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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Duas vezes o mesmo livro no mesmo dia

por josé simões, em 08.05.19

 

 

 

Afinal o copo não era Starbucks. Se fosse uma lata tinha sido Coca-Cola. Ou artefactos que já deixaram de ser marca e passaram a sinónimos. Uma Gillete é um deles. E a Coca-Cola é uma coca-cola por mais que a Pepsi se esforce.

 

As marcas e as multinacionais no campus, a propósito da ligação da universidade às empresas ou dos cortes orçamentais que estrangulam o ensino e empurram a academia para fontes alternativas de financiamento. Coca-Cola: Empresa tem várias cláusulas com universidades que lhe permite suprimir estudos desfavoráveis.

 

Quem nunca leu ainda vai a tempo.

 

[A imagem é minha]

 

 

 

 

A Página 161 Reloaded

por josé simões, em 09.11.07

 

A Sofia do blogue Defender O Quadrado (a propósito, bom nome para um blogue!) desafiou-me para a cadeia da Página 161. Acontece que O Mário já me tinha passado essa bola há uns tempos atrás… No entanto aqui fica a Página 161 agora em versão Reloaded:
 
 
 
No Logo – O Poder as Marcas
Naomi Klein
Relógio D’Água – Julho de 2002
 
Reza assim a 5.ª frase completa, na página 161:
 
“O que realmente interessa é que agrupamentos de lojas, como as grandes superfícies, são uma estratégia competitiva da venda a retalho que só é opção para uma grande cadeia que possa suportar prejuízos nas lojas individuais para atingir um objectivo de marca mais vasto, a longo prazo.”
 
Estive quase tentado a ficar por aqui; até porque já tinha metido uns quantos na alhada da última vez que me passaram a bola. Mas pensando melhor, e só por mera curiosidade, nada de malícias (!), gostava que o Menino Guerreiro, o Júnior, o Irmão do Outro e o Provedor da Blogosfera dissessem de sua justiça. Bom fim-de-semana!
 
(Na foto, fanada no El Mundo, o manuscrito original do Citizen Kane. Confesso que não sei se é a página 161…)
 
 

A página 161

por josé simões, em 13.09.07
Estava para aqui descansado no remanso da net , quando sou “assaltado” por uma proposta do All Around . Mário, não me interpretes mal, mas esta esteve quase para ser arquivada numa secção que tenho e que dá pelo nome de “Casos Perdidos”. No entanto, como tinha mesmo aqui em cima da secretária um livro de que me socorri para este post , e que por preguiça minha ainda não tinha regressado ao seu lugar de parqueamento até nova necessidade de consulta, aqui fica o resultado:
 
No Logo – O Poder as Marcas
Naomi Klein
Relógio D’Água - Julho de 2002
 
Reza assim a 5.ª frase completa, na página 161:
 
“O que realmente interessa é que agrupamentos de lojas, como as grandes superfícies, são uma estratégia competitiva da venda a retalho que só é opção para uma grande cadeia que possa suportar prejuízos nas lojas individuais para atingir um objectivo de marca mais vasto, a longo prazo.”
 
Desta vez vou passar a bola para uns camaradas bloguistas que param lá pelo Sol. São eles: a Kiki ; o Meia de Leite; o Blue Water 68; o Contra a Corrente; e a Annnna. Façam-se à vida que desta já me livrei!

“Os produtos são feitos nas fábricas, as marcas são feitas na mente”(*)

por josé simões, em 05.09.07

A propósito desta notícia, comentada aqui, aqui , aqui, e ainda aqui recupero um excerto da obra da jornalista canadiana Naomi Klein, No Logo, editada em Portugal pela Relógio D’Água Editores, Julho de 2002.
Qualquer semelhança com a nossa actualidade é mera coincidência.
 
Capítulo Quatro
A Aprendizagem Das Marcas – Anúncios nas escolas e nas universidades
 
“Embora as marcas pareçam estar em toda a parte – em concertos para jovens, ao lado deles no sofá, em cima do palco com os seus heróis, nos seus grupos de conversa on-line (chat groups) e nos campos de jogos e nas quadras de basquetebol – houve durante muito tempo uma grande fronteira juvenil que resistiu às marcas: um lugar onde os jovens se reuniam, falavam, fumavam às escondidas, namoravam, formavam opiniões e, de forma ainda mais provocadora, ostentavam estilos durante horas a fio. Esse lugar chama-se escola, E, claro, as marcas tinham que entrar nas escolas.
«Todos concordarão que o mercado juvenil é uma fonte inexplorada de novos rendimentos. Concordarão igualmente que o mercado juvenil passa a maior parte de cada dia dentro das escolas. Agora o problema é: como é que chegamos a esse mercado?» pergunta uma típica brochura tantalizante a Quarta Conferência Anual de Power Marketing Juvenil.
 
(…)
 
(…), apesar dos seus visuais actualizados e pretensões intelectuais, as marcas e os seus guardiães continuavam a estar no lado errado do portão da escola, uma situação absolutamente intolerável e que não podia continuar. O consultor americano de marketing Jack Meyers descreveu este insuportável descuido desta forma: «A opção que temos neste país (EUA) é o nosso sistema educativo entrar na era electrónica e comunicar com os alunos de formas que eles possam «compreender e com as quais se possam relacionar. Ou então as nossas escolas continuam a usar formas ultrapassadas de comunicação e a tornar-se durante o dia prisões para milhões de jovens, como já aconteceu nas zonas mais degradadas das nossa cidades.» Este raciocínio que articula cruamente o acesso das empresas às escolas com o acesso às novas tecnologias e, por extensão, ao próprio futuro, está no centro da estratégia das marcas para, no decurso de apenas uma década, quase eliminarem a barreira entre a publicidade e a educação. Foi a tecnologia que conferiu uma nova urgência à crónica falta de fundos dos anos noventa: ao mesmo tempo que as escolas enfrentavam cortes orçamentais cada vez mais profundos, os custos de uma instrução moderna subiam de forma acentuada, forçando muitos educadores a procurarem ajuda junto de fontes alternativas de rendimento. Sob a influência da vaga das tecnologias de informação, esperava-se subitamente que as escolas que não conseguiam fornecer manuais escolares actualizados dessem aos ses alunos equipamento audiovisual, câmaras de videi, computadores nas salas de aula, capacidade para a edição electrónica, os mais recentes programas de software educativo, acesso à Internet – e até, em algumas escola, vídeo-conferência.
(…) Neste contexto, as parcerias empresariais e os acordos de patrocínio pareceram a muitas escolas, particularmente em zonas mais pobres, a única saída possível deste impasse de alta tecnologia. O raciocínio é o seguinte: se o preço da modernidade é abrir as escolas à publicidade, então os pais e professores terão que suportar isto com filosofia.
O facto de cada vez mais escolas estarem a voltar-se para o sector privado para financiarem a aquisição de tecnologia não significa que os governos estejam a abdicar do seu papel de fornecedores de computadores às escolas públicas. Bem pelo contrário. Cada vez mais políticos têm como uma das principais promessas para os seus programas eleitorais um computador por aluno, muito embora o façam em parceria com empresas locais. Mas neste processo os órgãos de gestão das escolas estão a retirar dinheiro a programas como educação musical ou física para financiar este sonho de alta tecnologia – e também aqui estão a abrir a porta a patrocínios empresariais e a formas directas de promoção as marcas, (…).
À medida que as companhias de fast-food, de equipamento desportivo e de informática tratam de preencher este vazio, levam consigo programas educativos próprios. Tal como acontece com todos os projectos de desenvolvimento das marcas, não basta afixar alguns emblemas nas escolas. Tendo conquistado uma base de apoio, os gestores das marcas estão agora a fazer aquilo que já fizeram na música, no desporto e no jornalismo fora das escolas: tentam dominar o anfitrião, ser o centro das atenções. Lutam para que as suas marcas se tornem não um acrescento, mas o tema da educação, não um programa opcional, mas obrigatório.
È claro que as companhias que derrubam o portão da escola não têm nada contra a educação. Os alunos devem obrigatoriamente aprender, dizem elas, mas por que não hão-de ler acerca da nossa companhia, escrever acerca da nossa marca, pesquisar as suas próprias preferências de marca ou desenvolver imagens para a nossa próxima campanha publicitária? Estas marcas parecem acreditar que ensinar alunos e construir uma consciência de marca são duas facetas do mesmo projecto. (…)”
 
(*) Walter Landor, presidente da Agência de Desenvolvimento de Marcas Landor

 

Natal na Europa

por josé simões, em 31.10.06

Decididamente a tradição já não é o que era.

Qual Pai Natal vestido de vermelho no seu trenó puxado por renas. Isso são memórias distantes…

O Pai Natal não mora na Lapónia. Mora na China e não vem de trenó, vem de barco.

 

O maior porta-contentores do mundo – Emma Maersk 3 – passa esta semana ao largo da costa portuguesa, rumo ao porto britânico de Felixtowe e a bordo leva 11 mil contentores com o Natal dos Europeus.

Segundo o jornal The Guardian , 1. 886. 000 decorações de Natal, 12. 800 leitores de mp3 , 40. 000 pilhas recarregáveis, 150 toneladas de borrego da Nova Zelândia, 150 caixotes de malas de mão de senhora, 334 caixotes de misturadores de cocktails, 9. 000 pares de sapatos de ténis, 87. 150 desfrisadores de cabelo, 2. 120 caixotes de livros, 138 mil latas de comida para gato, 22 toneladas de chá e 10 toneladas de mexilhão, entre outros.

Destes 11 mil contentores, três mil seguem para outros destinos na Europa.

Se juntarmos a este gigante dos mares, mais 33 mil contentores saídos diariamente do porto chinês de Yentian , em barcos mais pequenos, ficamos com uma ideia da dependência Europeia em relação à China nesta matéria.

 

É a globalização, estúpido! Dirão alguns. Mas é muito mais que isso, é o lado negro, a face oculta da globalização.

É o desemprego na Europa, pela deslocalização das fábricas para a China e outros países do Oriente, pela mão-de-obra muito mais barata.

E é também a exploração desregulamentada dessa mão de obra, pelo facto de nesses países não existirem leis de trabalho, contractos colectivos ou segurança social e ser absolutamente natural trabalhar doze ou mais horas por dia, 8 dias por semana, 30 dias por mês, 12 meses por ano, com salários que podem rondar os 75 cêntimos por hora!

E se a isto acrescentarmos a exploração / pilhagem desenfreada dos recursos naturais, mais o desrespeito total pelo meio ambiente, o cenário é muito, mas mesmo muito pouco colorido para a época natalícia.

 

Mas argumentam alguns, o emprego criado e o aumento do nível de vida nesses países?

Nada mais falso. E nem necessitamos de ir até a China para o comprovar.

Quando a AutoEuropa sair de Portugal, passamos nós a fabricar automóveis?

Investimento estrangeiro pressupõe mais valias para os países que o recebem, e quando daqui por muitos anos chegar a vez da China sentir na pele o que os europeus neste momento sentem, e se no entretanto ainda não tivermos destruído o planeta, sempre se pode deitar mão da Africa para instalar as empresas.

 

Quando o Natal e o Ano Novo passarem, viram outra vez os barcos, desta vez para fazerem o percurso inverso. Transportar todo o lixo plástico do Natal Europeu para a China, onde será reciclado para o próximo Natal.

 

Talvez fosse bom, colocar este Natal no sapatinho de cada Europeu, um livro de nome “No Logo – O Poder das Marcas” escrito por uma senhora de nome Naomi Klein e editado em Portugal pela Relógio D’Agua .

Valia a pena!