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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Era disto que Marinho Pinto falava?

por josé simões, em 13.06.08

 

O acordo que pôs fim ao bloqueio dos camionistas foi bom para o Estado, e o pacote de medidas acordado terá pouco impacto nas contas públicas, porque, a grande fatia – os descontos nas portagens – será paga pelas concessionárias das auto-estradas; Mário Lino dixit.

 

O grupo José de Mello é o maior accionista da Brisa, que por sua vez é a maior concessionária do país; o grupo Mota-Engil – o tal que deu emprego por motivos de competência e capacidade profissional a Jorge Coelho, que por sua vez, dispensa apresentações – detém a AENOR. E depois há a Lusoponte, concessionária das travessias do Tejo.

 

A seguir vêem aí as “Grandes Obras Públicas”: Aeroporto; TGV; terceira travessia do Tejo.

 

Era disto que Marinho Pinto falava?

 

 

 

O ministro Mário Lino já se demitiu?

por josé simões, em 10.01.08
… mas o melhor está para vir!
 
É necessária pedra e cimento para a construção do aeroporto e da nova travessia do Tejo; advinha-se mais uma razia na Serra da Arrábida, à semelhança do que aconteceu para a construção da Expo 98 e da Ponte Vasco da Gama.
 
É necessária mão-de-obra, de preferência barata, para levar a cabo os empreendimentos. Adivinha-se mais uma leva de imigração, a maior parte ilegal. Acaba-se a euforia das obras e ficam por cá; aos caídos e sem futuro. Mais bairros de lata, mais exclusão social, mais miséria. Acabam por nascer aqui os filhos. Nem são “de lá”, nem são “de cá”; mais violência e insegurança.
 
Agora chamem-me negativista, racista, xenófobo, pessimista; o que quiserem. Depois não digam que não falei no assunto…
 
 

Trapalhadas

por josé simões, em 15.11.07
Paulo Baldaia, no Jornal de Notícias:
 
O ministro Mário Lino é um caso sério. (…)

As juras repetidas de que as portagens nas SCUT do Litoral avançavam este ano deram em nada. A tentativa de descredibilização do jornal "Sol", a propósito do relatório do TC sobre a Estradas de Portugal, só serviu para descredibilizar, ainda mais, o ministro das Obras Públicas. O dossiê sobre o aeroporto da Ota, em que "jamais" o aeroporto seria construído no "deserto" da Margem Sul, só serviu para o presidente da República garantir, com Mário Lino ao lado, que a decisão sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa não passa pelo ministro, estando dependente apenas do relatório do LNEC e das conversas entre o chefe de Estado e o chefe de Governo.

Há uma semana defendi a demissão de Mário Lino, hoje limito-me a constatar que está a prazo nas Obras Públicas. Cavaco não lhe reconhece autoridade e Sócrates aguarda o "timing" certo para fazer a remodelação e mudá-lo de lugar.

Lê-se nos jornais que pode vir a ocupar o lugar do apagado ministro do Ambiente e isso assusta, porque se trata de outro ministério de grandes negócios com o dinheiro dos contribuintes. (…)
 
(Na íntegra aqui)
 

O deserto, ou a estupidez tem limites

por josé simões, em 24.05.07

 

Legenda:

Caravana do PS em acção de propaganda - Setúbal, últimas legislativas.

 

Confesso que pensei mais que duas vezes antes de escrever sobre isto, tal não é o absurdo do tema. Ainda tenho as minhas dúvidas se isto merece comentário…

 

«Fazer um aeroporto na margem Sul seria um projecto megalómano e faraónico, porque, além das questões ambientais, não há gente, não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio, pelo que seria preciso levar para lá milhões de pessoas»

Mário Lino -  ministro das Obras Públicas.

 

Vamos lá a ver se percebi bem a coisa. Um dos argumentos contra a Portela é que se situa no meio de tudo. No meio das escolas, no meio dos hotéis, no meio do comércio, no meio de milhões de pessoas. E que qualquer dia há uma catástrofe. Este argumento contra a continuação da Portela, marca pontos a favor da construção de um novo aeroporto, noutro lugar qualquer, Ota ou Margem Sul, não é isso que está agora em discussão – apesar de eu me inclinar pela Margem Sul – desde que por ali à volta não haja nada, ou quase nada. E que não se torne a cair nos mesmos erros do passado – especulação imobiliária e urbanizar a eito. O absurdo das declarações do ministro, para não lhe chamar outra coisa, reside no facto de a Ota ser muito mais deserto que a Margem Sul, logo a haver uma aeroporto, e, segundo o raciocínio de Mário Lino, seria no Rio Frio ou no Poceirão.

Também podemos entrar por outro lado. Um aeroporto não é só um local onde aterram e descolam aviões. Quando se constrói um aeroporto, constrói-se um pólo aglutinador de empresas e serviços; de desenvolvimento duma região. Logo teria de ser no “deserto” da Margem Sul, se o discurso de Mário Lino fosse coerente.

Mas a Margem Sul não é nenhum deserto. Temos por exemplo a Auto Europa; a ainda Cintura Industrial de Setúbal; os Parques Industriais do Seixal e Palmela; o Porto de Sines; o Porto de Setúbal; o Fórum Almada; o Fórum Montijo e o Outlet de Alcochete; temos cinemas e teatros – Almada é a capital europeia do teatro; e, pasme-se (!), temos Universidades e Politécnicos. Hospitais, vamos tendo enquanto o ministro Correia de Campos andar entretido a acabar com eles noutras zonas do país…

 

Sobre estas declarações seria deveras interessante ouvir o que os autarcas e presidentes de Câmara eleitos pelo PS têm a dizer. E também os que já foram presidentes, eleitos pelo partido de Mário Lino. Esta trás água no bico, porque estou a lembrar-me concretamente de Mata Cáceres que governou Setúbal durante 16 anos. Setúbal à época não era um deserto, mas era um sítio aprazível e com um bom índice de qualidade de vida, e foi em nome desse mesmo desenvolvimento que o ministro das Obras Públicas diz não haver na Margem Sul, que Mata Cáceres escaqueirou a cidade e a transformou num caos.

 

Interessante de ouvir também, era a opinião de Belmiro de Azevedo. Com milhões de euros investidos para transformar a Península de Tróia num must do turismo. Pespegam-lhe com o aeroporto lá para a Ota e acabam com a Portela. Segundo o douto ministro «não há hospitais, não há escolas, não há hotéis, não há comércio». E há as questões ambientais, que só existem aqui, e que não existem, por exemplo, na Costa Vicentina, ao redor do Alqueva, ou no que ainda resta do Algarve. Tudo PIN’s (Projectos de Interesse Nacional), respeitadores do ambiente e tudo!

 

Há quem veja nestas caLINOadas (já tínhamos as PINHOadas do ministro da Economia) um sinal do desespero argumentativo em defesa do indefensável - a Ota. Pode ser que sim, mas eu além disso, encontro também aqui outra variável. Desde a revolução de Abril, e salvo raras excepções, o pessoal cá deste lado, da Margem Sul, vota sempre comunista. E estas coisas pesam e pagam-se. E Mário Lino é um ex-comunista.

 

(As saudades que eu tenho dos tempos da primária, em que o meu pai me levava de camelo para a escola “do Sousa”, ao lado do que agora é o “Santiago do choco frito”, e parava para o animal beber água num oásis que havia nas Fontaínhas, mesmo em frente aos ferrys para Tróia. Tempos que não voltam mais…)

 

A Portela de Sacavém

por josé simões, em 29.01.07

Os terrenos do aeroporto da Portela não entram nas contas para a privatização da ANA; quem o garante é o ministro das Obras Públicas, Mário Lino. E afiança que os terrenos do actual aeroporto de Lisboa não vão ser vendidos para financiar as obras da Ota.

 

Qual vai ser então o destino a dar aos terrenos do actual aeroporto na Portela?

 

“Já falei com o presidente da autarquia, independentemente das pretensões que qualquer das partes possa ter sobre a parcela A ou B dos terrenos. É desejável que o estado e a Câmara se entendam, para que se possa desenvolver um projecto para aqueles terrenos e para a cidade”.

 

É a resposta dada pelo ministro Mário Lino, sem se rir e, nem sequer corar!

 

Sendo do domínio público a situação financeira em que se encontra a Câmara de Lisboa e, com base nos antecedentes deste Governo para situações similares, nomeadamente de José Sócrates enquanto ministro do Ambiente e o número de camas para projectos turísticos no Alqueva versus José Sócrates Primeiro-ministro e o número de camas efectivamente programado e autorizado; acrescente-se-lhe a futura linha de metropolitano projectada para servir a zona do actual aeroporto e, aqui temos um cocktail potencialmente explosivo.

 

Não se antevê um futuro risonho para a qualidade de vida naquela zona da capital.