.19

 

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Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, desde 2017 todos os dias em todos os telejornais em cima do Governo por causa da carga horária e da pediatria e da maca no corredor da urgência e da falta de ligaduras no banco e de palhinhas para o leite no pequeno-almoço dos doentes manetas na ortopedia.

 

Mais de 1700 queixas levaram a Ordem dos Médicos a criar o estatuto do Provedor do Doente. O bastonário da classe, Miguel Guimarães, afirma que a nova figura não está directamente relacionada com o caso do bebé Rodrigo, que nasceu sem parte do rosto.

 

 

 

 

O nível argumentativo corporativo

por josé simões, em 23.10.19

 

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1- A Ordem dos Médicos recebeu em 8 - oito - 8 anos pelo menos 8 - oito - 8 participações por negligência médica praticada pelo obstetra de Setúbal;

 

2 - Um senhor do Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos aparece em todos os telejornais em todas as televisões a dizer ser normal um processo levar 6 - seis - 6 anos a ser tratado;

 

3 - A Ordem dos Médicos chama o obstetra para ser ouvido nos processos movidos, o obstetra ignora a Ordem e continua na sua vidinha como se nada fosse;

 

4- O bastonário da Ordem dos Médicos aparece em todas as televisões em todos os telejornais com ar cândido a dizer que é o Estado que tem de explicar como é que são feitos os convénios com as clínicas privadas;

 

[Imagem]

 

 

 

 

Uma hipótese a considerar?

por josé simões, em 21.10.19

 

NOT WAVING BUT DROWNING Tim Fishlok.jpg

 

 

E se todas as mal-formações foram mesmo todas detectadas pelo obstetra mas não declaradas por o senhor ser contra o aborto, via interrupção médica da gravidez, contra os seus princípios religiosos, um fundamentalista católico?

 

[Imagem]

 

 

 

 

O PS e o Governo da direita radical

por josé simões, em 27.12.18

 

Independentemente da baralhação, involuntária ou propositada, do médico que diz que nem por 500 €/ hora trabalhava na noite de Natal, da ministra que revela que não se consegue resolver o problema da falta de médicos por alturas das Festas quando são pedidos 500/ € hora, e do jornalista que publica que o Estado paga 500 €/ hora aos médicos, o que a senhora ministra devia explicar é a razão ou as razões para as contratações de médicos serem no valor de 39 €/ hora a entregar a uma empresa de trabalho temporário que fica com a parte de leão, sem se chatear nada nem sequer ter passado seis anos a estudar medicina,  e não o hospital a contratar o médico directamente por esse valor. Entre este procedimento e os procedimentos nos idos do Governo da direita radical não há aqui grande diferença.

 

 

 

 

||| Ódio aos sindicatos

por josé simões, em 29.06.14

 

 

 

O que está aqui em causa não é, segundo palavras do próprio, onde antes havia duas organizações sindicais passar agora a haver três, o que está aqui em causa é haver organizações sindicais, o que está aqui em causa é o direito à organização por parte dos trabalhadores, sejam eles médicos ou varredores da rua, o que está aqui em causa é haver quem se organize e defenda direitos e garantias e se insurja contra a prepotência, é o ódio aos sindicatos e ao sindicalismo e as saudades do Estado das corporações com as direcções dos sindicatos por nomeação do ministro da tutela:

 

«Fernando Leal da Costa, secretário de Estado adjunto da Saúde: Ordem dos Médicos até parece "um sindicato"»

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| Este país não existe

por josé simões, em 18.12.12

 

 

 

O país onde o presidente do conselho de administração de um hospital vem para a televisão dizer, com ar sério, que 30 dos cirurgiões debaixo da alçada do conselho a que preside não efectuaram uma única cirurgia durante os 365 dias de um ano, sem que nenhum dos presentes, jornalista e comentadeiros, para o desmontar, desmascarar ou, pelo menos, para o deixar a falar sozinho, lhe fizesse a pergunta simplista que a análise simplista exigia: então o que é que o senhor está a fazer lá na administração do hospital; consigo são 29 ou 31?

 

[Imagem]

 

 

 

 

 

 

|| “É uma casa portuguesa, com certeza! É, com certeza, uma casa portuguesa!”

por josé simões, em 23.07.11

 

 

 

O ministro determina que o director nacional peça ao super-sindicato à Ordem que investigue o que os super-sindicatos sindicatos já investigaram. No meio disto tudo só nós é que pagamos bilhete quando queremos ir à bola...  Life goes on, que é como quem diz, tratar da vidinha.

 

(Obrigado)

 

 

 

 

 

|| E o senhor bastonário da Ordem dos Médicos não tem nada para dizer?

por josé simões, em 08.01.11

 

 

 

 

É prática corrente, quando as coisas não são do agrado ou não correm de maré, em todas as empresas e ramos de actividade, e não há cidadão que não conheça ou não tenha já tenha ouvido falar em casos semelhantes, com um sorriso cúmplice, ignorando (ou fingindo ignorar) que é a sua cumplicidade que paga a chico-espertice com o dinheiro dos seus impostos. Infelizmente só chega às primeiras páginas por portas travessas.

A notícia devia ser “Médicos continuam a passar atestados a pedido e sem justificação clínica”:

 

«Profs voltam a ‘adoecer’ nos exames»

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

 

 

 

|| “Conflito” de interesses

por josé simões, em 07.12.09

 

 

 

Só não explica porque é que o interesse dos clientes das farmácias tem de ser coincidente com o interesse das farmácias. Mas também não precisa de se dar ao trabalho que todos percebemos.

 

 

 

|| Uma questão de emoções

por josé simões, em 14.05.09

 

No dia 6 de Maio ficámos todos a saber que, segundo a Ordem dos Farmacêuticos, é provável que os «médicos mantenham fármaco de marca por questões emocionais»:

 

- «se o doente está habituado a uma marca» por vezes «tem dificuldade em perceber porque é que muda a cor da caixa» ou dos comprimidos. -

 

Também seria útil saber se, por “questões emocionais”, muitos médicos obstetras passaram a prescrever fármacos dos laboratórios de genéricos J. Neves, desde Novembro de 2006.

 

Não se riam que o caso é sério.

 

(Imagem fanada no Le Soir)

 

SENHOR DOUTOR, DÁ LICENÇA QUE O CORPO SEJA MEU?

por josé simões, em 16.11.07
Fernanda Câncio no Diário de Notícias:
 
Imagine que, sendo mulher, deseja laquear as trompas. Ou que, sendo homem, quer fazer uma vasectomia. Lá terá as suas razões, sejam elas quais forem, e dirige-se a um médico competente para a dita operação. Não se surpreenda, no entanto, se este lhe fizer saber que para proceder à cirurgia tem de lhe fazer prova da autorização do seu cônjuge. Acha estranho? Acha inaceitável? Inconstitucional? Ilegítimo? Ridículo? Antiético? Pois este requisito está claramente plasmado no número 3 do artigo 54.º do Código Deontológico dos médicos portugueses: "A esterilização reversível é permitida perante situações que objectivamente a justifiquem, e precedendo sempre o consentimento expresso do esterilizado e do respectivo cônjuge, quando casado." (Continuar a ler aqui)
 

O túnel da Junta Médica; ou o que devia ser explicado

por josé simões, em 06.11.07

 

Não passa uma semana que seja, sem que apareça alguém nas televisões e nos jornais, a queixar-se por ter sido obrigado a ir trabalhar com uma doença do arco-da-velha. Nesta saga em que se estão a transformar as decisões das famosas juntas médicas importa reter dois pormenores; não necessariamente por esta ordem:
 
- O ministro Teixeira dos Santos não pode aparecer impunemente nos telejornais, com um ar de quem chegou ontem de Marte, e, como tal,  isto para ele é tudo muito estranho, para dizer que por sua ordem se fez justiça, e a senhora que por motivos de doença grave nem sequer o telemóvel consegue atender, volta para casa, até… nova ordem.
 
Como propaganda, melhor era impossível – um ministro com coração e sensível aos males dos outros.
 
Falta Teixeira dos Santos, José Sócrates ou outro – estava a lembrar-me do ministro da Saúde… – vir explicar que esta aparente perseguição ao doente incapacitado só existe porque as pressões vêem de cima, do poder político; a famosa caça às baixas e reformas fraudulentas. E para fabricar estatísticas de que o chefe se vale em conferências de imprensa, vale tudo…
 
- O silêncio ensurdecedor da Ordem dos Médicos e do seu Bastonário, tão lesto em vir a terreiro botar discurso por tudo e por nada, desde que vá contra a corporação e os famosos direitos adquiridos dessa classe que vive para lá do Olimpo, e que dá pelo nome de médicos. Como se explica que uma junta formada por médicos, avalie em meia-dúzia de minutos o estado clínico de um doente e o mande de volta trabalhar, ignorando os relatórios de colegas de ofício e especialistas na matéria? Não têm confiança nos seus pares? Se é esse o caso, não será da mais elementar lógica fazer uma auditoria ao trabalho e à idoneidade de quem elaborou o parecer?
 
Entretanto ficamos todos à espera da próxima Junta Médica.
 
(Foto fanada no Boston Globe)
 
Post-Scriptum: As pessoas (ir)responsáveis por estas decisões são responsabilizadas, ou não passam de ilustres anónimos?
 

Picar o ponto (II)

por josé simões, em 18.10.07

 

Sobre o controlo biométrico a introduzir nos hospitais, diz Manuela Arcanjo, a ex-ministra da Saúde de António Guterres:
 
“É uma ideia injusta e absurda que os médicos não cumprem os horários. Em serviços públicos em que não há trabalho, mas controlo de presenças, acaba por se jogar ao computador, telefonar até haver essa proibição. Esse controlo não é indicador de coisa alguma”
Público
 
Não era nada que não se soubesse. Que há “serviços públicos em que não há trabalho”, a novidade é ter sido dito por uma ex-ministra socialista. Não sei o que é que passou pela cabeça de Manuela Arcanjo quando disse o que disse, mas ao criticar uma medida tomada por este Governo, acaba por dar razão a outras que estão em vias de. É sempre salutar saber que o dinheiro dos contribuintes é usado para pagar os salários de boys (?!?) and girls que passam o dia a jogar no computador ou a telefonar aos amigos e à família, quando não a efectuar chamadas de valor acrescentado. Quem é que falou em excedentários na Função Pública?
 
Mas Manuela Arcanjo diz mais:
 
“Temo que venhamos a ter a degradação do SNS que não é colmatado por oferta privada, à qual, aliás, os portugueses não tem dinheiro nem seguro de saúde para recorrer.”
“Há uma falsa relação causa-efeito. O sistema vaia aumentar a produtividade dos médicos em mais uma, duas horas de trabalho por dia? Têm bloco operatório disponível? Podem contar com uma equipa de trabalho?”
(Link aqui)
 
O que eu temo é que Manuela Arcanjo nunca tenha ido a um hospital público. Porque este é o discurso de quem nunca na vida lá pôs os pés, talvez por via do tal dinheirinho necessário para o privado, ou do seguro de saúde que os portugueses não têm e que Manuela tem. A coisa não se resume ao bloco operatório; isso é atirar areia para os olhos do povo, e mesmo assim só daquele povo que tem o tal dinheirinho e o tal seguro de saúde. Seria interessante saber a opinião de Manuela Arcanjo caso tivesse uma consulta marcada num qualquer hospital público para as 8 e meia da manhã e o médico chegasse às 10 ou até depois, com os consequentes transtornos para a sua vida privada e profissional. Depois multiplique isso por muitos mil e veja os reflexos na produtividade e na vida económica do país.
 

Haverá forma de colocar a Ordem na ordem?

por josé simões, em 14.07.07

O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou-se indignado por haver médicos que na questão do aborto, são objectores de consciência no sistema público, mas que não o são no privado. E disse estranhar que o Governo não tenha acautelado esta situação quando elaborou a Lei. Esta estranheza de Pedro Nunes soa mais a sacudir a água do capote da Ordem para cima do Governo. A Ordem tão lesta a ser juíz em causa própria quando lhe convém, e a assacar culpas a terceiros – o Governo ou outros – quando não lhe interessa. A Ordem não tem mecanismos para penalizar os filiados que, e até prova em contrário, se regem pela ética e pela moral dos cifrões? O que se assiste é que determinadas práticas são tacitamente aceites há muitos anos; quando caem no domínio da opinião pública, vem a Ordem, via bastonário, indignar-se e verter lágrimas de crocodilo. Vide os casos recentes dos professores com cancro. Eureka! A Ordem dos Médicos descobriu a injustiça e a ilegalidade na constituição das Juntas Médicas. Uma prática de que já é cúmplice desde os tempos de Marcello Caetano. Haverá forma de colocar a Ordem na ordem?   

Noções de ética

por josé simões, em 19.01.07
No princípio desta semana, Rui Rio, salvo erro nas páginas do Diário de Noticias, queixava-se dos elevados índices de absentismo na Câmara do Porto; tudo justificado por atestado médico. Quase todos os atestados, passados sempre pelos mesmos médicos. Rui Rio fez uma espécie de Top Ten dos médicos e, à cabeça da lista, surgia um médico que durante o ano transacto conseguiu passar uma média de 2 (dois!) atestados por dia.
Também há dois anos que a Câmara por si presidida, havia feito uma exposição desta situação, no mínimo insólita, à Ordem dos Médicos; e até hoje nada…
 
Ontem, notícia de abertura do telejornal na RTP1, um relatório da Inspecção-Geral da Saúde (IGS) que identifica os médicos que mais receitas passaram.
Também com num Top Tem elaborado, a IGS coloca no topo (disco de platina), um médico de Santarém que passou por dia mais de 100 (cem!) receitas, logo seguido pelo disco de ouro, do centro de saúde de Oliveira do Bairro com 95 (noventa e cinco!).
 
Também no mesmo telejornal e a seguir à peça, Pedro Nunes bastonário da Ordem dizia que isto não queria dizer absolutamente nada, que há sempre a possibilidade não descartável de haverem falsificações de receitas, através dum scanner ou duma fotocopiadora.
 
O objectivo da inspecção seria avaliar a existência de uma relação entre as acções de formação de médicos pagas pela indústria farmacêutica – os famosos congressos – e a prescrição de medicamentos.
 
“Não se vislumbra qualquer ligação anómala entre o seu perfil prescricional e a presença em acções de formação para os quais tenham recebido patrocínios financeiros dos laboratórios”
 
Conclui o relatório, fazendo as delicias da Ordem dos Médicos que pela voz do seu bastonário:
 
“Tal conclusão demonstra a qualidade ética e a técnica dos médicos portugueses”
 
Errado. É precisamente o contrário. O que o relatório demonstra é a falta de ética e de profissionalismo dos médicos referenciados.
No caso da cidade do Porto, vitima de uma virose ou estirpe gripal que afecta única e exclusivamente os funcionários câmararios; no caso dos centros de saúde do Top Ten, e o de Aveiro especificamente que só em 2005 conseguiu ter uma média de 4500 euros por dia em medicamentos, comparticipados pelo Estado.
 
Assim como para o Bastonário da Ordem também seja absolutamente natural, ético e profissional, um congresso de médicos na Patagónia (?!?), pago por um laboratório farmacêutico aos médicos que mais prescreveram medicamentos da marca, como noticiava em primeira página o Tal & Qual em Novembro do ano passado.