"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Luís Filipe Vieira dava bom professor dessa disciplina manhosa que a direita radical quer impingir aos putos nas escolas no lugar da educação para a cidadania, "literacia financeira" ou como meter o contribuinte a pagar dívida privada, a direita do economês que transitou dos blogues para o governo da troika a defender a redução do peso das ciências sociais nos currículos escolares.
António Costa, o cidadão, integra a comissão de honra do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira que, enquanto cidadão, provocou perdas de 225 milhões ao Novo Banco, cobertas pelos impostos dos cidadãos, benfiquistas ou não, gostem ou não de futebol, nas legislativas eleitores ou abstencionistas.
E Luís Filipe Filipe Vieira, não tem nada a dizer? Já lhe passou o afã da moralização do futebol? Deu por encerrada a cruzada contra a corrupção e a promiscuidade no pontapé-na-bola?
No dia 11 escreveu sobre rankings de escolas, no dia 12 sobre maternidades, no dia 13 sobre chineses, e depois sobre Louçã e sobre Machete e sobre Portas e sobre funcionários públicos e sobre falta de vergonha e era mesmo aqui que a gente queria chegar, falta de vergonha. A falta de vergonha de Henrique Monteiro em querer ser como Luís Filipe Vieira, presidente do SL Benfica, e não em querer ser como Cardoso e Cunha, uma das tralhas cavaquistas que continua a andar por aí, apesar das orelhas que o incomodam, apesar da notícia ter vindo a público no dia 11, o dia em que começou a escrever sobre tudo o que respira, à face da terra e debaixo de água, até chegar à falta de vergonha de escrever sobre as orelhas Luís Filipe Vieira querendo enfiar orelhas de burro aos leitores.
O nome do coise é "Chamem-me o que quiserem", Parvalorem, o nome da coisa, proporciona-se a bons trocadilhos.
"À espera de Cardozo", nos cruzamentos, nas desmarcações, nos passes, no penalty, foi a frase mais ouvida esta época, na boca dos homens do relato do pontapé na bola, nas rádios e nas televisões.
Depois houve o "à espera de Jorge Jesus". Que não invente uma linha, que não invente uma substituição, que por uma vez [uma só!] seja humilde e engula a arrogância, juntamente com a pastilha, em relação às aquisições com o seu aval, às dispensas também com o seu aval, e aos colegas de profissão.
E ainda o "à espera de Luís Filipe Vieira". Só que mantenha a boca fechada, faça o que tem de ser feito e para o que foi eleito, que honre a história do clube e que deixe a primeira página do Correio da Manha [sem til] e do Rascord para outros. Não é pedir muito.
Samuel Beckett na Luz é um luxo, apesar do absurdo.
Paulo Bento na sua cruzada em dar razão aqueles que dizem que futebol não rima com inteligência, ganhou ontem um aliado de peso; o presidente do Benfica. Luís Filipe Vieira disse sem se rir, que ao ver o modo como o clube de que é presidente foi recebido em Toronto, ficou com a sensação de ter sido o Benfica o campeão deste ano.
Partilho as mesmas sensações de LFV. Ao ver o modo como Mantorras foi recebido ao longo do campeonato, fico com a sensação de ter sido ele o melhor marcador da Liga. Foi nomeado para Bota de Ouro?