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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Uma luta (deliberadamente?) mal-direccionada

por josé simões, em 22.01.08

 

Mais que uma novela, a co-inceneração de resíduos industriais perigosos na cimenteira Secil em pleno coração do Parque Natural da Arrábida, é uma série. E à imagem do que acontece com outras séries de culto – Dr. House, Prision Break, CSI – desenvolve-se por temporadas.
 
Um dos actores que desde a primeira temporada da série “Co-Inceneração na Arrábida” se mantêm no elenco é o Movimento de Cidadãos pela Arrábida. Este “movimento” a engrossar o rol de outros da criação do PCPMDM, CPPC, URAP, etc. – tem uma nuance em relação aos seus primos: é que além de ter os habituais “independentespontas-de-lança do PC, inclui alguns “extremos” provenientes do Bloco.
 
Até aqui nada de mais. Todos somos poucos para defender e preservar o património natural; e ser do PC ou do Bloco não pode ser estigma que inviabilize a participação dos cidadãos na intervenção cívica. Não fosse o mal que enferma este “movimento” desde a sua creação (em português do séc. XIX por causa do acordo ortográfico):
O “movimento” é contra a co-inceneração; o “movimentofoi fabricado em função da co-inceneração. Até à decisão de co-incenerar na Arrábida nunca ninguém na cidade tinha dado fé destes senhores e a cimenteira já lá está há mais de 50 anos
 
Muito mais lúcida me parece a posição da distrital de Setúbal do PSD. Pela voz do seu presidente:
 
(…) o partido está disponível para lutar contra a co-inceneração na Secil. Bruno Vitorino reafirma que a discussão não deveria centrar-se na queima de resíduos industriais perigosos na Arrábida, mas sim na deslocalização da Secil e do fim da exploração das pedreiras”
Jornal de Setúbal em 21 de Janeiro.
 
Um palpite: exigir o fim da cimenteira, é, no imediato, exigir o fim de não-sei-quantos postos de trabalho. E o PC nessa não embarca. Se bem que num futuro próximo, nem Serra, nem cimenteira, nem postos de trabalho. Mas também a quem é que isso importa?! Quem cá estiver que se amanhe; não é?
 
(Foto de Jarrett Gorin)