"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O PSD, que perdeu votos, deputados e uma maioria absoluta de 43 anos, ganhou as eleições porque chegou ao fim em primeiro lugar e vai formar governo;
O PS, que já tinha chegado ao Governo da Região Autónoma ainda antes do dia das eleições que perdeu, ganhou as eleições porque triplicou os número de votos e de deputados;
O CDS, que passou de sete para três deputados e perdeu 8 000 votos, ganhou as eleições porque se alçou ao poder e com três deputados eleitos consegue encaixar 300 'John Antunes' na estrutura do Governo Regional, sem contar com o volume de negócios que virá por arrasto para as empresas amigas e dos amigos;
Rui Rio, o íntegro, o economista da "escola alemã" [Colégio Alemão do Porto], das boas contas, das "contas à moda do Porto" [o que quer que isso signifique], contra o despesismo e o compadrio sócratista, na festa do PSD no Chão da Lagoa "já imaginaram se em vez de um, houvesse mais quatro ou cinco Alberto João por esse país fora?". Sim já imaginámos. Antes o passista e mui liberal Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional, tinha aquecido o pagode na primeira parte do concerto interpretando temas como "os socialistas da treta que levaram o país à falência". Sai mais uma rodada de shots de poncha.
Suponhamos, não digo que um cego começasse a ver ou um paralítico a andar que isso são coisas dos evangelhos, mas que uma criança fosse salva do coma por devoção dos pais a Nossa Senhora do Monte no Funchal, era milagre, intervenção divina, motivo para peregrinações várias e promessas diversas, um culto sem fim. Como 13 pessoas morreram e 49 ficaram feridas no largo da igreja numa romaria ao Monte da Sé o mesmo princípio dos milagres já aqui não se aplica, não foi intervenção/ castigo divino, foi um azar do carvalho, Alvarinho. É a hipocrisia e a desonestidade da Igreja Católica a surfar a crendice e a ignorância.
Melhor que o aeroporto do Funchal ter o nome de Cristiano Ró-náldo é a família do Cristiano Ró-náldo, a todas as horas certas nos canais noticiosos do cabo, que sim senhor, que acham muito bem que o aeroporto do Funchal se chame aeroporto Cristiano Ró-náldo.
Com Agosto à porta e com as pessoas a irem de férias com mais dinheiro na carteira, depois de salário mínimo actualizado e feriados repostos, resta-nos Passos Coelho no Chão da Lagoa a espalhar o ódio e a anunciar as bestas do Apocalipse com um sorriso de satisfação a iluminar-lhe as fuças, depois de ter feito a ronda por todas as tascas é, de certeza, um pormenor.
Que as faladas sanções não são referentes a 2015 e ao Governo da direita radical, que teria as metas flexibilizadas e adaptadas à realidade como as teve em 2011, 2012, 2013 e 2014 sob vigência da troika; que as faladas sanções são sobre um Governo que ainda não falhou uma única meta, sob pena de se provar que é possível alcançar o acordado sem empobrecer o país, sem empobrecer as pessoas, sem lhes retirar direitos e garantias, as tais reformas estruturais que estão a ser revertidas; tem medo Passos Coelho que as faladas sanções, se aplicadas, sejam revertidas pelos tribunais, um acto de insubordinação para quem está habituado a baixar a cabeça e obedecer sem questionar e a ver os tribunais como um empecilho.
Se calhar é por ser Agosto e o povo estar todo a banhos mas passaram despercebidas, não nas televisões do pensamento único mas nas redes sociais [gloup], as declarações do delfim de Pedro Passos Coelho nas ilhas adjacentes sobre a "renegociação" das Parcerias Público-Privadas, papagueadas pelo ministro da Economia, António 'soldado disciplinado' Pires de Lima e repetidas ad nauseam pelo querido líder Paulo Portas, em tandem com aquele-que-nunca-fala-verdade, candidato à renovação do mandato de primeiro-ministro,
que nos confirmam que não houve renegociação das PPP's coisíssima nenhuma, simplesmente o Estado vai deixar de fazer o que até então era responsabilidade contratual do privado e que os pneus, suspensões, direcção e chaparia diversa, vítimas das crateras e do mau estado do alcatrão, ficam por conta do cidadão-condutor-contribuinte.
Numa busca rápida pelo Google encontramos éne provérbios com o termo 'mentira'.
Sendo o Governo Regional da Madeira o maior empregador das ilhas, directamente via serviços e administração pública, ou indirectamente por via de concessões várias e das obras públicas adjudicadas a empresas "do regime", e estando o PSD, e as vitórias eleitorais do PSD, dependentes da rede clientelar assente nesta relação promíscua, como é que Miguel Albuquerque vai implementar a sua reforma do Estado sem “exterminar” o partido que dirige?
Da última vez que tinha ouvido falar em "chapelada" eleitoral tinha sido na casa do avô Zé, à roda da mesa de jantar, era eu um puto e o pai contava quando uns fulanos da Legião Portuguesa apareceram no quartel com uns boletins de voto que eles, depois de "aconselhados" pelo comandante da companhia, na parada em formatura, depositaram numa caixa. Não, o pai não esteve na tropa na ilhas adjacentes da Madeira e Porto Santo, esteve no Regimento de Infantaria de Évora.
The Terminator e o olhinho a piscar no meio da fuselagem. The Bionic Woman. The Thing de Matthijs van Heijningen Jr. . O cluster dos posters para filmes série B passa pela Região Autónoma da Madeira. Criação de emprego e prestígio, muito mais que qualquer zona franca.
O "Deve e Haver das Finanças da Madeira" começa no século XV, que foi quando os portugueses chegaram às ilhas e, de chicote na mão, começaram a escravizar os nativos nas plantações de bananas, a impor-lhes os costumes trazidos do continente e o português como língua oficial, proibindo o uso da língua materna, o madeirense, e vai até ao século XXI, já na última fase, a da queda, depois da ascensão e apogeu de Alberto Simão Bolívar Jardim, líder e herói da luta da libertação contra o colonialismo.
Depois, quando os teóricos da treta vierem "ó da guarda e aqui d’el rei" com a qualidade da democracia e a credibilidade dos políticos e dos partidos e o afastamento dos cidadãos da cousa pública e que o populismo grassa e as conversas de taxista e o não-sei-quantos, lembrem-se de que a argumentação da defesa não passa pela má ou boa utilização das verbas mas pela competência do tribunal para julgar, e por o os deputados estarem a ser "julgados nestes autos sem que o Tribunal suscitasse e obtivesse o levantamento da imunidade". Assim como no futebol do Apito Dourado, onde a argumentação não foi a veracidade das escutas telefónicas mas a sua legalidade.
Os madeirenses viviam lá as suas vidinhas, muito bem descansados no meio dos peixes e dos passarinhos com as partes pudicas descobertas, chegaram os portugueses nas suas naus, ergueram um padrão, hastearam uma bandeira, construíram uma igreja, e meteram toda a gente a trabalhar o trabalho escravo para eles, os malandros: