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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

Ter uma gravata (II)

por josé simões, em 19.12.07
Esta distribuição gravatal (acho que acabo de inventar um termo), faz-me lembrar a estória do gajo que andava perdido no deserto, quase a morrer de sede. Chega um 4 X 4, e sai de lá um fulano com um daqueles tabuleiros que as meninas usam nos casinos, pendurados ao pescoço a vender cigarros, repleto de gravatas. “Água! Água!” implora o perdido; “Água não tenho… mas se quiser comprar uma gravata…”; como o desgraçado queria mesmo era água, meteu-se no jipe e foi à vida. No dia seguinte a mesma situação; o fulano a vender gravatas e água nada. Nisto, quando já tinha encomendado a alma ao criador, avista um oásis. Num derradeiro esforço arrasta-se até à ambicionada água. Ao chegar à porta do oásis depara-se com um gorila-porteiro, género gangster do Gangue da Ribeira; “só entra quem tiver gravata!
 
 

Ter uma gravata

por josé simões, em 19.12.07

 

Cavaco Silva na sua cruzada contra a exclusão social foi visitar O Companheiro, em Lisboa, onde vivem ex-reclusos e reclusos em cumprimento de pena em regime aberto. E foi distribuir gravatas… Umas vermelhas, outras verdes; suponho que os lampiões ficaram satisfeitos com as vermelhas, e a lagartagem pulou de contente com as verdes.
 
O objectivo da distribuição foi incentivar os reclusos a levar “por diante um novo projecto de vida”; e devia terminar já aqui o post com um lacónico Sem Comentários.
 
Triste sina, a de um país onde quem usa gravata é um senhor, aceite pela sociedade, independentemente do que está por debaixo da gravata, e mesmo que ela mais não sirva do que para atrapalhar quando se está a comer a sopa. Já agora senhor Presidente, se possível com um curso de formação profissional na carteira, agora que a Independente anda pelas ruas da amargura. É que “de gravata” e ainda por cima “doutor”!
 
(Imagem roubada na A Loja das Gravatas)
 
 

Terrorismo empresarial

por josé simões, em 24.10.07

 

Paulo Nunes de Almeida presidente da Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal, discursando na abertura do 9.º Fórum da Indústria Têxtil, e na presença do ministro da Economia, contestou a meta imposta pelo Governo de chegar a 2011 com um salário mínimo de 500 euros mensais. E disse mais. Exigiu como forma de contrabalançar este aumento “a isenção dos descontos para a Segurança Social das horas suplementares, a limitação dos montantes globais das indemnizações por despedimento, bem como a alteração do pagamento do total do rendimento anual dos trabalhadores de 14 para 12 meses, ou seja, o fim dos subsídios de Natal e de férias” (Público, sem link), no que foi apoiado pelo presidente da Escola de Gestão do Porto, “Não se pode ter tudo ao mesmo tempo e se há problema que tem atingido a economia portuguesa é o encarecimento excessivo dos últimos anos e isso tem muito a ver com a evolução dos salários” disse Daniel Bessa.
 
O blogue não podia estar mais de acordo com Paulo Almeida e com Daniel Bessa. Não se pode ter tudo ao mesmo tempo! Onde é que já se viu; passa pela cabeça de alguém com um mínimo bom senso que um operário possa vir a ganhar 500 (qui-nhen-tos!) euros mensais em 2011?! Isto realmente é de loucos! Então e as margens de lucro do nosso querido patrãozinho, ein?! E o parque automóvel do Vale do Ave a necessitar de urgente renovação, ein?! Então e as margens de lucro que vão diminuir substancialmente, não permitido manter um estilo de vida consentâneo com o estatuto de “empresário”, ein?
 
Era disto que Cavaco Silva falava, – o Presidente porque nestas coisas há sempre que distinguir o heterónimo Cavaco Presidente do heterónimo Cavaco Primeiro-ministro – quando apelou aos “empresários pela inclusão social”?
 
O blogue como prova de compreensão e de solidariedade para com a classe empresarial lusitana, vai fazer-se à estrada e lançar uma petição on-line para que se acabe de uma vez por todas com essa modernice do horário laboral, e se volte a introduzir o sistema de trabalho de sol-a-sol. A bem do empresário, perdão, a bem da economia da Nação. Amén.
 
Adenda: Proponho aos jornalistas destacados para estes eventos um exercício simples de fazer: na fase das perguntas peçam aos entrevistados – patrões do têxtil e do vestuário – para mostrarem as etiquetas dos fatos e das gravatas que usam. Portugal?! O que é isso Portugal?! Onde é que isso fica?! Pode parecer que não, mas tem a ver com o que atrás foi escrito.