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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Propinas desde a hora do nascimento

por josé simões, em 09.01.20

 

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Quem tem, ou já teve, filhos pequenos, como sói dizer-se, sabe o que é pagar pelos anos de creche e infantário com se de propinas de universidade privada se tratasse. Isso ou em casa dos avós ou à solta na rua. E quem tenciona ter filhos também o sabe. E se calhar ajuda. A não os ter. E a grande "reforma estrutural" que falta fazer, depois da dos passes sociais, é o acesso gratuito a creches e infantários, isto sim um verdadeiro incentivo à natalidade, nada daquelas acções manhosas de propaganda, como os cheques-para-isto e os cheques-para-aquilo ou os abatimentos em sede de IRS.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 01.07.18

 

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Cavaco Silva: Os poderes públicos têm que criar condições para que os casais tomem a decisão de ter mais filhos. Isso é fundamental para a identidade do futuro do nosso país, não é com autoestradas, gimnodesportivos ou clubes de futebol.

 

[Imagem]

 

 

 

 

||| E se fossem gozar com quem vos talhou as orelhas?

por josé simões, em 30.07.15

 

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Página 7 do programa eleitoral da coligação Portugal à Frente:


«É necessário sobretudo encontrar soluções, tendo em conta que os estudos demonstram que os portugueses gostariam de ter mais filhos, mas sentem muitos obstáculos à concretização desse desejo [...].»


«Por nossa iniciativa, foi promovido um amplo debate em redor das questões da natalidade, que permitiu a apresentação de um conjunto de medidas legislativas, quer na Assembleia da República, quer no Governo [...]»


«O caminho está iniciado, mas é necessário ir mais longe, levando à prática medidas adicionais que removam os obstáculos à natalidade que favoreçam a harmonização entre a vida profissional e a vida familiar, que permitam uma participação efetiva dos pais na vida dos filhos, nomeadamente no que toca ao acompanhamento do seu percurso escolar, que melhorem os apoios à primeira infância [...]»


Assim, como a baixa natalidade é um problema nacional, como os portugueses gostariam de ter mais filhos e até há estudos que o comprovam e tudo [vejam só!], depois de se aumentar o horário de trabalho, diminuir os dias de férias e de descanso, cortar os salários e aumentar a carga fiscal, precarizar as relações laborais, reduxir ou até eliminar a prestação do Abono de Família, «o objectivo é claro: queremos um Estado mais amigo das famílias e que se oriente pela preocupação de remover os obstáculos à natalidade», resolvemos abrir as creches 24 horas por dia para assim os pais poderem desatar a fazer filhos à vara larga pois sabem que podem ficar nas fábricas, nos escritórios, nas limpezas, nas colocações de trabalho temporário, nos bancos e empresas privadas, com 12 e mais horas de carga laboral sem direito a remuneração do trabalho extra, nos estágios e nas acções de formação profissional, descansadinhos da vida de sol-a-sol porque sabem que os filhos estão na creche, de sol-a-sol, em boas mãos, nas mãos das IPSS’s pagas com o dinheiro do contribuinte.


Página 8 do programa eleitoral da coligação Portugal à Frente:


«Facilitar uma maior flexibilização dos horários das creches. A maioria das creches pratica um horário das 8h às 19h, nem sempre coincidente com as necessidades das famílias. Assim, propomos a majoração dos acordos de cooperação para as creches que anteciparem o horário de abertura ou adiarem o horário de encerramento, como forma de promover um apoio reforçado e mais compatível com as necessidades das famílias e dos seus horários de trabalho.


E se fossem gozar com quem vos talhou as orelhas?


[Imagem de Vivian Maier]

 

 

 

 

||| O sonso

por josé simões, em 24.02.14

 

 

 

Uma das grandes artes, imagem de marca, de Pedro Passos Coelho é a de conseguir dizer uma coisa, com a cara mais preocupada do mundo, e fazer exactamente o seu contrário sem sequer pestanejar, e continuar e continuar e continuar a fazer e a desdizer-se sem sequer corar.

 

O último exemplo com que nos brindou foi o da nomeação do senhor Joaquim "da Católica" [a Fernanda explica porquê] para presidir à comissão que vai descobrir a fórmula físico-química da mulher a parir até fechar a fábrica, porque os católicos "da Católica" não fazem isto por menos, apesar dos estudos estarem há já muito feitos, com as causas identificadas e com soluções definidas.

 

E o que nos dizem os especialistas com trabalho feito, e com exemplos concretos de sucesso noutros países mda Europa, mas que têm contra si o facto de não serem "da Católica", é que «não é possível aumentar a natalidade sem intervir fortemente nas leis que regulam o mercado de trabalho. "O desemprego jovem, que afecta as pessoas em idade de ter filhos, a precariedade e a incerteza em relação não só ao trabalho mas também ao futuro condiciona e muito o projecto de ter filhos"» e que é necessário «reduzir o horário de trabalho, proporcionar maior estabilidade nos vínculos profissionais e fazer diminuir o stress que pais e mães acusam por sentirem que não têm tempo para os filhos, o que lhes causa culpa e frustração e os impede de avançar para o projecto de terem mais filhos», tudo coisas que encaixam na tal arte de Pedro Passos Coelho de dizer uma coisa, com a cara mais preocupada do mundo, e fazer exactamente o seu contrário sem sequer pestanejar.

 

Ao sonso só lhe faltou perguntar "por que é que nascem tão poucas crianças? O que é preciso fazer para que nasçam mais crianças em Portugal?" e rematar com "eu não acredito que tenha desaparecido nos portugueses o entusiasmo por trazer novas vidas ao Mundo".

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

 

 

||| Ele tem um plano e nós bem que o compreendemos

por josé simões, em 23.02.14

 

 

 

 

Nos idos em que as mulheres não iam à escola e os homens, os que iam, iam só até à 3.º classe, televisão nem vê-la, rádio só a pilhas e para ouvir o relato, sem idas ao teatro ou ao cinema, trabalhar de sol a sol, 7 dias por semana, 365 dias por ano, sem salário mínimo, nem contratação colectiva, nem sindicatos, nem Serviço Nacional de Saúde nem Segurança Social, os casais tinham 6, 8, 10 filhos, quer dizer, as mulheres pariam 6, 8, 10 filhos, e ficavam em casa a tratar da roupa e do jantar, quando havia, e os putos, com o ranho pelo nariz, descalços e com roupa remendada, enquanto não herdavam a roupa remendada dos mais velhos, que iam à escola até à 3.ª classe, os que iam, e voltavam rapidamente, e em força, para trabalhar ao lado do pai para compor o orçamento familiar, até casarem com mulheres que pariam 6, 8, 10, filhos e ficavam em casa, sem saber ler nem escrever, a tratar da roupa e do jantar, quando havia. Ou fugir para a emigração para fugir a um futuro sem futuro. Qualquer semelhança é pura coincidência, como nos filmes amaricanos.

 

 

Daí o aumento do desemprego, quem não tem dinheiro não tem vícios, e não precisa de cultura nem de lazer para nada enquanto desempenha o papel que lhe atribuíram de força de pressão sobre os que ainda vão mantendo o trabalhinho. Trabalhar com fé é dever sagrado, como na canção.

 

Daí a baixa de salários no sector público, e no sector privado por via das alterações ao Código de Trabalho em favor da rigidez patronal, e quem ganha pouco tem de se governar com pouco e quem não tem dinheiro não tem vícios.

 

Daí o aumento do IMI a onerar ainda mais o orçamento familiar, reduzido pelos sucessivos cortes e taxas e impostos, e a desincentivar a compra de casa própria porque o sentimento de propriedade é pernicioso à sociedade que se quer subserviente e respeitadora das hierarquias, numa sociedade liberal governada por uma direita defensora da… propriedade privada.

 

Daí a exclusão do subsídio de férias e de Natal para o cálculo dos apoios à maternidade e a atribuição do abono de família de modo a que é preferível não receber abono algum porque é sinal de que se não desceu mais um andar no “elevador social”.

 

Daí as propostas da jota que é democrata e cristã para que se baixe a escolaridade obrigatória.

 

 

Ele tem um plano e nós bem que o compreendemos e nem precisamos de esperar por nenhum Joaquim da Universidade Católica, basta perguntar aos nossos pais ou aos nossos avós das recordações que guardam do plano para o aumento da natalidade.

 

 

 

 

 

|| Poesia

por josé simões, em 29.06.11

 

 

 

Ora então deixa-me lá ir ali fazer uma catrefa de filhos porque tenho benefícios e isenções fiscais e incentivos para morar em zonas de baixa densidade populacional.

 

Até às primeiras décadas do séc. XX as famílias, sem abonos, isenções e incentivos fiscais, tinham 8, 10, 12 filhos, em zonas de baixa e alta densidade populacional. Foi há 100 anos. Um pormenor para a Associação Portuguesa de Famílias Numerosas. (E para o Governo).

 

(Imagem de autor desconhecido)

 

 

 

 

 

|| Obrigado

por josé simões, em 26.10.09

 

 

 

Obrigado professor João César das Neves por nos explicares que: (I) se o aborto continuar a ser praticado clandestinamente e sem condições de higiene e segurança; (II) se o divórcio for, não digo proibido mas dificultado; (III) e que se o casamento entre pessoas do mesmo sexo for proibido; a nossa taxa de natalidade dispara por aí acima para índices só possíveis de encontrar em alguns países de África e da América Latina.

 

(Imagem de Delphine Michelangeli fanada no Liberation)

 

 

|| € 200

por josé simões, em 30.07.09

 

 

 

Partindo do princípio que a preocupação maior dos candidatos a pais é o que fazer quando o(s) filho(s) atingirem a idade de votar, e não o pós-parto,  mais o pediatra e os medicamentos e as papas e as fraldas  e as roupas e calçado que deixam de servir a cada 15 dias, e mais o berçário e o infantário e ainda as mensalidades, mais caras que propinas universitárias, e é melhor ficar por aqui, nas margens da entrada para a escola básica; € 200 - duzentos euros - € 200 parecem-me uma exorbitância.

 

Vou aqui acertar contas com a mãe dos meus filhos e ainda hoje vamos tratar de começar a aumentar a prole. A bem da Nação.

 

(Imagem fanada no La Repubblica)

 

Adenda: Se há coisa que me chateia é quando as elites partidárias nos tomam a todos por estúpidos.