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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ir de férias (II)

por josé simões, em 30.06.07

Adoro as mudanças de estação!

Da Primavera para o Verão, do Verão para o Outono, e, do Outono para o Inverno; adoro! Nestas alturas estou sempre mortinho pela edição do Expresso coincidente com a mudança de estação; das suas propostas fashion.

Hoje foi o dia. Restrinjo-me às propostas para Homem, por motivos óbvios. Esta estação - e seguindo os critérios do Expresso para parecer um Homem normal – recorrendo da terminologia militar; farda n.º 3 ou farda de trabalho, para o caso equipamento para ir à praia, de preferência à Praia dos Tomates, que isso de ir à Rocha é muito chunga: Calções de banho com cornucópias ETRO, 160 euros na Fashion Clinic; Pólo verde seco Hugo Boss, 63. 09 euros; Chinelos em pele Gucci, 190 euros na Fashion Clinic; para levar a tralha (toalha, protector solar, sandocha, água e o Expresso), um saco de desporto Hugo Boss, preço sob consulta; e, muito importante, não vá o sol do meio-dia fazer das suas, um chapéu preto com fitas vermelha e verde por 180 euros, também na Fashion Clinic. Soma: 593. 09 euros, sem o saco…

 

Continuando.

Farda n.º 2; para sair a tomar um drink ou somente passear na Marina de Vila Moura – tomar um copo é para os lados de Armação de Pêra, Quarteira ou Ferragudo, e, à partida, é opção totalmente excluída: Jeans com pesponto Hugo Boss, 198. 45 euros; Camisa azul turquesa sem gola Hugo Boss, 107. 08 euros; quem quiser ter um visual menos Carlos Sousa, ou menos comunista renovador – o ex-presidente da Câmara de Setúbal, conhecido pelas suas camisas sem gola – pode optar pelo Pullover de riscas em V e mangas compridas (não é Hugo Boss!), Lacoste, por 214. 53 euros.  Soma: 520. 06 euros. Como não aconselha sapatos, presume-se que os chinelos Gucci de praia sirvam para a ocasião.

 

Adiante.

Farda n.º 1, se quiser (e conseguir!) entrar na disco repleta de caras da Caras, para dançar ao lado da Cinha e da Pipinha – a Elsa está grávida e é pouco provável que apareça… - ao som de house manhoso, vulgo house pimba: Camisa cor-de-laranja estampada (se bem que o rosa seja a cor mais in este Verão; alguém passou a rasteira ao Expresso…) por 326 eurosguess who ?!: na fashion Clinic! Fato de linho amachucado Gianfranco Ferré, por 719. 10 euros, sem indicação onde comprar, mas pelo andar da carruagem deve ser na Clínica da Moda. Soma: 1045. 10 euros. .

 

Temos assim, e mais uma vez – convém lembrar! -, segundo o Expresso, para parecermos bem, nada de mariquices tipo Castello Branco, mais ao jeito do fadista-candidato a Lisboa; empatados dois mil cento cinquenta oito euros e vinte cinco cêntimos. Só. Isto é em roupa; o dinheiro para as férias logo se vê…

 

É isto que eu adoro no Expresso! È por isto que eu levo o trimestre em ânsias e a roer as unhas, à espera do dia em que saem as propostas fashion! No país em que o salário médio não atinge os 750 euros; um jornal com uma tiragem média de 144. 500 exemplares, é reconfortante pensar que se aconselha e se escreve para 144. 500 pressumíveis ou potênciais ricalhaços, e que pelos vistos são o público-alvo do Expresso. Tenho é pena (muita, quase um desconsolo!) que um jornal de referência, e com a dimensão do Expresso, só conheça duas ou três marcas e uma loja… E isto é o que de melhor me passa pela cabeça. Podia dar-me para pensar que o Expresso recebe umas coroas para falar no que fala e aconselhar o que aconselha. Mas isso era se eu fosse muito, mas muito má-língua; além do mais proíbido pelo código deontológico dos jornalistas. Longe de mim essas ideias! Lagarto, lagarto, lagarto!!!

 

Venham as propostas Outono / Inverno que estou aqui que nem posso!    

 

Ir de férias

por josé simões, em 27.06.07

 O barómetro DN/ TSF/ Marktest apresenta hoje os resultados de uma sondagem sobre as férias dos portugueses. «45% não vão de férias este ano. Quem diz votar PS faz mais férias que quem escolhe PSD», é o título; a análise mais abaixo diz: «63% dos que afirmam intenção de voto no PS já fizeram ou vão fazer férias; 51, 3% dos que dizem o mesmo do PSD negam essa hipótese.» Com toda a franqueza não sei o que pensar desta sondagem. Até porque vou sempre de férias e não votei nem num nem noutro…

 

Continuo no Diário de Notícias e leio que, uma «comissão técnica encarregue pelo ministro Vieira da Silva de propor uma revisão do Código de Trabalho quer que o período de férias seja revisto.», propõem os senhores da dita comissão que o período de férias passe a ser de 23 dias contra os actuais 25, e que «o subsídio deixe de levar em conta as “demais prestações retributivas que sejam contrapartida do modo específico da execução do trabalho”. « (…) o montante do subsídio passa a corresponder apenas à “retribuição base”. Deste modo, em nome da clareza e da igualdade de tratamento entre trabalhadores, a comissão acaba por sugerir um nivelamento por baixo, ou seja, que a regra seja a do subsídio de férias mais baixo.»

 

Aqui já dava pano para mangas. Parecendo justa a proposta de dar a toda a gente 23 dias de férias, é na realidade de uma tremenda injustiça. Os 25 dias de férias são concedidos a título de prémio por assiduidade ao trabalho, àqueles que estão sempre presentes e não faltam “por dá cá aquela palha”. Dar 23 a toda a gente por atacado é premiar os faltistas e as baldas. Mas esse até é um ponto que dou de barato; por mim até pode voltar tudo à primeira forma: 22 dias úteis. Ainda me recordo de o meu pai e o meu avô nem sequer terem férias…

 

Inadmissível é a argumentação utilizada para tentar nivelar o subsídio de férias por baixo, própria do discurso de uma certa esquerda igualitária, exemplar no modo como encara os problemas do trabalho, mas que não passa de um discurso na realidade miserabilista. Não entrando pelo que a argumentação “da igualdade de tratamento entre trabalhadores” causou nas economias e nas populações de uma certa Europa que viveu sob o farol do socialismo e dos amanhãs que cantam, a questão/ questões essencial /essenciais é/ são: Os subsídios de função, exclusividade, isenções de horários, etc., são concedidos a título de prémio; como estímulo aos mais profissionais, mais responsáveis, mais cumpridores, mais empreendedores; acabar com estes subsídios justificando com a “igualdade de tratamento entre trabalhadores” é prejudicial para a economia; é um passo atrás. Aqueles que vão deixar de os receber sentem-se desconsiderados e passam a fazer como todos os outros. Ao invés, se os subsídios forem mantidos e até aumentados, passam a ser encarados por aqueles que os não recebem como um estímulo para fazerem mais e melhor.

Qual é a mais valia para a economia e para as empresas resultante do não pagamento dos subsídios, no subsídio de férias? Acaso o dinheiro encaixado com essa poupança vai ser canalizado e investido em melhores condições de trabalho? Na modernização do parque empresarial? A internacionalização das empresas? Em acções de formação? Sendo por demais conhecido o perfil e o modus operandi do “empresário” português, duvido. O mais certo é esse dinheiro ser canalizado para o engrandecimento do parque automóvel empresarial do Vale do Ave, com mais uns Ferraris, Bugatis, ou Maseratis de colecção.

 

O nivelamento igualitário por decreto é contraproducente, porque é gerador de desigualdades e assimetrias. Bom para os trabalhadores, para as empresas, para a economia e para o país – não necessariamente por esta ordem – é o estímulo à competitividade e á concorrência.

 

Agora já me ocorre algo sobre os resultados do barómetro DN/ TSF/ Marktest: Se estas medidas forem implementadas; bem-feito para eles! Para aqueles que vão férias e votam PS.