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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ainda gozam com o pagode

por josé simões, em 14.04.21

 

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Primeiro foi o Chicão, alegado líder do partido de Jacinto Leite Capelo Rego, do caso Portucale arquivado, das escutas que davam um banqueiro a pagar o salário do líder, dos submarinos sem corrompidos em Portugal pelos corruptores julgados e condenados na Alemanha, vir a terreiro que "o sistema judicial está doente".

 

Dias depois aparece o doutor Rui 'banho de ética' Rio, eleito chefe de facção pelo sindicato dos votos dirigido por Salvador Malheiro, do PSD desde o PPD a acumular casos até ao apogeu no cavaquismo, tantos que para referir tudo era preciso um blogue só dedicado à causa, clamar que "o regime está muito doente".

 

A lata. Quarenta e tal anos de construção de um monstro emaranhado jurídico, a meias entre PS e PSD com a prestimosa colaboração do CDS, com mais buracos de fuga que um queijo suíço e escapatórias para pesados que uma auto-estrada, chegando ao ponto da contagem de uma data ser passível de duas interpretações. "o sistema judicial está doente". "o regime está muito doente". Adoeceu sozinho. Ou então é tudo culpa do 'gonçalvismo', há muito tempo que ninguém fala nisso.

 

[Link na imagem]

 

 

 

 

Um RIP para a "excelência" de Joana Marques Vidal

por josé simões, em 09.04.21

 

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Ivo Rosa, aquele juiz legalista dos filmes 'amaricanos', que quer tudo by the book, e que a direita do tugão gosta de invocar para mostrar a eficácia e a superioridade do sistema em relação ao nosso, desmonta toda uma acusão feita sem provas - anos e anos nos media "o Ministério Público acredita", "o Ministério Público suspeita", nunca "o Ministério Público tem provas irrefutáveis". E as provas que há foram obtidas de forma ilegal, as que não foram obtidas de forma ilegal são insuficientes, e nas que bastam o crime já prescreveu. É mau demais para ser verdade, mas é. E a verdade é que isto é todo um programa de incompetência, não começou com José Sócrates, é toda uma construção que vem de trás, o caso Portucale arquivado, o caso dos submarinos com condenados por corrupção na Alemanha sem corrompidos em Portugal, por exemplo. É mais fácil julgar e condenar na primeira página do Correio da Manha e é uma irresponsabilidade levar alguém à barra do tribunal na  base do "quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vêm", como ainda se fez público. Carlos Alexandre e Rosário Teixeira prestaram um grande serviço ao populismo e ao justicialismo. E a José Sócrates, que saiu lampeiro e sorridente do tribunal a falar em "compensação" e a dar lições de jornalismo aos jornalistas. Isto vai acabar tudo no Tribunal de Justiça da União Europeia com indemnização paga pelo Estado português, que é como quem diz nós, os contribuintes.

 

[Imagem de autor desconhecido]

 

 

 

 

"Advogados Pela Verdade"

por josé simões, em 11.02.21

 

Elizabeth Clapp (between January 1891 and January

 

 

Um tipo está caído no chão enquanto é agredido por uma meia dúzia de energúmenos. Socos, com soqueira, pontapés no corpo todo, cabeça incluída, vergastadas com fivela de cinto e pauladas. Depois de satisfeitos, e após uma eternidade, retiram-se. O tipo levanta-se, sabe Deus como, e, aturdido, cai por umas escadas vindo posteriormente a falecer. Conclusão dos advogados de defesa: morreu devido à queda e não às agressões de que foi vítima. Os advogados de defesa gozam com o pagode ou limitam-se a fazer jus ao epíteto "filhos da puta"?

 

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Errol Flynn contra os malfeitores

por josé simões, em 20.09.20

 

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Diz Marcelo Rebelo de Sousa que que está «"feliz" por assistir, durante o seu mandato, "a passos da justiça portuguesa em inúmeros casos relevantes", nomeando a Operação Marquês, o Caso BES, Tancos e agora Operação Lex». "Durante o seu mandato". Como se tivesse alguma coisa a ver com isso, como se fosse a seu mando que a justiça passou a andar a toque de caixa, schnell! schnell! Como se o Presidente da República fosse tido e achado no desenrolar dos acontecimentos no Estado de direito democrático da separação de poderes.

 

Diz que fake news é com o Trump e que populismo é com o Ventas do Chaga.

 

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Um problema com a justiça

por josé simões, em 14.06.20

 

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O Ministério Público que 2020 interrogou o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, e os ministros da Saúde e do Interior, ao longo de mais de três horas sobre a gestão da crise da Covid-19, uma pandemia para a qual nenhum governo em nenhuma parte do mundo estava preparado, onde a verdade de hoje era a mentira de amanhã e onde à escala global íamos aprendendo todos com os erros uns dos outros, pertence ao mesmo sistema de justiça que em 2012 condenou sete cientistas a seis anos de prisão por não terem previsto o terremoto que em 2009 atingiu a cidade de L' Aquila, algo que a ciência não consegue prever nem adivinhar hora e local?

 

Os italianos têm um problema com a justiça.

 

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E dura, dura, dura...

por josé simões, em 14.02.20

 

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"Carlos Alexandre quer Supremo a avaliar alegada violação do segredo de Justiça de António Costa"

 

O juiz decidiu remeter para o MP no Supremo uma certidão neste âmbito depois de a Procuradora de primeira instância lhe ter dito que não tinha competência nesta matéria [...]

 

Violação do segredo de justiça é quando o meritíssimo quiser. Ou era. Ou o excelentíssimo senhor juiz ainda não percebeu o que [lhe] aconteceu com este gesto simples de António Costa a estragar uma carrada de primeiras páginas ao Correio da Manha [sem til] e a pôr fim, ainda antes de começar, ao queimar em lume brando das insinuações e julgamentos na praça pública, ou percebeu e ensaia uma fuga para a frente. O que com toda a certeza não percebeu é que isto cansa, que as pessoas começam a ficar fartas.

 

 

 

 

Da credibilidade da justiça

por josé simões, em 28.01.20

 

 

 

Na impossibilidade de depoimento presencial, com suporte vídeo e audio para posteriormente fazer chegar aos media tablóide e passar em repeat na televisão do Correio da Manha [sem til] até ao julgamento e condenação na praça pública no grande circo da justiça,  apareceu a lista das perguntas "a que a RTP teve acesso" e "a que a SIC teve acesso". Segue-se o tradicional "o Ministério Pública suspeita".

 

[Imagem "Judges" by Jerrold Litvinenko]

 

 

 

 

A tabuada escolar Ratinho

por josé simões, em 07.01.20

 

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"A confiança nas instituições da justiça tem aumentado, situa-se agora nos 41%. Este dado, sobre o reconhecimento público, legitima que pode pedir-se a políticos e comentadores que questionem a sua retórica quando falam em crise da justiça".

 

41 + 59 = 100. De outra maneira, 100 - 41 = 59. Portanto, 59% dos cidadãos não confia nas instituições de justiça e está tudo bem. Desde que deixámos o ensino da tabuada pelo método da cantilena e a aritmética do lápis atrás da orelha o "reconhecimento público" nunca mais foi a mesma coisa.

 

 

 

 

O Estado da daNação, Capítulo II

por josé simões, em 06.01.20

 

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Um grupo de guineenses é suspeito de ter morto um português à facada em Lisboa e um grupo de portugueses é suspeito de ter morto um cabo-verdiano à paulada em Bragança. Um é objecto de comunicados de partidos políticos a preto-e-branco e de organizações de combate ao racismo e de manifs várias convocadas e várias cidades do país. O resto do pagode vai trabalhar de manhã para chegar à noite a casa e espera que a justiça seja feita, funcione, e que a ida e o regresso do trabalho continue a ser um trajecto seguro.

 

[Imagem de Raymond Hains]

 

O Estado da daNação, Capítulo I

 

 

 

 

O Correio da Manha ao poder! *

por josé simões, em 09.12.19

 

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Governo prepara delação premiada para combater corrupção

 

* Correio da Manha sem til

 

[Imagem de autort desconhecido]

 

 

 

 

O Verdadeiro Artista

por josé simões, em 01.08.19

 

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Depois de anos de fugas de informação em segredo de justiça para julgamento e condenação no tribunal da rua que é a primeira página do Correio da Manha em cima de todas as mesas de taberna e balcões de café de norte a sul do país, sem que aos implicados tenha sido "concedida previamente a faculdade de poder exercer devidamente o seu direito de defesa" e sem que da boca do Meritíssimo Juiz se tenha ouvido uma palavra, vem agora o Venerando e Digno Juiz Carlos Alexandre alegar "estar a ser julgado na praça pública sem direito a defesa" por causa de uma entrevista dada a propósito do sorteio do juiz para a instrução do processo Operação Marquês onde, sem a mínima intenção, presume-se, queimou o sistema e o colega de profissão sorteado.. Como se usa em terras de Vera Cruz, "pimenta no cu dos outros para mim é refresco".

 

[Imagem Judges by Jerrold Litwinenko]

 

 

 

 

No país dos bardamerdas

por josé simões, em 24.04.19

 

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O ministro da Justiça de Bolsonaro veio a Portugal perorar sobre a dita que tutela e sobre a "dificuldade institucional" de Portugal fazer avançar o processo contra José Sócrates. Portugal que ocupa a 30.ª posição entre 180 países no Índice de Percepção da Corrupção de 2019 e o Brasil que caiu 9 posições, para a 105.ª, abaixo dos 44 pontos de média do continente americano, ocupando a posição 20 entre os 32 países. José Sócrates chamou-lhe aquilo que ele é, um activista político disfarçado de juiz, Sérgio Moro retorquiu que não debatia com criminosos pela televisão. Que se saiba José Sócrates não foi condenado por nenhum tribunal, pela televisão e pelos jornais sim, por um tribunal não. E um ministro ex-juiz entrar em modo Correio da Manha [sem til] pervertendo o Estado de direito e a presunção da inocência que era suposto defender, para já não referir o meter o bedelho em sistema judicial de país soberano, que não devia meter, só vem dar razão a José Sócrates e confirmar as dúvidas sobre a qualidade e a independência da justiça brasileira. Mas como é sobre José Sócrates e envolve José Sócrates está tudo calado no país dos bardamerdas que é o nosso.

 

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Descubra as diferenças

por josé simões, em 12.03.19

 

 

 

Texas man faces execution after jurors consult Bible to decide fate.

 

The Telegraph, 15 Oct 2009

 

 

Os juízes [...] podem recorrer à Bíblia para fundamentarem uma sentença se assim o entenderem.

 

João Silva Miguel, director do Centro de Estudos Judiciários, 12 Mar 2019

 

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Não morreu ninguém

por josé simões, em 09.03.19

 

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Não deixa de ser verdade. Até porque não morreu ninguém, ao contrário da sentença de morte por lapidação, subjacente no douto acórdão do Venerando Desembargador, Meritíssimo Juiz Neto Moura. Há uma diferença fundamental entre um correctivo aplicado por dois homens com uma moca de pregos e uma turba em fúria à pedrada a uma mulher enterrada até à cintura. Ou a pulseira electrónica retirada ao homem que rebentou um tímpano à mulher ao murro. Também não morreu. Se fosse para ir ao funeral da ex ainda se compreendia a anilha no tornozelo, não fosse a sua presença chocar os familiares da vítima, agora com a vadia viva qual o argumento para limitar a liberdade de circulação a um cidadão?

 

 

 

 

Um juiz contra um país

por josé simões, em 03.03.19

 

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Quando temos um juiz contra um país, na impossibilidade de se mudar o povo, interpõe o Meritíssimo uma acção judicial contra os cidadãos, a ser julgada pelos seus pares, logo à partida a tomar partido por um juiz que, no Olimpo onde se acham por direito, imunes à critica e ao reparo, "não é apenas um saco de pancada". Saco de pancada são as mulheres, vítimas que o Venerando Desembargador humilha e achincalha nos seus doutos acórdãos.

 

[Imagem de Carl Randall]