"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
Do único partido de classe com assento parlamentar; a RGA [reunião geral de alunos] que divide os actores políticos não em democratas e anti-democratas mas em "socialistas" e "não socialistas"; a seita que nas redes, em matilha - anónimos, conhecidos, menos conhecidos, bots, classifica o partido da taberna como "socialista". Bedtime for Democracy.
João Cotrim de Figueiredo é o paradigma do português salazarista [de definido por Salazar], bem vestido, bem penteado e barbeado, [o chapéu entretanto caiu em desuso], boa colocação e voz, zero de conteúdo. Nem sequer está carregado de livros para atingir a categoria "burro".
O partido da taberna ganhou as autárquicas, o CDS ganhou as autárquicas, e o Ilusão Liberal ganhou as autárquicas, disse-o a Mariana "angolana", já a noite ia alta.
Na RTP tivemos o momento caricato da noite com João Almeida, um palerma que nasceu para a política ao andar a abanar o rabo atrás da Zezinha Nogueira Pinto com a cara cheia de furúnculos, o Taxa, apóstolo do taberneiro, desprovido de cérebro, que andava à nora no estúdio a declarar a vitória na Moita ia a contagem com meia hora, e que após a aparição do chefe começou a repetir o que tinha acabado de ouvir, e o ilusionista liberal MAL, aquele que depois de ver manifs pro Hamas em todos os panfletos inventados na net só já lhe falta responder aos mails do príncipe da Nigéria, a medirem pichas para verem quem era o maior partido autárquico e quem tinha ganho mais que o outro.
Diz que "trinta mil milhões de dólares depois, Argentina está de novo à beira da falência", e depois diz uma série de feitos históricos da moto serra, bué bons para a economia e para as pessoas e para a Argentina e, quase lá no fim, diz que a Argentina está outra vez à beira da bancarrota, a quarta em 25 anos, porque os argentinos, sim os argentinos, entraram em pânico com medo do regresso do peronismo, que deu uma derrota histórica a Milei nas provinciais de Buenos Aires, desataram a vender pesos, e os investidores ficaram receosos e rebéubéu pardais ao ninho.
Temos portanto que quem espetou uma derrota histórica na fronha do Milei não foram os argentinos, porque esses ficaram como medo do regresso do peronismo e desataram a vender pesos, se calhar foram uruguaios, ou brasileiros, disfarçados de argentinos e que foram votar enquanto tocavam bandoneón pelo caminho. E também temos que os mesmos investidores que investem em todos os cantos do planeta, da China aos Estados Unidos, de Portugal à Arménia e ao Aberbeijão de Trump, na Argentina dão de frosques porque o povo não vota no liberalismo, uma teoria económica que pelos vistos funciona bué bem em regimes onde as pessoas não são tidas nem achadas, também conhecida por ditadura.
E voltamos ao início, não do post, mas desta história, o tempo do Ilusão Liberal antes de haver Iniciativa Liberal, quando estes alucinados andavam pelos blogues e pelo tuita e pelo feiçebuque a defender o modelo económico da Argentina de Pinochet e que o liberalismo fazia falta em Portugal.
Com o rastilho a arder caíram os milhares de bots mais os minions de plantão às redes, "manipulação!", "o que é que esperavam de um jornal pejado de esquerdistas?", lol, "foto Inteligência Artificial", que é sempre argumento à mão de quem tem pouca inteligência natural, "notícias falsas para limpar a imagem dos monhés que tapam as mulheres com serapilheiras e rezam de joelhos virados a Meca", mais uma prova da inteligência residual, esta associação monhés + serapilheira", "é por isso que o grupo está na falência", "nunca mais compro o jornal", como se alguma vez o tivessem comprado, e outras merdas que até eu, que volta e meia faço uso do vernáculo, me recuso aqui reproduzir.
Os maiores disseminadores de fake news, imagens manipuladas e vídeos fora de contexto na net, completamente à nora com uma imagem verdadeira que lhes deu cabo da narrativa do imigrante que sem fazer nada recebe 5 vezes mais que o bombeiro. Estas coisas não se inventam.
Nos idos do Governo da troika era o Estado na banca rota, a sujeição a uma intervenção externa, as agências de rating, o défice, a dívida pública, e o caralho, agora que o PS roubou a agenda à direita e deixou as contas certas, superavit, Portugal com classificação A nas agências de notação financeira, é só a raça deles, do PSD, do partido que não existe - CDS, dos ilusionistas liberais, e do oportunista partido da taberna. Pediram a direita no poder?
Um antigo chefe foi vender cabides aos 15 anos num negócio amanhado entre o pai e o comprador, a agora candidata a chefe teve 13 valores na licenciatura, numa universidade para onde se ia por não ter média para entra numa pública, e com essa classificação absolutamente fantabulástica foi trabalhar para uma subsidiária portuguesa da petrolífera estatal angolana Sonangol, presidida por um amigo do pai, que não tem Cunha no nome. O único partido de classe no Parlamento é um barrete de meritocracia. E logo agora o homem do partido responsável pelos memes e pelos cartazes que inundavam as cidades e as redes com os "casos do PS" está de férias e nem pôde fazer um poster soviético com o "saneamento" de António José Teixeira da direcção da RTP por andar a fazer perguntas que chateavam o avençado da Spinumviva. É preciso ter azar...
Vai grande excitação no Xis por a Marina Leitão do Ilusão Liberal ter entrado no ar em vídeo chamada e na prateleira atrás ser visível em letras garrafais HITLER na lombada de um livro, se calhar o do Ian Kershaw, 30 e tal paus na Bertrand, passe a publicidade. Também lá tinha em letras ainda maiores a de MAO da Jung Chang e do John Halliday, não confundir com o franciu do rock, mas essa lombada ninguém viu. "Fascista!", "Nunca m' enganaram!", "Nazismo e liberalismo, tudo farinha do mesmo saco!". Se calhar já se faziam umas fogueiras, queimavam-se os livros e depois os donos deles, ou queimavam-se os donos e depois os livros, a ordem deixo a critério dos verdadeiros democratas.
O Ilusão Liberal, o único partido de classe com assento parlamentar, vai apresentar uma proposta de revisão constitucional para retirar a "carga ideológica" da Constituição, porque privatizar o Estado não tem nada a ver com ideologia, nem pouco mais ou menos. E se fossem gozar com quem lhes talhou as orelhas?
Parece que o problema é o PS português poder ficar igual ao PS francês ou ao PS grego, é mas não é. O problema são dois terços de maioria parlamentar divididos entre direita alegadamente democrática, extrema-direita e ilusionistas liberais, e uma série de coisas que podem ser feitas com uma maioria desta dimensão, tais como: rever a Constituição, mexer na lei da Greve, privatizar a Segurança Social, privatizar o Serviço Nacional de Saúde, privatizar a escola pública, mexer na Lei de Imprensa, acabar com o serviço público de rádio e televisão; reverter a lei da interrupção voluntária da gravidez, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, da adopção, nomear juízes para o Tribunal Constitucional, e mais uma série de coisas iguais que já vimos noutras latitudes, como por exemplo na Hungria do camarada Orbán, amigo do peito e em tempos elogiado por alguns dos actuais dirigentes deste PSD. Recorrendo novamente à pop/ rock, como cantava Timbuk 3 nos 80s, "the future's so bright, i gotta wear shades".
"FICASTE SEM COMBOIOS? PRIVATIZE-SE!", Berra no Xis a Reunião-Geral de Alunos, agora denominada Ilusão Liberal, a propósito da greve na CP, com uma foice e um martelo a preceder o logo, porque, como é por todos sabido, os trabalhadores colaboradores fazem greve por o Partido Comunista os mandar fazer e não por se sentirem injustiçados e prejudicados, e porque nas privadas Vimeca, Fertagus, TST, Alsa, Transdev, etc., não há greves nunca em tempo algum, é uma alegria no trabalho com o patrão accionista a ser um mãos largas e a distribuir remunerações e benesses a eito.
Como escreveu o Prémio Nobel da Literatura, "Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos."
No dia do apagão, no velhinho rádio a pilhas, transistor, como lhe chamavam os velhinhos, ou na rádio do carro, a melhor emissão foi a da Antena 1. Sem publicidade, sem conversa da treta, sem enchimento de chouriços, sem "reportagens de rua" com conversas de merda a amplificar ainda mais a desinformação que circulava abundantemente, a substituir-se ao Governo, a fazer o que aquela excursão de incompetentes não soube fazer. Continuou no day after com a melhor televisão a ser a RTP 3. Enxuta, objectiva e directa. Entretanto nas sondagens quem se distinguiu pela incompetência e por andar sempre meia-dúzia de passos atrás dos acontecimentos, enquanto a desinformação circula abundantemente, aparece a liderar as intenções de voto, e com uma possível coligação, num namoro mal disfarçado, com a reunião-geral de alunos convertida em partido - Ilusão Liberal, que advoga a privatização do serviço público de rádio e televisão. Somos [são] burros e não querem aprender.
A paginas tantas Montenegro, com aquele sorriso cínico de quem está permanentemente a gozar com os portugueses, atira que o ilusionista liberal Rocha é pobre a mal-agradecido, que ele, Montenegro, e o seu Governo, isentaram de impostos os prémios de produtividade. Pobres e mal-agradecidos são todos os portugueses, em quem Montenegro investe na gozação, das empregadas da limpeza aos seguranças, dos motoristas de transportes públicos às caixas de supermercado, dos contratos apalavrados na construção-civil aos empregados ao dia na restauração, todos os portugueses do salário mínimo e todos os portugueses dos 1 500 de salário médio, que não percebem o bom que é para a economia os CEO, os administradores, os quadros superiores, das grandes empresas e multinacionais verem isentados de imposto o que recebem por fora ou por passarem a receber mais em prémios do que em salário base. Deixem o Luís gozar com os portugueses.
O nosso "problema" com os ilusionistas liberais é que já nos conhecemos há demasiado tempo, tanto quantos os anos deste blogue - 19, dos confrontos de ideias através dos posts, nas caixas de comentário com os escribas do Blasfémias e d' O Insurgente, e depois em "confrontos" rápidos no Twitter a 140 caracteres. Na altura da memória difusa, para alguns, inexistente para outros, revista e lavada a OMO para a maioria , o Chile de Pinochet e dos Chicago Boys, que fica nas costas da Argentina, era do lado de cá do Atlântico, aqui mesmo ao lado. A ditadura um mal necessário. A tortura, os assassinatos, as violações, os desaparecimentos, efeitos colaterais, quando não mesmo um exagero da esquerda. O país aí estava, preparado, pujante, um exemplo para toda a América Latina cubana e guevarista, até mesmo para Portugal, alegavam os especialistas em economês. Agora que a memória está fresca, que todos os dias somos bombardeados com o desemprego, a fome, a miséria, a prostituição nas ruas e os sem-abrigo como factor estrutural e não conjuntural, o ataque às liberdades, as cargas da polícia de choque a qualquer pretexto sobre tudo o que respira, enaltecidas no Twitter por minions com cargos mais ou menos importantes dentro da agremiação, um palerma a distribuir réplicas da moto-serra de Milei na Reunião Geral de Alunos congresso da colectividade, a Argentina é do outro lado do Atlântico, lá muito longe, aquele sítio onde o Magalhães andou às voltas quase meio ano.