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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O Governo RFM

por josé simões, em 28.03.24

 

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"Excelente escolha". "Muito boa aposta". "Grande experiência". "Muito competente". "Excelente escolha", outra vez, e outra vez.

Bugalhos, Ferrões, Zés Gomes, este último com um sorriso de satisfação quase a canibalizar as duas orelhas, foi o tom na euforia da televisão do militante n.º 1 desde que os nomes do Governo de Montenegro saíram a público. Não abriram espumante porque as leis da pub ao álcool em televisão são rigorosas. É tipo, "RFM, só grandes músicas", e depois é tudo mainstream, canções orelhudas,  noves fora nada é igual ao pimba, substância zero, só que com mais estudos.

 

 

 

 

Luta pela sobrevivência

por josé simões, em 28.03.24

 

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Médicos em vez de Saúde, Professores em vez de Educação. A luta pela sobrevivência na [boa] primeira página do Público.

 

 

 

 

Circo da Páscoa

por josé simões, em 27.03.24

 

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No intervalo da palhaçada armada no Parlamento pelo taberneiro, no intervalo entre Aguiar-Branco sair pela porta pequena na primeira votação e Francisco Assis lhe ficar à frente na segunda, tivemos Bruno Nunes, deputado, em directo via Skype na televisão do militante n.º 1, e ficámos todos a saber que o partido "é um partido democrático", e depois que "o que se segue só o líder sabe" em resposta à jornalista de serviço, e outra vez que o "partido é um partido democrático", dito duas vezes.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

Os grandes portugueses

por josé simões, em 26.03.24

 

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Era de prever que mais cedo ou mais tarde os 41% de portugueses que votaram em Salazar como "O Grande Português", a única eleição que ganhou, haviam de largar o sofá e o televoto para darem corda aos chispes, se dirigirem às urnas, e elegerem 50 grandes portugueses. Os 50 grandes portugueses que depois levariam a votos para vice-presidente da casa da democracia Diogo Pacheco de Amorim, um grande português que nos idos da juventude andou a "incendiar" Coimbra ao lado de outro grande português, agora no comentariado, avençado nas televisões em horário nobre - José Miguel Júdice, por acharem que Salazar era um gajo demasiado à esquerda e que, chegado o 25 de Abril, rapidamente se converteu à democracia do MDLP, uma organização terrorista-bombista que submeteu Portugal à lei da bomba, antes de se alistar no CDS, o Chega com estudos antes de haver Chega, agora a votos para segunda figura do Estado, depois de um acordo de bastidores "vocês votam no nosso e a gente vota no vosso", que o "não é não" de Montenegro não lhes permitia assumir olhos nos olhos com os portugueses, mais por faltarem à palavra dada do que por vergonha em acordarem com quem acordaram. Danado por ser remetido à invisibilidade, e da invisibilidade à insignificância é um passo, o taberneiro, expert em teoria do caos, mandou os apaniguados absterem-se de votar no nome proposto pelo PSD, anteriormente acordado entre ambos,  e deu-se o flop Aguiar Branco. "Estão a ver quem manda na taberna?", perguntou o taberneiro. E quando o "sentido de Estado" lhes mandava dizer aos portugueses "nós tentámos um acordo com estes senhores, mas roeram a corda, não cumpriram a palavra dada, não são gente de confiança, e nós agora vamos acertar os nomes com o PS e a coisa resolve-se em menos de um fósforo, que é a democracia e a imagem da Assembleia da República que está em causa", o PSD sai a apontar o dedo ao PS, que não foi tido nem achado nesta palhaçada, pois quem se deita com palhaços acorda no circo, prontamente sublinhados pelo partido RGA [Reunião Geral de Alunos], também conhecido por Ilusão Liberal, remetido para a insignificância nas legislativas, sem número de deputados para fazer a diferença e que vai passar uma legislatura intyeira em bicos dos pés. E ainda hoje é o primeiro dia.

 

 

 

 

A miséria religiosa

por josé simões, em 26.03.24

 

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"O uso de desinformação, provocando medo nos fiéis – naquilo que um investigador designa de conspiritualidade”, a associação de teorias de conspiração e espiritualidade – e a aliança com políticos bolsonaristas marcou campanha política do Chega e do ADN."

 

A influência dos pastores evangélicos nos votos: "Não vamos parar até que a Bíblia entre no Parlamento"

 

"A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real."

 

 

 

 

Que nem patinhos

por josé simões, em 25.03.24

 

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Antes do 10 de Março era a grande diferença entre a proposta da AD e a do Partido Socialista "conformado com um crescimento económico que não vai além de 2% em quatro anos" ao passo que a da AD "optimista, com responsabilidade, com segurança, em criar transformações estruturais no país, em poder alavancar a economia com a descida de impostos para podermos ter uma taxa de crescimento na economia em 2028 próxima de 3,5%, o que permite depois uma maior capacidade de valorização das carreiras da Administração Pública" ou, como andou Luís Montenegro 15 dias a dizer, ser possível "acomodar as reivindicações das forças de segurança e repor o tempo aos professores" por haver margem orçamental no tal "orçamento, betinho, pipi, muito bem apresentadinho", que não concretizava nada, mas que afinal dá para tudo, como se a despesa não passasse a permanente, como "alguém que poupou €2.600 achar que está rico, quando deve €260.000 ao banco".

 

Ainda os votos dos emigrantes não tinham começado a ser contados já José Gomes Ferreira, um chalupa a quem Balsemão dá emprego, que sabe a verdadeira cor do planeta Marte e coisas sobre a História de Portugal que nem os historiadores sabem e o que ele sabe de Balsemão para Balsemão lhe continuar a pagar um ordenado só ele sabe, vinha alertar que a proposta da AD, a que durante a campanha considerava ser a melhor para Portugal, afinal tinha um "mas" chamado economia alemã, o "motor da Europa", a gripar, coisa que ninguém sabia até três ou quatro dias antes, e que também já temos a possibilidade de uma guerra na Europa por causa da Ucrânia, disseram outros avençados, coisa que ninguém tinha dado por isso, mais a incerteza nos mercados e o preço do combustível por causa dos israelitas em Gaza, a despesa já vai passar a permanente, e até o embusteiro com assento no Conselho de Estado já veio desdizer tudo o que antes tinha dito, meter água na fervura e avisar que "Não vai ser possível satisfazer a 100% reivindicações de professores, médicos, polícias e militares" e, de repente, já não vai ser possível descer o IRS, descer o IRC - este, com jeitinho até vai, o tricle down e tal, aumentar salários e pensões, investir na escola pública e no Serviço Nacional de Saúde, valorizar as forças policiais e dotar as forças armadas, tal as coisas mudaram numa semana com a velocidade a que o mundo gira, que este excedente orçamental é um presente armadilhado que o António deixa ao Luís.

 

Voltando a Luís Montenegro, "nós estamos optimistas, com responsabilidade, com segurança" de que vão todos cair que nem patinhos. E foram.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

A luta contra o poder do TikTok

por josé simões, em 22.03.24

 

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Luís Montenegro ganhou as eleições, por poucochinho mas ganhou, e a primeira entrevista da televisão do militante n.º 1, SIC/ SIC Notícias, é ao taberneiro, medalha de bronze nas urnas. Faz sentido, no sentido da luta contra o poder do TikTok

 

 

 

 

Pela calada da noite

por josé simões, em 21.03.24

 

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Houve um tempo em que as coisas eram feitas pela calada da noite, foi no tempo do pai de Marcelo, como Marcelo muito bem sabe disso. Indigitar um primeiro-ministro pela calada da noite, a sério?

 

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TikTok SIC

por josé simões, em 20.03.24

 

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Bernardo Ferrão e o TikTok, Sebastião Bugalho e o TikTok, José Gomes Ferreira e o TikTok, até o Ricardo Costa, que é o menos mau de todos, com o TikTok. Abrimos na SIC Notícias e todas as explicações vão dar ao TikTok, tudo o que acontece é porque alguém domina o TikTok, o mundo explica-se através do Tik Tok, o TikTok is the new awesome. Esta gente deixa o cérebro em casa quando vai para o estúdio, esta gente tem sequer cérebro, ou esta gente é paga pelo TikTok à peça, quantas mais vezes disserem TikTok mais recebem?

 

 

 

 

Dia do Pai

por josé simões, em 19.03.24

 

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Marcelo tinha mandado dizer na véspera das eleições que com ele o taberneiro não entrava no Governo. Eleições feitas e o taberneiro vai a casa de Marcelo com mais de um milhão de votos no bolso e à saída diz que o Presidente não se importa que ele faça parte do Governo. Ainda o taberneiro estava a passar a língua pelas beiças para pontuar o discurso como é seu timbre e já Marcelo fazia sair uma nota a dar conta de que "Como tem repetidamente afirmado, o Presidente da República não comenta declarações de partidos políticos nem notícias de jornais.". E aqui é que reside a arte do artista Marcelo. Marcelo não diz que afinal já quer o taberneiro no Governo, "aquilo antes das eleições foi no gozo, lol, caíram que nem patinhos", ou "disse aquilo para o pagode não ter medo de votar na minha facção, não resultou, temos pena", ou ainda "o que disse antes das eleições não fui eu quem o disse, foi "a fonte"", não, Marcelo diz que não comenta o comentário do taberneiro. É o que está lá escrito, escusam as pitonisas, comentadeiros e paineleiros vir com efabulações, Marcelo não desmentiu, Marcelo não confirmou, Mar-ce-lo não co-men-ta. Pon-to.

 

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Podia Marcelo ter acrescentado duas alíneas ao "o Presidente da República não comenta declarações de partidos políticos nem notícias de jornais:

a) Excepto no Governo da 'Geringonça'

b) Excepto no Governo da maioria absoluta do Partido Socialista

 

 

 

 

O Processo de Normalização em Curso

por josé simões, em 17.03.24

 

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Que Augusto Santos Silva corre o risco de não ser eleito deputado e que se tal acontecer é a primeira vez que um presidente do Parlamento em exercício não é reeleito e que tal é consequência de Augusto Santos Silva ter andado a provocar o Chega na Assembleia da República porque os eleitores não gostaram do que viram. Lá mais para a frente, na avença semanal que tem na televisão do militante n.º 1, Marques Mendes também falou qualquer coisa como "meridiana inteligência política" a propósito de maiorias parlamentares e presidências de comissões e assim. E esta coisa é "conselheiro de Estado".

 

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E agora?

por josé simões, em 14.03.24

 

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Ouvir Bernardo Ferrão, na televisão do militante n.º 1 com a maior cara de pau, dizer que o taberneiro, coadjuvado pela Rita, se move como ninguém nas redes e plataformas,  dos Facebookes aos TikeTokes passando pelo Tuitas e pelo UotesApes, e que é daí o crescimento exponencial do partido, já que os outros ficaram parados no tempo, agarrados às velhas tecnologias que nem os velhos já usam, depois de termos visto a SIC e a SIC Notícias a todas as horas com o traste em grande destaque por tudo e por nada e ainda a interromperem programação para o ouvir em directo sobre nada e mais alguma coisa. "E agora?" Pergunta a revista Sábado depois da enésima capa com o taberneiro.

 

 

 

 

Portugal, séc. XXI

por josé simões, em 14.03.24

 

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Enquanto andamos todos entretidos com os resultados eleitorais do taberneiro...

 

Cheguei assim finalmente à mesa de voto na fila 17 onde naturalmente mostrei o meu cartão de cidadã a uma pessoa que estava de pé e me pareceu ser o presidente da mesa. Reparei que ele olhava com atenção para o meu cartão, mas foi com espanto que o ouvi dizer “Não gosto!” Como não percebi de que é que ele não gostava, perguntei: “Não gosta de quê?”

 

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O diluente

por josé simões, em 13.03.24

 

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Surpreendendo exactamente zero pessoas o PCP mostrou--se disponível para aceitar o repto do Bloco de Esquerda para uma convergência na oposição à direita, salvaguardando que o faz desde que isso não implique a diluição do partido, porque, como é por todos sabido, desde Outubro 1917 que diluições, "amigáveis" ou por OPA hostil, só as dos socialistas, social-democratas, socialistas revolucionários, ou anarquistas, nos partidos bolcheviques. 

 

 

 

 

Adeus PCP

por josé simões, em 13.03.24

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Começam agora os exercícios de entretenimento na desmontagem das teses que os votos não foram do PCP para o partido da taberna que, ao contrário do que muitos alardeiam, está aí vivinho da silva e para as curvas, quando a verdadeira questão, no partido da "análise histórica" e do "materialismo dialéctico", aquela questão que vale um milhão, devia ser "porque é o taberneiro a chegar a esse eleitorado e ainda a recuperar algum à abstenção?" e não o PCP, que vai minguando eleição atrás de eleição.

 

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