"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
"Os chefes partidários privilegiam a fidelidade em vez do mérito". E depois há os fidélis que se revelam no mérito por mérito e isso trás um problema acrescido à nova liderança com novos fiéis em carteira. São como os melões, nunca se sabe até abrir. Aconteceu a Marques Mendes, aconteceu com Marques Mendes, acontece com a herança de Passos Coelho a Rui Rio e acontece desde sempre com os nomeados, sem saberem ler nem escreve,r para cargos políticos e de administração pública e que depois de terminada a sinecura ficam com currículo e com vantagem em relação à concorrência. A partir daqui vamos entrar num campo de discussão que não interessa a nenhum partido nem a nenhuma liderança do chamado "arco da governação" e ia estragar o espaço de comentário de um pantomineiro encartado como Marques Mendes, no início dos tempos privilegiado pela fidelidade ao chefe.
Marques Mendes foi à televisão do militante n.o 1 ganhar 700 € em 10 minutos para explicar às pessoas que ganham 600 € em 30 dias que cada vez há mais velhos e menos novos e como se não bastasse os velhos cada vez morrem mais velhos e as mulheres cada vez têm menos filhos, o que não é compensado com uma política de imigração inteligente, porque os que têm filhos às carradas não interessa que venham para cá e os dos vistos gold vêm lavar dinheiro e não fraldas [esta parte ele não disse, é um aparte que me ocorre de todas as vezes que ouço falar em "imigração inteligente"] e que temos de encontrar uma solução para o futuro da Segurança Social, para a sustentabilidade do sistema de pensões, e que o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos é um estudo válido, mais que não seja para trazer o tema para a praça pública e goste-se ou não das conclusões tem o mérito de lançar a discussão.
se na era da informatização, da automação, da robotização, do online, que tornam o factor humano cada vez mais dispensável, o tempo em vez de lazer e fruição deva ser de trabalho e de "prisão" para que alguém que ganha 52 vezes mais que o seu semelhante e 120 vezes mais que a média dos seus empregdos se dê não ao prazer da redistribuição mas ao de patrocinar estudos que lhe apontam formas de ficar ainda mais rico.
"Os parâmetros de exigência da sociedade eram outros. A sociedade tolerava alguma coisa que agora já não tolera" e Marques Mendes batia na mulher porque sim e quando lhe apetecia porque entre marido e mulher ninguém metia a colher;
"Os parâmetros de exigência da sociedade eram outros. A sociedade tolerava alguma coisa que agora já não tolera" e Marques Mendes insultava e mandava bocas aos homossexuais com quem se cruzava, na escola, na rua, no trabalho, os paneleiros de merda;
"Os parâmetros de exigência da sociedade eram outros. A sociedade tolerava alguma coisa que agora já não tolera" e Marques Mendes sabia da existência de menores abusados sexualmente, na igreja, na escola, no seio de alguma família e encolhia os ombros, "o que é que se há-de fazer? Pôs-se a jeito...";
"Os parâmetros de exigência da sociedade eram outros. A sociedade tolerava alguma coisa que agora já não tolera" e Marques Mendes também atirava pedradas aos gatos para se divertir e biqueiradas nos cães que encontrava no caminho para casa;
"Os parâmetros de exigência da sociedade eram outros. A sociedade tolerava alguma coisa que agora já não tolera" e Marques Mendes arreava arraiais de porrada nos filhos com a fivela do cinto, quando o Benfica perdia, quando tinham más notas na escola, quando respondiam torto a alguém, porque estava a educar e na educação dos filhos ninguém se mete;
"Os parâmetros de exigência da sociedade" estão na personalidade dos indivíduos que constituem e formam a sociedade e nos valores que nos foram transmitidos pela nossa família e que transmitimos aos nossos filhos.
Marques Mendes, na avença semanal na televisão do militante n.o 1, a enganar os portugueses perante o silêncio cúmplice da pivô de plantão ao telejornal [a partir do minuto 04:30].
Rui Rio ao pedir a presença de Manuel Pinho no Parlamento criou um problema ao Bloco de Esquerda [Porquê? Isso agora não interessa nada]. O Bloco de Esquerda que, acossado pelo problema criado por Rui Rio, ensaiou a fuga em frente ao pedir uma comissão parlamentar de inquérito às rendas da energia [as pessoas, burras, ignorantes, acéfalas, não percebem nada de rendas de energia mas ouvem falar e acham que está mal e por isso aplaudem a iniciativa do Bloco de Esquerda]. Rendas de energia que começaram com Durão Barroso e Santana Lopes e se prolongaram até hoje, daí a iniciativa do Bloco de Esquerda, de forma a envolver toda a gente e a entalar o PSD. Eu, ele, não acredito nas comissões parlamentares de inquérito mas se esta servir para esclarecer alguma coisa então está bem. Resumidamente Marques Mendes na avença semanal na televisão do militante n.º 1.
Perceberam como é que isto começou, o Bloco de Esquerda entalado por Rui Rio?
Mindinho Mendes anunciou com ar grave e muita pompa e circunstância e grandes movimentos de mãos e fartura de gestos no tampo da mesa, e as televisões todas e os jornais todos repetiram todos a grande nova e o grande furo jornalístico que foi o acesso a uma carta do Banco Central Europeu, a outra face da moeda dos Estados não terem acesso directo ao crédito – o BCE empresta aos bancos que por sua vez emprestam aos Estados, e que é o BCE decretar que dinheiro dos contribuintes – ler "ir ao bolso ao contribuinte", "esbulhar salários e pensões", "esmifrar poupanças", só para recapitalizar bancos privados, bancos públicos não, never, nein, já-mé. E depois toda a gente de boca aberta comentou a grã descoberta de Mindinho Mendes e as televisões todas e as rádios todas fizeram todas no dia a seguir fóruns de debate mui participados.
Isto é a gozar, certo? Ou falta de assunto, certo? Ou aquela coisa da estação parva que chega com o calor?
Marques Mendes criticou a ministra das Finanças por ter passado os últimos meses a criticar e agora vir elogiar. Criticou por criticar e elogiar. Adiante.
Os deputados de PSD e CDS também deram uma "cambalhota" sobre este assunto. Deputados, PSD, CDS, cambalhota. Adiante.
Nem se lembrava. Já se tinha esquecido. Era uma coisa inócua. É um mal entendido. Não é nada com ele. Nunca foi. Ou já foi. Há tempos mas saiu a tempo.
Marques Mendes a sair da[s] cena[s] é como o chapéu do Indiana Jones a ser salvo naquela fracção de segundo antes do portão de toneladas de pedra cair e fechar o passado lá atrás.
A amnésia accionista aguda começa a ser uma doença característica dos militantes do PSD, particularmente da tralha cavaquista. Diz que não se lembra de nada...
Mindinho Mendes, que durante meses a fio fez o pino, o flic flac, deu saltos encarpados e mortais à retaguarda seguidos de duplas piruetas, em defesa das políticas do Governo Passos/ Portas, que era tudo uma questão de comunicação e de saber explicar as medidas ao povo que depois o povo, ignaro, ia aceitar com um sorriso de orelha a orelha que lhe fossem ao bolso, ao emprego, à conta bancária, à saúde e à educação, mesmo sem vaselina, e ainda ia bater palmas de contentamento porque era tudo para o seu bem e para o bem das gerações futuras, vem agora dizer ao mesmo povo, que não bateu palmas nem engoliu as orelhas com o tamanho do sorriso, que não passam todos de um bando de rapazolas irresponsáveis, algo que o povo, ignaro, não sabia, e que agora é suposto bater as tais muita palmas de contentamento e agradecer a Mindinho Mendes a sagacidade da análise.
Ouvir Marques 'mindinho' Mendes, na avença semanal que tem na televisão do senhor Balsemão, dizer qualquer coisa como "o desenvolvimento de Portugal não se faz com baixos salários", o mesmo Marques 'mindinho' Mendes que semanas antes elogiou o "grande-genial-fora-de-série economista" António Borges, o da urgência em reduzir salários.
Adenda: "Mindinho" não tem nada a ver com o tamanho do senhor mas sim com a mui popular expressão "tenho aqui um dedo que adivinha", dita enquanto se move o dedo mindinho no ar, dado os dotes "adivinhatórios" do senhor em relação às medidas a apresentar pelo Governo e às decisões a tomar pelo Presidente da República.
O corporativismo do Estado Novo de Salazar, coercivo na sua natureza, que buscava alcançar a harmonia social e a preservação da ordem [aquilo a que hoje chamaríamos "consenso social e político"], porque imposto a partir de cima, auto-legitimou-se pela invocação do "superior interesse nacional".
O Presidente do Conselho sabia o que era útil para o país, o Presidente do Conselho decidia o que era o "superior interesse nacional" mesmo contra a vontade do país [sinal de que o país estava errado, pior, estava doente e havia que "expurgar o tumor"]. A política como exclusivo de uma casta iluminada ["eu não fui eleito coisíssima nenhuma"].
Um jota pequenino [e não me estou a referir à estatura física de Marques Mendes], que chega a conselheiro de Estado sem nunca ter saído da jota, vai aparecer amanhã, com ar grave e cheio de "sentido de Estado", a falar sobre os males das fugas ao segredo de justiça, algumas cirúrgicas e com obscuros interesses e objectivos.