"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
"Nós temos oitenta colaboradores, só temos um português que é o técnico, o engenheiro". "Mas isso é porquê? Porque os portugueses não querem trabalhar... nisto". No dia em que o taberneiro desmontou o discurso do taberneiro, perante a cara de parva da Matias e a não menos parva do Frazão, isto não abriu telejornais nem foi objecto de debate em painéis com especialistas em imigrantes malandros e bandidos como aqueles nos idos da Lei da Nacionalidade, há muuuuuito tempo, há três meses. No dia a seguir à epifania do taberneiro, Marcelo apareceu a defender a abertura de um canal de entrada de imigrantes para garantir que há mão-de-obra para reconstruir casas e empresas, também conhecido por "manifestação de interesse", nos idos do "socialismo", das "portas escancaradas", do "bar aberto", e outras merdas que tais inventadas para encher a cabeça a quem não pensa pela sua. Como não gostar desta direita imbecil que nos calhou em sorte, a toque de caixa da direita grunha, parida do seu ventre?
A zona centro do país revirada do avesso: casas, infra-estruturas, serviços públicos; sem água, luz, comunicações, internet. Ministério da Administração Interna não existe. Ou então existe e está a dedicar 70% do seu tempo a resolver os problemas, como a sua colega da Saúde. Ou seja, anda à nora feita barata tonta. O primeiro-ministro visita Leiria e gagueja enquanto inventa em directo para as câmaras de televisão e "o Governo vai avaliar", a fazer um esforço tremendo para conter aquele permanente sorriso de gozo na cara. Santana Lopes, na Figueira da Foz, lamenta não ter sido contactado por ninguém, nem do Governo nem da Presidência, só por António José Seguro, candidato presidencial, que visitou Leiria sem dar badalo a ninguém, um dia antes do primeiro-ministro, e do outro candidato, o taberneiro, que mobilizou tudo o que era televisão para o circo. Para grande surpresa nossa não foi visto a amanhar um telhado ou a endireitar um poste de alta tenção. Ainda no registo presidencial, tempo ouve em que Marcelo, durante as catástrofes, estava em todo o lado ao mesmo tempo, acampado nas televisões, a pressionar ministros. Agora está de abalada, com a sua mission accomplished de deixar o país entregue aos seus. Imaginemos estes incompetentes à frente do país durante a Covid, imaginemos. Porque pode ser pior, um terramoto como o de 1755, uma guerra. Imaginemos.
Uma reunião por videoconferência entre Marcelo, Presidente de abalada, Montenegro, primeiro-ministro com avença suspensa, que andava na estrada em campanha pelo mestre da cunha, Marques Mendes, e Rangel, alegado ministro dos Negócios Estrangeiros, que se calhar ainda não regressou da tomada de posse de Juan Guaidó, para analisar a situação na Venezuela. Como foi ainda antes do dia 6 de Janeiro, Dia de Reis, pode entrar na categoria "Circo de Natal"?
Marcelo encontrou-se "por acaso" com Teresa Leal Coelho num semáforo na Praça de Espanha durante a campanha eleitoral para as autárquicas; Marcelo encontrou-se "por acaso" com Carlos Moedas na Feira do Livro de Lisboa durante a campanha eleitoral para as autárquicas; Marcelo encontrou-se "por acaso" com Sebastião Bugalho na Ovibeja durante a campanha para o Parlamento Europeu; Marcelo só não se encontrou "por acaso" com Luís Montenegro na FIL durante a campanha para as legislativas por causa de um imbecil climático que achou por bem estragar um "paletó" Hugo Boss ao avençado da Spinumviva. Marcelo anda há 50 anos a fazer coisas "por acaso", com a cumplicidade e a complacência dos media, dos comentadores, do poder político. Ah e tal, é o Marcelo a ser Marcelo. Não, não é, são vocês a permitirem todo o tipo de marcelices. Pode parecer estranho mas o taberneiro tem razão.
["Paletó" em vez de "fato" por causa de outro tipo de imbecis, os do Acordo Ortográfico, que insistem em escrever fato no lugar de facto]
Ver Pedro Pinto em Luanda, atrás de Marcelo, para confirmar com os próprios olhos, que a terra há-de comer, como é que os pretos estão na terra deles, perdão, para assistir às comemorações dos 50 anos da independência de Angola, a expensas do contribuinte na 1551.ª viagem oficial do Presidente da República, é algo de verdadeiramente surpreendente mesmo vindo de um deputado do partido da taberna.
Gouveia e Melo disse o que toda a gente está cansada se saber, que Marcelo é um velhaco e um intriguista. Marcelo responde que em nenhuma entrevista disse que pretendia travar a candidatura do almirante. Dito de outra maneira, não houve vichyssoise para o jantar nem paragrafo a assinalar à saída de Belém.
Alguém que tivesse andado à escola e aprendido a tabuada fazia logo umas contas rápidas, se um ano tem 365 dias e se o Marcelo fez 1550 viagens à pala do contribuinte, significa que o manhoso esteve, contas redondas, quase 5 anos fora de Portugal, se as viagens tiverem no mínimo 3 dias cada, significa que o gajo só cá vem pelo Natal e pelo 25 de Abril no Parlamento, o 10 de Junho nem falar, que agora já o fazem lá fora e tudo, onde é que já se viu, e assim são quase 10 anos na Presidência sem cá pôr os chispes. Mas isso era se o taberneiro não soubesse para quem fala.
O taberneiro não teve um lapso coisíssima nenhuma, o taberneiro não se enganou na tradução, o taberneiro mentiu como mente em todas as vezes que abre a boca, a novidade aqui é que a mentira, vá-se lá saber porquê, não só abriu todos os telejornais ao mesmo tempo como esteve em loop o dia todo em todos os canais. E como reagiu o taberneiro apanhado a mentir? Com outra mentira inventada ali na hora.
Mas isto foi a excepção à regra, é que logo a seguir à barrigada de hambúrgueres do Marcelo a novilíngua voltava a tomar conta das televisões: André Ventura mente repetidamente com quantos dentes tem na boca = André Ventura cometeu uma gafe.
Vai grande animação nas redes com a alegada figura de urso feita pelo taberneiro ao confundir Bürgerfest com "festival de hambúrgueres". Nope, nada de mais errado. O taberneiro sabe perfeitamente o que é o Bürgerfest. A arte do mamífero consiste precisamente nisto, parecer ser tão estúpido como os que o seguem de modo a que estes se julguem tão inteligentes quanto ele.
Luís Montenegro não tira a gravata preta do pescoço desde o dia em que foi beber imperiais com Marcelo no Algarve, com a imprensa devidamente avisada, estava metade do país a arder. Se calhar vale pelos mortos Serviço Nacional de Saúde, que "está melhor que no tempo do Costa".
Não querem aproveitamento político disto os gajos que se estão a aproveitar politicamente disto e que sem pudor se aproveitam politicamente de tudo desde que lhes dê jeito. Tempo houve em que um desonesto chamado Carlos Moedas pediu a demissão de Fernando Medina, presidente da câmara de Lisboa, por causa de uma lista com nomes ucranianos na embaixada russa. Alçado ao poder na Praça do Município tratou de promover o responsável pela elaboração e entrega da lista.
A direita é isto, quando confrontada com a sua incompetência esconde-se na religião. Passos Coelho tinha um crucifixo no bolso, Procissão Cristas rezava para chover, quatro milhões desviados da Carris para a Web Summit valem uma missa na igreja de S. Domingos.
Pantomineiros, vigaristas, mentirosos, trafulhas, desonestos. É uma história antiga esta, a da direita na missa.
Sem querer, corrigiu logo de seguida, Marcelo ao classificar Trump como "um activo soviético" resumiu na perfeição o que vai na cabeça do PCP em relação à invasão russa da Ucrânia. A URSS, de onde nunca saíram.
[Imagem "Moscow, USSR. October 27, 1978. Soviet leader Leonid Brezhnev speaking at a state function to commemorate Communist party’s youth wing 60th anniversary]
O taberneiro pediu audiência com carácter de urgência ao Presidente da República porque "a oposição quer evitar que esta lei [imigração] entre em vigor". "A oposição" [minuto 20:17]. Vamos repetir outra vez as palavras do primeiro-ministro de facto, "a oposição quer evitar que esta lei [imigração] entre em vigor".
Carlos Moedas na apresentação da recandidatura à presidência da câmara de Lisboa que agora é que é, vamos ter mais câmaras de vídeo vigilância e guardas nocturnos e tudo!
Marcelo, Presidente do Estado laico, na celebração dos 50 anos da diocese de Santarém, falou, falou, falou sobre a destruição das barracas pelo Ventura wannabe de Loures para não dizer absolutamente nada.
Jaime Nogueira Pinto, o advogado de Salazar n' Os Grandes Portugueses, no Público escreve umas merdas sobra "A nação portuguesa". "O estado novo combate o analfabetismo".