"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Sem que ninguém no PSD de Rui Rio lhe dê a ponta de um chavelho de importância e sem que ninguém no Governo da 'Geringonça' lhe chibe aos ouvidos o "exclusivo" para a avença semanal que tem na televisão do militante n.º 1, Marques Mendes, reduzido à sua insignificância, limita-se a fazer o que melhor sabe: inventar, truncar, desinformar. Era dia 1 de Abril.
E é assim que, por via da austeridade muito bem explicadinha, tim-tim por tim-tim aos portugueses, como defendia Marcelo, O Comentador, nas conversas em família nas noites de domingo, e Marques Mendes em menor escala [não é piada à estatura física do senhor mas às audiências que o respectivo programa tinha], que é como quem dizia massivas doses de agit-prop do pensamento único dominante, e o que ainda continua com a televisão do militante n.º 1 à cabeça que, com mais Banif menos Banif, mais dias feriados repostos menos dias feriados repostos, mais salário mínimo aumentado menos salário mínimo aumentado, mais reposição da sobretaxa de IRS menos reposição da sobretaxa de IRS, os senhores continuam, ainda continuam com 35% das intenções de voto.
O IVA, que é pago pelo cliente, é o responsável pela não criação de emprego na hotelaria num ano em que a ocupação hoteleira bateu todos os recordes, pasme-se, depois do aumento do IVA, pago pelo cliente, ter sido o responsável pelas falências e pelo aumento do desemprego no sector. Quando o IVA para a restauração e hotelaria baixar [se baixar], como a esquerda prometeu em campanha eleitoral, a gente vai estar aqui, atenta ao reflexo dessa baixa nos preços a pagar pelo cliente e na criação de emprego mais que não seja para provar que não são precisas intervenções "venezuelanas" na economia.
«Quando o crédito fiscal foi criado em 2015, o Governo estava convencido de que seria possível ultrapassar a meta da receita de impostos, garantiu esta quarta-feira no Parlamento o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais. Mas Paulo Núncio admite que a metodologia usada para o cálculo mensal possa ter dado a "perceção errada" sobre a devolução. "Nunca foi essa a intenção do governo".»
Como diria a primeira-dama, pela boca do marido, já de abalada, Deus os proteja e quando lá chegarem mandem saudades que é coisa que cá não deixam, "com a ajuda da Nossa Senhora de Fátima":
«Fundo junta-se aos que duvidam que a receita líquida do IVA possa continuar a crescer ao mesmo ritmo nos próximos meses, uma condição essencial para que ocorra uma devolução da sobretaxa de IRS.»
A sobretaxa de IRS, que era para durar enquanto durasse a troika e que afinal é para ir diminuindo gradualmente enquanto durar a maioria PSD/ CDS, contra o despesismo e o fartar vilanagem do socialismo, rigorosos e de boas contas, os únicos capazes de saquear fiscalmente o contribuinte de modo a reembolsar o contribuinte fiscalmente, ou o mimetismo propaganda-mentira mentira-propaganda de quando não há nem galinha com quem contar com o ovo no cu, quando afinal a galinha de onde sai o ovo é o cu do contribuinte.
"Utilizando os valores de receita fiscal sem ajustamentos, a manter-se o crescimento de 3,5% até ao final do ano, o desvio será de cerca de 660 milhões de euros [...]
«Passos explicou que o governo na electricidade passou a taxa de reduzida para normal, e na restauração de intermédia para o nível normal. "Como vê, não aumentei a taxa do IVA", concluiu.»
Em contrapartida pediu às empresas para comparticiparem, ou mesmo assumirem na totalidade, os encargos com a saúde e a educação do agregado familiar dos trabalhadores colaboradores, podia ter dito o FMI. Podia mas não era a mesma coisa, logo a começar pela mais-valia que o patrão e o accionista deixavam de embolsar a pretexto do retorno do dinheiro para a economia através de novos investimentos que nunca acontecem e da criação de mais emprego que nunca há.
A mentira: O Governo não está a estudar coisíssima nenhuma o aumento do IVA porque quando o Governo quer estudar o que quer que seja nomeia uma comissão, composta por técnicos, muitos, e especialistas, outros tantos, não remunerados e que, por "amor à camisola", andam meses, muitos, muito atarefados a estudar e a elaborar pareceres e, no final, as conclusões acabam dentro de uma gaveta, principalmente se forem de modo a aliviar o bolso do contribuinte. O Governo decidiu o aumento do IVA, ponto.
A verdade: o que o moço de fretes do Governo diz é que o PSD, o polícia mau, quer aumentar o IVA, e que o polícia bom, o CDS, está contra. E é verdade porque o Governo é o PSD e o CDS é o verbo de encher e a mão de assinar por baixo desde que o que seja assinado permita ao líder, Paulo Portas, a vaidade de aparecer sob os holofotes, andar a saltitar pelo mundo cheio de patriotismo e d “sentido de Estado”, o poder, um cargo, nem que seja o cargo de vice-pantomineiro.
A troika" impediu Governo de aumentar ainda mais o IVA", que não era para o Estado porque o "IVA social está definido na Lei" – quem o disse foi o vice-trampolineiro, mas como contrapartida exigiu um aumento da TSU, que "não é para o Estado, mas para proteger a sua pensão de amanhã" – foi também o vice-trampolineiro quem o disse, isto após 3 anos do sucesso do ajustamento da troika e de 3 anos do ajustamento de sucesso de "ir mais além da troika" ter arrasado a economia do país e posto em causa a sustentabilidade da segurança Social e "a sua pensão de amanhã". É caso para se dizer "ó borracho, estás protegido por cima e protegido por baixo!".
Do aumento do IVA, impedido pela troika, e da contrapartida do aumento da TSU, exigida pela troika, ficámos a saber pela boca do chocalho do Governo que, era capaz de jurar, ter ouvido há 15 dias, no mesmo canal de televisão, criticar o Governo por não ter coordenação e por se saber tudo cá fora.
[O pormenor de, no linguajar de Passos Coelho e Paulo Portas, ontem as pensões eram despesa do Estado, ideia difundida e papagueada por toda corte de aios e escudeiros na comunicação social e de hoje, por causa dos aumentos, que são "para proteger a sua pensão amanhã, não é para a despesa do Estado". É o "chamar a atenção para o que é que as coisas servem"]
Esta gentinha que pensa e fala em inglês também faz gestos em inglês para português ver.
E depois a frase assassina, dita e repetida ontem pela ministra das Finanças e por um dos vice-escudeiros do vice-trampolineiro, à frente do Ministério do Trabalho e da Segurança Social, nomeado para preencher a quota do CDS no desmantelamento e destruição do Estado social: "Mais impostos para aliviar pensões e salários no Estado", como quem diz "Estão a ver? Isto tudo é por causados calaceiros dos funcionários públicos – o cancro, e daqueles que por lá passaram uma bela vida e agora vivem de papo para o ar na reforma – a peste".
O privado contra o público, os bons contra os maus. O discurso manhoso do ódio, revertido em votos nas urnas no dia das eleições: os "bons" porque acreditam piamente nos trabalhos por que o Governo passa para pôr os "maus" na linha, os "maus" porque acreditam, piamente também, que o Governo se preocupa genuinamente com eles, com a sua condição e com a condição das suas famílias. Ainda não perdi a fé na inteligência do povo português.
Paulo Portas, vice-trampolineiro, vai dizer que a troika queria aumentar o IVA para 23, 50% ele, Viriato 2014, é que bateu o pé aos ocupantes estrangeiros, não deixou, vai ficar nos 23, 25%.
Pires de Lima, o soldado disciplinado, está a puxar lustro às botas para a formatura.
Brutal aumento de impostos e queda contínua, e continuada, do consumo interno, e apesar do aumento da eficácia da máquina de cobrança do fisco. "Chegou o momento do investimento". Pois sim.