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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| Chico-espertismo

por josé simões, em 06.07.10

 

 

 

Em Novembro de 1998 o PSD de Marcelo Rebelo de Sousa “obrigou” o PS de António Guterres a levar a regionalização a referendo. Ganhou o “Não”. Mandam as regras da Democracia e o bom senso que, qualquer futura decisão, passe obrigatoriamente por um novo referendo. Já assim foi com a Interrupção Voluntária da Gravidez. O bom senso e as regras da Democracia, não o chico-espertismo de querer fazer passar a regionalização pela porta do cavalo com a criação de regiões-piloto. E depois da região-piloto estar há éne de anos a “pilotar”, e supondo que há novo referendo e volta a ganhar o “Não”, é suposto fazer-se o quê; acabar com a região?

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

Post-scriptum: O que é que têm sido até hoje a Madeira e os Açores, se não exemplos de regiões-piloto? Compreendo que sejam exemplos, principalmente no caso da Madeira - e até para o PSD longe do folclore Chão da Lagoa -, que não interessem trazer a debate…

 

 

|| Regionalização, autonomia e o “povo” das não sei quantas

por josé simões, em 26.06.10

 

 

 

«Nas últimas duas décadas, o país seguiu por caminhos divergentes. Em 2004, “Lisboa” (Lisboa e a Península de Setúbal) exibia um PIB per capita acima da média europeia (105, 8%); o Norte (os distritos acima do Douro) só chegava a metade (58, 8%). O Norte é hoje equivalente ao Sul italiano ou ao Leste alemão»

 

Muito bonito o raciocínio do historiador Rui Ramos no Expresso (sem link), não fora a manipulação, por via da omissão, dos factos uma “pequenina” falha na interpretação das aspirações autonómicas do “povo” do Norte, o que quer que isso signifique: Quer o Norte de Itália, quer a Catalunha, quer a Flandres quer mesmo a antiga Checoslováquia, com a separação entre a República Checa e a Eslováquia, querem/quiseram mais autonomia, e até a independência, pelo facto de serem as regiões mais ricas e desenvolvidas dos respectivos países. Ora se o “Norte” está a metade da média europeia, qual é o factor “invisível” nesta reivindicação regionaleira a cavalo do futebol? O leitor que tire as suas conclusões.

 

Nos anos 80, do encerramento de fábricas, do desemprego, da fome na Península de Setúbal, quando povo saiu para a rua com bandeiras negras numa tentativa de chamar a atenção para o fosso crescente entre os cada vez mais ricos e os cada vez mais pobres, no “Norte”, no Vale do Ave, o “povo do Norte” que sofria o mesmo flagelo na carne, entrevistado na rua dizia, com um encolher de ombros na abertura dos telejornais ,que o patrão - que tinha 10 Ferraris na garagem mas não pagava os salários ia fazer uma ano -, era um coitadinho vitima da crise e que não podia fazer nada e que o Estado isto e que o Governo aquilo. Povo do Norte. Povo do quê?

 

(Na imagem do filme Who Are You, Polly Maggoo, William Klein, 1966)

 

 

 

A Décima Cruzada

por josé simões, em 04.10.07

 

Andamos todos para aqui, daqui a nada faz uma semana, na ressaca das directas no PSD a discutir quem ganhou e quem perdeu, mais os barões, as elites e as bases; barrosistas, santanistas, cavaquistas e outros istas, quem é que é o legítimo herdeiro de Sá Carneiro; como é que vai ser a nova oposição e o líder da bancada parlamentar. Andamos a fazer figura de parvos é o que é! Porque o real significado desta vitória, no fundo resume-se a que ganhou o Norte que vai de imediato levar a cabo uma acção punitiva e disciplinadora sobre Lisboa, a começar pelo Bairro Alto, como se pode ler aqui e aqui.
 
Na foto, Luís Filipe de Menezes acompanhado da esposa, no momento exacto em que transpunham a fronteira em Rio Maior, a caminho de Lisboa à cabeça da Décima Cruzada.
 
Post-Scriptum: Naquela secção das setinhas, “a subir” e “a descer”, que é uso fazer-se nos jornais quando há eleições, só já falta aparecer Pinto da Costa como um vencedor das directas no PSD