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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

|| In Memoriam

por josé simões, em 01.11.13

 

 

 

Zé da Guiné

 

1959 – 2013

 

 

Foi por sua culpa que Setúbal, a pouco mais de 35 minutos de Lisboa, assistiu durante mais de metade da década de 80 a um autêntico êxodo da sua população mais jovem em peregrinação ao Bairro Alto e ao Cais do Sodré durante as noites de fim-de-semana. Foi por sua culpa que nasceu a movida nocturna setubalense como resposta dos empresários, que não havia, da noite que não havia, ao autêntico filão que lhes escapava de dentro de portas e por entre os dedos. Foi por sua culpa que conheci o Souk e o Rock House e o Frágil, e mais tarde o Sudoeste e os 3 Pastorinhos e outros que me escapam agora os nomes, e que conheci gentes e tribos que só se viam nas revistas dos bifes, e que ouvi músicas e bandas que não me passava pela cabeça que pudessem sequer existir. Foi por sua culpa que se deu o boom da moda e a moda do "estilista" em Portugal. Foi por sua culpa que tive acesso ao backstage das Manobras de Maio, depois de uma breve conversa numa taberna na Rua da Rosa onde o encontrei encostado ao balcão de chapéu à Búfalo Bill na cabeça. E isto não é pouca coisa e só por isto já valeu a pena. Obrigado.

 

 

 

 

 

 

|| Zona J (*)

por josé simões, em 26.12.09

 

 

 

Uma vez, e a propósito do estigma do ghetto, li qualquer coisa saído da pena de um desses “sociólogos da inclusão” que por aí pululam, sobre a diferença entre morar no bairro da Bela Vista e o Bairro da Bela vista morar em quem lá mora.

Não explicava era como é que as duas “realidades” tinham vidas autónomas. Mas isso agora também não interessa nada.

 

(*)

 

(Na imagem October 1943, Washington, D.C. Boys watching the Woodrow Wilson high school cadets. Photo by Esther Bubley, Office of War Information)

 

 

 

10 anos

por josé simões, em 29.09.08

 

Parece que foi ontem Rui. Parabéns.

 

 

 

Fast Foward

por josé simões, em 30.08.08

 

Está para ali um gajo a passar a impressão digital no vinyl até às 6 da manhã para animar as hostes. À roda do Detroit-techno-techno minimal-Carl Craig-Wagon Repair-Paul Ritch-e afins. Tarefa ingrata apesar de ser sexta-feira num sitio onde para o publico Franz Ferdinand já parece música de betos. E é chegar a casa e é dormir à pressa e tomar um duche e (heresia suprema!) (des)fazer a barba e ir a correr desalvorado pela A2 a fora para o baptizado do filho do amigo a que não se pode dizer não, ainda para mais quando é primo. E chegar lá todo endrominado a precisar de beber com urgência litro e meio de Água das Pedras e três cafés duplos, com os olhos que mais parece um cherne com 15 dias de gelo, e apanhar com um padre – no mínimo estranho – com uma palestra levada da breca, daquelas que nunca me lembra de ter ouvido em todos os dias da minha vida. Um padre num baptizado, sem nunca "ir" ao Novo Testamento e a evocar “heróis” do Antigo Testamento; o Rei Salomão, o rei David, o profeta Elias, e o profeta Isaías também. Foda-se que esta para mim é novidade. Um padre “judeu” não lembra nem ao rei Herodes!

E depois a parte mais tramada – era para ter escrito “a parte mais fodida”, mas achei que ficava mal –, um gajo que não acredita em nada e que até faz gáudio – era para escrever “profissão de fé” mas achei que ficava mal -  em ser agnóstico militante, apesar de não se meter a moer o juízo aos outros em tentativas de conversão à sua fé (já está!); tem de jurar e prometer, numa igreja que parecia saída do decor duma telenovela da Globo, educar o afilhado na fé cristã. A isto chama-se um bico-de-obra, um trabalho do caralho! Ter de repente de ser dois em um. De noite um boémio desgraçado do arco-da-velha que não perde uma, e de dia vestir um heterónimo de fiel a Cristo e à Lei de Deus e ainda por cima em caso de desgraça dos pais do afilhado – lagarto, lagarto, lagarto! – ter, sob promessa, de educar o puto segundo os princípios da Santa Madre Igreja. Foda-se!

Salvou-se o almoço!

 

(Foto roubada no Le Soir)

 

 

 

Auto-promoção (e amiguismo)

por josé simões, em 12.06.08

 

Noite techno, minimal e techno/ minimal; “massive attack” a Setúbal.

É já depois de amanhã no Clube do Rio (frente à lota de Setúbal).

 

O amiguismo:

Na pista “de baixo” estão os D. O. T. em live act, seguidos do Pedro Goya e do Roger Martins.

 

 

 

A auto-promoção:

Na pista “de cima”, eu e a Susana num after-hours a começar às 5 a manhã.

 

 

 

Vemo-nos lá!

 

 

 

O “elo mais fraco”

por josé simões, em 27.01.08

 

Li nos jornais, logo pela manhãzinha, que tinham assaltado uma discoteca / bar; das “da moda”. Daquelas onde param as “galinhas” das capas das revistas. Daquelas que pagam à socialite para aparecer na esperança que os / as totós encham a casa, na esperança de também serem fotografados (as). Daquelas que passam música comercial, tipo RFM. Daquelas que quando o dj se estica um bocadinho mais vai invariavelmente parar ao house pimba. À vossa atenção putos, como dos sítios pouco recomendáveis. Adiante.
 
À hora do almoço vejo no telejornal um dos sócios da baiuca dizer que os bandidos acederam ao cofre porque pressionaram de forma extremamente brutal a única mulher presente durante o assalto. Nas suas palavras, pressionaram “o elo mais fraco”.
 
O elo mais fraco”?! E ninguém diz nada? Ninguém se indigna? Ninguém protesta? Sou eu, humilde macho latino que tenho de vir aqui para o blogue teclar contra esta manifestação do mais básico machismo; em directo, via televisão, ainda por cima sendo que o repórter era uma repórter!?
 
Para o sócio gerente da baiuca-galinheiro que dá pelo nome de BBC, aqui fica uma oferta minha, do fundo do coração.
 
(Foto roubada no Le Fígaro)
 
 

Noite, Mafias e outras criminalidades (III)

por josé simões, em 31.08.07

 

Como já aqui havia oportunamente sido referido, a solução para a onda de criminalidade que assola a chamada diversão nocturna, com os casos mais ou menos graves que com inusitada regularidade vão fazendo as primeiras páginas dos jornais e as aberturas dos noticiários nas televisões; desde agressões de seguranças a confrontos entre gangs, passando, agora nesta última fase, pelo assassinato de proprietários de casas, não passava por colocar mais Polícia nas ruas – a ladainha preferida da Direita em tudo o que diga respeito ao crime e à violência –, uma vez que a Polícia já lá se encontra, à porta e no interior das próprias discotecas ou bares.
 
Ontem veio o presidente da Associação Sócio-Profissional da PSP, Paulo Rodrigues, dizer com o ar mais cândido do mundo que a associação por si presidida vai pedir à direcção nacional que investigue o eventual envolvimento de polícias neste esquema das seguranças; revelando que a ASPP “tem recebido informações, não só do Porto, mas de vários outros pontos do país, de que haverá vários polícias ligados à segurança privada” (ler mais aqui). Pois. Toda a gente sabia – proprietários, clientes, polícias que fazem as rondas e as patrulhas – excepto a ASPP, vá-se lá saber porquê…
 
Até já andava admirado por esta ladainha ainda não ter sido rezada!
 
As questões que gostava de ver respondidas da parte de Paulo Rodrigues e Ernesto Peixoto Rodrigues são:
. – Acaso os futuros candidatos a agentes da autoridade (PSP, GNR e PJ) não têm o conhecimento prévio das condições de trabalho, das regalias, e das remunerações que vão usufruir nas corporações?
. – Dando de barato que não têm esse conhecimento; é justificável que para tentar compor o salário se recorram a meios que roçam a ilegalidade e a criminalidade? E esta é uma pergunta válida para qualquer cidadão.
 
Aqui a questão passa a ser outra: a da ausência de valores. Entrar num campo onde o único valor que vale é o "vale tudo" - desde que renda euros. De preferência fáceis.

Noite, Mafias e outra criminalidade (II)

por josé simões, em 30.08.07

Pegando ainda no tema da insegurança na noite portuense no particular, mas projectando-o para a generalidade da noite nas grandes urbes em Portugal.
 
Hoje, e segundo o Público «Um elemento próximo da família da Aurélio Palha (…) explicou que a família deseja resguardar-se ao máximo – inclusive de declarações aos órgãos de comunicação social – porque eles próprios também não percebem o que é que levou à morte de Aurélio Palha, nem com quê ou com quem estão a lidar.»
 
A ver se percebo o que a família do “malogrado” (como se usa na imprensa regional) Aurélio Palha não percebe: Em meia-dúzia de anos, de segurança a dono de um império que inclui uma rádio, «deixando em herança um património avultado e alguns carros de topo de gama, como um Ferrari e um Porsche Cayenne.» (Público). Qual é a parte que a família não percebe?
 
«Este interlocutor criticou ainda as leis portuguesas por, na sua opinião, serem favoráveis aos criminosos.» (também no Público). Tem toda a razão o “elemento próximo da família da Aurélio Palha”, como anteriormente aqui havia sido escrito, isto não é um caso de Polícia, é um caso de Finanças, vulgo Fisco.
 
Identifique-se e seja (m) levado (s) a julgamento o (s) responsável / responsáveis pelo assassinato de Aurélio Palha, é o mínimo que se exige; é o caso de Polícia. Investiguem-se todos os Aurélios Palha deste país, e as suas ascensões meteóricas. E, mais importante, sejam criados mecanismos de controlo e prevenção a futuros candidatos a “empresários” da noite; é a parte que cabe ao Fisco.
 
Adenda: Ainda sou do tempo – como no spot publicitário – em que ser “empresário” era sinónimo de criador de emprego e bem-estar para uma comunidade.

Noite, Mafias e outra criminalidade

por josé simões, em 29.08.07

 

E de repente, como que por artes mágicas, todos os partidos do leque parlamentar descobriram a criminalidade associada à noite, e, da esquerda à direita, de um extremo ao outro das bancadas em S. Bento, vêm todos ao terreiro exigir medidas para pôr cobro à situação.
 
Não estranho que à direita, pelas vozes de Agostinho Branquinho (Distrital do PSD/ Porto), Nuno Magalhães (CDS/ PP) ou Luís Filipe Menezes, se venha pedir o reforço das medidas de segurança que passa inevitavelmente por mais polícias na rua – de preferência um polícia para cada perigoso noctívago. É a receita habitual da direita: polícia, muita polícia, quanto mais polícia melhor. Estranho é que a esquerda, habitualmente mais desconfiada nestas coisas de polícias, alinhe pelo mesmo diapasão e, faça suas, as mesmas exigências e reivindicações que a direita-policial (vejam-se as declarações do presidente socialista da Câmara de Matosinhos, do vereador comunista na autarquia do Porto, Rui Sá, e até um “insuspeito” bloquista: Teixeira Lopes).
 
Estou frontalmente contra estas exigências. Repugna-me a ideia de um Estado policial. Não quero viver num País com um polícia em cada esquina como na Roménia de Ceucesco.
 
A solução para este tipo de problemas que começaram a ter mais visibilidade com o caso Mea Culpa em Amarante, não passa por colocar mais polícia na rua; os polícias já lá estão, à porta das discotecas e bares, no interior dos estabelecimentos, onde eles próprios exercem as funções de seguranças, em part-time e horários pós-laborais.
 
A solução para este tipo de problemas – falo com a autoridade adquirida em mais de 20 anos de actividade ligada à noite (dj) –, sejam eles no Porto, Setúbal, Lisboa, ou outra qualquer localidade de Portugal, chama-se Finanças, vulgo Fisco. Investigar como se fazem e desfazem sociedades e fortunas ligadas ao negócio da noite, cujo caso do recém assassinado proprietário da discoteca Chic é exemplar: Em meia-dúzia de anos – literalmente – de segurança a dono de um império que inclui até uma rádio! Depois os seguranças mais os tráficos de drogas vêm por acréscimo; são os chamados fait-divers, apesar de estarem intimamente ligados ao chamado “negócio da noite” e funcionarem em círculo fechado – um leva ao outro, e assim sucessivamente. Da mesma forma que não se começa a construir uma casa pelo telhado, que é parte integrante da casa; não se começa a investigar o negócio da noite pelos seguranças e pelos dillers, malgrado alguns terem sido o embrião dos outros.
 
Pelos vistos o “ÍdoloPaulo Macedo tem “pés-de-barro” e andou a dormir na forma e no conteúdo nalgumas áreas que eram sua responsabilidade.
 
Ao PSD fica-lhe mal, muito mal, vir assacar culpas ao actual executivo pelo clima de insegurança que se vive na noite – e neste particular do Porto –, quando já teve várias oportunidades de pôr ordem na coisa e nunca o fez nos sucessivos governos em que participou, quer sozinho, quer em coligação; uma delas de ouro, por via de um ex-líder e ex-primeiro-Ministro habituée nestas lides e que tinha / tem necessariamente o conhecimento de como as coisas se processam.
 
Mas os bares e as discos das elites são muito mais higiénicas e exclusivas, blindadas ao exterior. E enquanto o azar não bater à porta de um qualquer novo Stones, Bananas ou outro K qualquer, vai tudo ficar na “paz dos deuses”, até que noutra qualquer cidade portuguesa, outro Aurélio Palha por via da sua morte, fornecer mais “palha” para alimentar aos media e a indignação da classe política.

A Bela e o mestre e o meu blogue

por josé simões, em 16.03.07

 Quem me conhece sabe que sou uma pessoa ligada à noite, quer profissionalmente – como dj – ou, simplesmente quando estou “de folga”, sair para jantar com os amigos e pôr a conversa em dia, ir a um bar ou a uma discoteca, beber uns copos, ouvir umas músicas.

 

Um dos factores que me levaram a meter nesta odisseia de construir e manter um blogue, resulta directamente dessa minha actividade. Ir contra a ideia pré-estabelecida que o “pessoal da noite” não se preocupa, é fútil e ignorante, quando não, mesmo burro.

 

Andava eu imbuído do espírito de missão inerente a esta minha nova tarefa, quando recebo um golpe duro e profundo. Falo do novo reality show da TVI: A Bela e o Mestre. Para os mais distraídos destas coisas resumo: A ideia passa por colocar 8 (na gíria noctívaga) bacalhaus dentro de uma casa, durante 9 semanas, com o objectivo de partilhar um prémio de 100 mil euros com o seu partenair – o homem que fará de seu mestre.

Elas são obrigatoriamente bonitas, boas como o milho, mas burrinhas; eles feios que nem cavalos, mal feitos mas inteligentes.

 

Num dos programas o teste consistiu em fazer passar num ecrã as imagens de Fidel Castro, Bocage, Zapatero, Gorbatchev, Maria de Lurdes Pintasilgo entre outros, e – pasme-se! - nenhum dos bacalhaus os conseguiu identificar. Pura e simplesmente não sabiam quem eram! Uma das meninas consegue por fim reconhecer – heresia suprema – uma imagem dos Beatles e, perante tamanha demonstração de inteligência e kultura (sim com K, não me enganei), o apresentador pergunta: “Então o que está aqui a fazer?”

 

O meu problema não é com o programa. Gente burra e inculta sempre houve e sempre haverá – e a fazerem-se de, para ganhar umas coroas, ainda mais. O meu problema não é tão pouco com os homens feios ou com as mulheres burras, loiras ou não – no programa até existem ruivas e morenas; mais burras que as loiras. O meu problema nem sequer é com a condição, o género ou com a forma que o embrulha. O meu problema, e que abalou seriamente as convicções que estiveram subjacentes à construção deste blogue, prende-se com o curriculum vitae das concorrentes. Vejamos:

 

- Liliana Mendes, 22 anos: barmaid numa discoteca.

- Sandra Ferreira, 24 anos: barmaid numa discoteca.

- Vera Lapa, 22 anos: barmaid.

- Telma Mateus, 22 anos: trabalha numa discoteca.

- Sofia Costa, 18 anos: barmaid.

 

Num universo de 8 presumíveis/ pretensas burras, 5 trabalham na minha área! Não há coração que aguente…

 

Provérbio do dia: “Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.” E com esta me vou.