"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
A um ano das eleições legislativas uma "centro-campista", "distribuidora de jogo da direita radical na comunicação social, ex deputada do CDS de Paulo Portas, regressa aos ecrãs com um "espaço de análise e comentário" no telejornal com maior audiência na televisão do militante n.º 1. Ele há com cada coincidência...
A impoluta, ícone do jornalismo de investigação, bandeira da liberdade de imprensa contra o totalitarismo socialista-socratista, e sempre adiado Pulitzer Prize, na televisão do militante n.º 1, por ter sido despedida pelo Sócras, precisamente quando andava a investigar Paulo Portas e os submarinos, Luís Nobre Guedes e o caso Portucale, Telmo Correia e o Casino Lisboa e a Estoril-Sol, tudo doutores do partido pelo qual foi deputada à Assembleia da República, tudo casos de governação anterior aos governos de José Sócrates ao qual dedicou especial afinco. Ele há coincidências e ao mesmo tempo azares do caralho!
Quando José Sócrates mete processos em tribunal a jornalistas oh da guarda com a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão e o caralho. Depois o Ministério Público manda arquivar o processo e o Ministério Público é bom é muito bom e a Justiça em Portugal ainda funciona. Mal mas funciona. Mas afinal parece que não funciona parece que o Ministério Público é subserviente ao poder socialista. E para aqui andamos a perder tempo com merdas destas…
A Segurança Social já deixou de fiscalizar as baixas fraudulentas, e os médicos coniventes com, ou isso é só para o anónimo desgraçadinho que tem que se virar de qualquer forma para tratar da vida porque o salário não chega?
E o que é que Paulo ‘Cruzado-contra-o-Rendimento-Social-de-Inserção’ Portas tem a dizer sobre a “doença” da sua ex-deputada?
Em All About Eve, a páginas tantas numa cena de discussão no interior de um teatro, o personagem Lloyd Richards interpretado por Hugh Marlowe, grita da plateia para cima do palco, na direcção de Bette Davis na pele de Margo Channing: “desde quando é que um corpo com uma voz pensa que é uma mente?”
Lembrei-me disto a propósito do affair Prisa-Manuela Moura Guedes-TVI.
Um primeiro-ministro é massacrado semanas a fio nos ecrãs da televisão por uma jornalista, ex-deputada por um partido, dirigido por um ex-jornalista director de um jornal que fez história a assassinar politicamente um ex-primeiro-ministro, actual Presidente da República, que se mostra preocupado pela liberdade de expressão poder ter sido posta em causa, sem que ninguém ache estranho esta quase perseguição, e sem que ninguém reconheça ao primeiro-ministro em exercício o direito à indignação.
Como houve muita gente a não perceber, e outros tantos a fazerem-se desentendidos com o que aqui foi escrito, vou tentar ser mais explícito:
Com a saída de José Eduardo Moniz da TVI, a continuidade de Manuela Moura Guedes à frente do Jornal Nacional das sextas-feiras era uma questão de tempo.
Se eu fosse um adepto da teoria da conspiração diria que o timing certo era hoje: campanha eleitoral às portas, notícias de pressões do poder político sobre o poder económico, entrevista à própria Manuela Moura Guedes no Público. Ou era agora ou nunca.
Saiu com estrondo, deixou a suspeição no ar e deixou o caminho armadilhado a José Sócrates e ao PS. De mestre.
Mas isso era se eu fosse um adepto da teoria da conspiração.
Se não for pedir muito, podemos passar à Política e à Economia e ao País?