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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

||| Cá para mim isto é censura

por josé simões, em 19.02.15

 

manual guerrilheiro urbano.jpg

 

 

Nos idos de 1984 uma das acusações contra um alegado membro das FP 25 era a de ter em casa o Manual do Guerrilheiro Urbano de Marighella, igualzinho ao meu, o que está na foto que ilustra o post. Em Portugal, antes do 25 de Abril de 1974, os jornais estavam todos no Bairro Alto pela proximidade com o Exame Prévio, a censura. Antes da queda do Muro de Berlim o pessoal da RDA que morava junto à fronteira com a RFA safava-se a ver televisão, assim como os checoslovacos, os húngaros e os jugoslavos, estes pela proximidade com a Áustria. O camarada Hugo Chavéz proibiu os Simpsons antes de encerrar estações de televisão e jornais críticos do "socialismo bolivariano do século XXI", enquanto em Cuba os blogues da oposição são escritos a partir do exterior e as rádios com emissão em Miami são captadas com "batata frita" de interferência. Dos desgraçados da Coreia do Norte nem vale a pena falar e o nosso islamofascista na Turquia vai prendendo jornalistas, cartoonistas, humoristas, e fechando jornais enquanto na Rússia os jornalistas críticos de Putin quando acordam estão mortos com um tiro na nuca. E podíamos continuar pelo "great firewall" da China, para já não falar de queimas de livros e outras coisas que tais em passados recentes. Tudo com o mesmo argumento: a ordem pública, a segurança, das pessoas e do Estado.


«Terrorismo: os novos crimes aprovados pelo Governo


[...] aceder a sítios na Internet que incitem a este fenómeno vão passar a ser considerados crimes no âmbito de um conjunto de medidas aprovadas esta quinta-feira.»


Cá para mim isto é censura, mas isso sou eu que até tenho um blog com um nome "estrambólico-pavoroso", como certa vez disse o saudoso José Medeiros Ferreira.

 

 

 

 

|| Tudo em família; tudo boa gente

por josé simões, em 20.05.09

 

No dia em que o bastonário da Ordem dos Advogados afirmava «existirem “indícios de que alguns advogados ou alguns escritórios são quase especialistas em ajudar certos clientes a praticar determinado tipo de delitos, sobretudo na área do delito económico”» e exortava «os profissionais da classe a denunciarem as ilegalidades praticadas por colegas, que considerou serem as "maçãs podres" do sistema», tendo recebido de volta, e da parte dos instalados do sistema, a habitual adjectivação de fala-barato, foi o dia em que a imprensa estrangeira fez eco do suborno do primeiro-ministro italiano Sílvio Berlusconi ao advogado David Mills, de forma a obter impunidade para si e para o grupo Fininvest de que é proprietário.

 

Como as notícias continuam a chegar cá um dia depois, já toda a gente se esqueceu das palavras de Marinho Pinto e, “convenientemente”, ficamos sempre com a sensação de que estas coisas só acontecem lá fora. Principalmente em Itália, a terra dos mafiosos…

 

Curiosa esta associação italiano / mafioso no imaginário popular. Parece uma casa sem espelhos; Hollywood a mais e portugalidade a menos.

 

(Imagem via Instituto Nazionale per la Grafiac, Roma – Itália)