"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Um tal de Brian Krassenstein, "social media commentator and influencer", o que quer que essa merda signifique, lembrou-se de escrever no Xis que o novo mayor de Nova Iorque vai exigir a todas as escolas básicas o ensino da numeração árabe a todos os alunos, e que ele, como judeu americano está 100% de acordo. Já vai com mais de 20 mil comentários, cada um melhor que o outro, elevando este tweet ao Hall of Fame do Xis, desde o tempo em que se chamava Twitter, e mostrando urbi et orbi de que massa é feita a base MAGA. Vale a pena espreitar.
A cereja no topo do bolo era Trump anunciar que vai alterar, por decreto, com aqueles gatafunhos a marcador, a denominação de "numeração árabe" para outra merda qualquer que lhe passe pela cabeça,, como fez com o Golfo do México.
Zohran Mamdani é o princípio do fim dos democratas, porque se radicalizaram, perderam o centro e o caralho, e porque as pessoas, em geral, e os 'amaricanos', no particular, não gostam de radicalismos. Já Donald Trump é o princípio do fim dos democratas, porque se radicalizou, porque descolou do centro e o caralho também, e com isso começou a falar para as pessoas, esquecidas pelos democratas.
Que isto seja escrito nas redes e nas caixas de comentários por imbecis anónimos saídos dos bueiros da extrema-direita e da direita extrema é uma coisa, que isto seja dito nas rádios e televisões por jornalistas, analistas, politólogos, comentadeiros profissionais, pagos para dizerem merdas, é outra coisa.
Os comentários e as publicações nas redes são exactamente as mesmas de quando o Sadiq Khan ganhou a câmara de Londres, vírgulas e tudo, só mudou o nome e a latitude do vencedor. Até os bueiros de onde saem são os mesmos.
Há dois tipos profundamente chateados com as vitórias de Sadiq Khan em Londres e Zohran Mamdani em Nova Iorque: a direita e os fundamentalistas islâmicos. Vitórias que estragam a narrativa aos irmãos gémeos que se alimentam um ao outro pelo ódio.
«A lot of fantastic media has been created about the "Occupy" movement. I was watching one video in particular and commented to a friend, "Wow, seeing all those super smart hot chicks at the protest makes me want to be there." He replied, "Hmmm... Yeah, let's go with that."»
A questão de momento é que, tendo o movimento começado fora do “mundo ocidental” [Praça Tahrir, Cairo, Egipto] e sido posteriormente “importado” para a Europa [Puerta Del Sol, Madrid, Espanha] e daí alastrado timidamente a outras capitais europeias [Lisboa incluída] e só depois chegado aos Estados Unidos, saber se com o mediatismo e espectacularidade cinematográfica que os amAricanos colocam em tudo o que fazem para posteriormente “venderem” ao resto do mundo, vai implicar a “reinvenção e reimportação” do conceito e dar ao movimento, definitivamente, o impulso inicial que lhe faltou.
É que o mundo já não está dividido em dois blocos, os maus, aka os comunistas, de um lado, e os bons, aka as democracias, do outro; não há uma organização política a quem apontar o dedo nem sequer liderança instituída com quem negociar, e sabe Deus o temor que os políticos mainstream têm dos movimentos anónimos; nem o FBI tem um qualquer John Edgar Hoover a manobrar na escuridão. The Times They Are A-Changin'?