"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
No dia 27 libertaram Auschwitz, no dia 28 o NKVD, antecessor do KGB, começava a enviar os guerrilheiros do Armia Krajowa para o Gulag em Kolimá, que só diferia de Auschwitz por não ter crematório, e de onde a esmagadora maioria nunca regressaria, antes de uma pausa na margem do Vístula, ordenada por Estaline ao Exército Vermelho, por forma a dar tempo aos nazis de fazerem a "limpeza" de Varsóvia, depois de dois meses de uma revolta liderada pela resistência. Há mais horrores que requerem mobilização de todos para que a história não se repita e para que a memória nunca se apague, que memória apagada é morrer duas vezes.
Assim de repente, sem ler o conteúdo e só de ler as gordas, ninguém se inscrevia para um congresso da UEC [União dos Estudantes Comunistas], ninguém se inscrevia para um congresso da UJC [União da Juventude Comunista] e muito menos alguém se inscreveu para o congresso fundador da JCP [Juventude Comunista Portuguesa], fruto da junção entre a UEC e a UJC, nem sequer Pedro Passos Coelho pode ter "passado" pelo Partido Comunista porque, com aquela idade, ia obrigatoriamente para uma das organizações de juventude do partido, a UEC ou a UJC.
Os militantes participavam nas reuniões e o "centralismo democrático", na pessoa do 'controleiro', propunha xis nomes para xis células de escolas ou de empresas [no caso da UJC, trabalhadores estudantes] e os nomes eram depois votados pelos militantes em reuniões de célula e de braço no ar. O resto, o que sobrava, podia ir ou não ao congresso na condição de convidado, consoante a disponibilidade de lugares na assistência.
Não sei o que é de recear mais, se um bando de corvos «trajados a rigor» e subordinados ao que de mais retrógrado existe na Universidade – a tradição e a praxe, se um candidato a deputado da Nação que justifica o vandalismo dos seus aprendizes com o argumento da ditadura fascista. Aliás muito coincidente com o(s) fascismo(s), este princípio das coisas feias e do homem novo e da nova sociedade.
Eu, que fui um dos bloggers que tomou posição sobre o assunto, pergunto: e se passássemos agora a mesma receita que o PCP e o Avante! passam em casos semelhantes, e com desfechos muito mais graves para os implicados, quando se trata de Cuba, da China ou da Bielorrússia?
Mas foi em tribunal (não plenário) e com advogado de defesa.
E não fica por aqui, porque vai haver «recurso da decisão, "até à última instância"» e se preciso for «até ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, "por violação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem que garante um direito fundamental que é o direito à liberdade de expressão"»; Odete Santos dixit.
É o Estado de Direito a funcionar, e ainda bem que assim é. E disponibilizo-me desde já para, se preciso for, comparecer em tribunal como testemunha abonatória.
Depois quase que fico à beira das lágrimas pelos quase-mártires pós-Revolução de Abril: bora-lá-pintar-um-mural-com-as-efiges-da-Catarina-e-do-Luís!escrito no órgão oficial do Partido. Aquele mesmo que faz a apologia da China e de Cuba e do Vietnam, quais paraísos na terra, de e para os trabalhadores, e já nem me quero lembrar do Laos e da Coreia do Norte a tal que é uma República Democrática e Popular, e das saudades do País dos Sovietes. E fico assim a pensar: esta treta não é verdade só pode ser a gozar, porque, primeiro nem há um partido da oposição para fazer um congresso na terra dos Menezes lá dos respectivos sítios, e depois desgraçado daquele que for apanhado a passar o pincel na parede. A menos que aquilo seja mesmo um paraíso e ninguém tem necessidade de organizar partidos da oposição, e muito menos de rabiscar paredes municipais, e o pessoal até anda todo descalço porque no chão não há espinhos. Nunca se sabe…
Numa coisa a “camarada” Anabela Fino tem razão, e com licença, com uma correcção minha: sorte a deles «quando ensaiaram os primeiros passos, quando balbuciaram as primeiras palavras, quando escreveram as primeiras letras, quando começaram a sonhar o futuro» ter sido aqui e não ali. Se fosse na China a família ainda tinha de pagar a bala. As taxas de IVA sobre ser “subversivo” variam muito consoante os lugares.
Qual é a diferença entre os militantes da JCP que no desfile do 25 de Abril assobiaram e apuparam o resistente anti-fascista e ex-preso político Edmundo Pedro, e o bando de anarcas anti-globalização que desfilaram no mesmo dia pelo Chiado atacando as montras das lojas com sacos de tinta e grafitando as paredes?
O PC, como é por demais sabido, detêm o exclusivo da luta anti-fascista em Portugal. Edmundo Pedro apesar de ter passado pelo Tarrafal, isso é um “pormenor” da sua vida comparado com a suprema heresia de ser do PS. Na balança dos comunistas portugueses pesa mais o prato do PS, que o prato das torturas e sevícias sofridas na pele e no espírito, por quem teve a ousadia de seguir caminhos diferentes.
Os anarcas anti-globalização gritavam palavras de ordem “contra o fascismo e o capitalismo”, o que, como toda a gente sabe, são a mesmíssima coisa. Aliás, quem desça ou suba o Chiado com alguma frequência, não pôde deixar de identificar pelas imagens da televisão, alguns dos manifestantes, como aqueles que durante o dia exercem actividades circenses no local, a troco de algumas moedas sacadas aos transeuntes. Segundo os próprios, recusam-se a trabalhar para não entrarem no “esquema capitalista”. De repente envolvem-se em confrontos com a polícia, alguns “vão dentro”, e aparecem logo defendidos pela advogada Florinda Batista.
A pergunta que se coloca é: quem se recusa a trabalhar para não entrar no “esquema capitalista”, onde é que vai ao dinheiro para pagar um advogado que se movimente nos meandros da “justiça capitalista”?
Aqui e agora, que ninguém nos ouve, deixo uma pista. Investigue-se os nomes de família, e as profissões dos pais destes "anarcas de trazer por casa" e as descobertas serão fantásticas e surpreendentes!
Voltando à pergunta no início do post. Conseguem encontrar as diferenças, ou pelo contrário, é mais fácil identificar o que os une? O total desrespeito pelos outros.