"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Um partido de oportunistas, saudosos do antes do 25 de Abril de 1974, saídos de dois partidos da alegada direita democrática, herdeiros da União Nacional, o partido único do regime deposto no dia 25 de Abril de 1974 e que se reclamam da "fundação do regime democrático", infiltrado, com conhecimento e bênção do líder, por grupelhos fascistas e neo nazis com ampla aceitação nos fóruns e nas redes sociais das polícias, as polícias que carregam em ombros o líder da agremiação de oportunistas saudosos do antes do 25 de Abril. Obviamente que as polícias e um Governo liderado pelos partidos-mãe iam concordar em "martelar" o relatório. A notícia é dada pelo "jornal" que durante anos promoveu o oportunista na primeira página, por tudo e um par de botas. "No tempo do Salazar é que era bom" e do "o Salazar é que faz falta" esta conta de somar aprendiam-na com a Tabuada do Ratinho, com a escola publica democrática não é preciso tanto para contar os ratos que entram nesta soma.
O nome de Leonor Beleza é chutado para cima da mesa das presidenciais e ninguém se lembrou de ir ouvir a Associação Portuguesa dos Hemofílicos. Como dizia o outro, "há muita fraca memória na política".
O ministério das polícias é assaltado e o segurança, de uma empresa privada, não dá por nada. O ministério das polícias tem segurança privada. E tudo isto é normal porque, como dizia o outro, "há Estado a mais na vida das pessoas" e se calhar também dentro do Estado, e outro, amigo dele, remata "o liberalismo faz falta".
Pior que Marques Mendes ser aventado para candidato a Presidente da República é Marques Mendes ele próprio se achar candidato a Presidente.
A direita que é contra a disciplina Cidadania e Desenvolvimento no currículo escolar é a direita que alçada ao Governo responde com policiamento a crimes de ódio nas escolas e, com um bocado de sorte, calha a patrulha aqueles agentes da autoridade que se entretém no Telegram e no WhatsApp a destilar ódio contra imigrantes e minorias étnicas perante a total indiferença da tutela. Quando o tiroteio entrar na escola a solução vai ser autorizar professores e funcionários a andarem armados. Make Portugal Great Again.
Nos idos do fascismo estava fundeada entre os rios Sado e Tejo uma fragata da Marinha - D. Fernando e Glória, onde eram enfiados os órfãos e outros gandins menores avulso, apanhados nas ruas na mendigagem e pequenos delitos, a maioria dos quais para matar a fome. "Para aprenderem a ser homens". "Os meninos da fragata". Cresci a ouvir a avó Ilda dizer "portas-te mal, vais para a fragata", e já não havia fragata nesse tempo. Nos 50 anos do 25 de Abril esta ideia recuperada pelo partido que mais fascistas acolheu no pós revolução - CDS, e sublinhada pelo partido que herdou a estrutura da União Nacional e que mais quadros e militantes de base dá ao Chega, um pormenor que diz muito da "evolução" da direita, alegadamente democrática.
"Margarida Blasco, ministra contra a vontade de André Ventura", Bernardo Ferrão, alegado jornalista, na televisão do militante n.º 1 - SIC Notícias, enquanto os ministros desfilavam no ecrã na tomada de posse do XXIV Governo.
O ministro Miguel Macedo que, mais rápido que a própria sombra, apareceu nas televisões a comentar as imagens, devidamente encomendadas e trabalhadas, da carga policial, recebeu ontem o relatório do processo de averiguações aos incidentes e, estoicamente, conteve-se a aparecer triunfante nas aberturas dos telejornais, para estar amanhã no Parlamento e a pedido.
Se pedirmos, educadamente, talvez comente o relatório à actuação provocatória dos infiltrados da polícia na escadaria da Assembleia da República, e as agressões, da parte de polícias à paisana, a cidadãos na Calçada da Estrela durante a greve geral de Novembro.