"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.
O ministro da Economia do Governo dos entraves em Lei à entrada de imigrantes diz que falta mão-de-obra em Portugal e que pode ser uma das razões para a falta de habitação. Agora é recuperar aquela moção, em tempos levada ao congresso da jota do CDS, defendida por João Almeida, Miguel Morais Leitão, Adolfo Mesquita Nunes, Leonardo Mathias e Vânia Dias da Silva, entre outros que continuam a andar por aí, de baixar a escolaridade obrigatória para o 9.º ano, e ala trabalhar que se faz tarde. O ministro, esse, vai dar o exemplo, já tinha mandado os motoristas de jerrycan para a porta da maternidade no dia do apagão, vai agora mandá-los para a serventia a pedreiro nas grandes obras públicas prometidas por Sócrates e reprometidas por Montenegro depois de convenientemente maquilhadas.
O taberneiro pediu audiência com carácter de urgência ao Presidente da República porque "a oposição quer evitar que esta lei [imigração] entre em vigor". "A oposição" [minuto 20:17]. Vamos repetir outra vez as palavras do primeiro-ministro de facto, "a oposição quer evitar que esta lei [imigração] entre em vigor".
O facto de acharem que um nepalês, um moldavo, um chinês, um ucraniano, um norte-americano, or ever, como dizem os 'amaricanos', meter Fábio André, Cátia Vanessa, Iuri Santiago, Soraia Cristina ao rebento só por ter nascido em Portugal diz muito sobre as mentes alucinadas da teoria do jus solis que vai substituir o jus sanguinis.
Quem vai decidir as matérias a integrar no "teste"? Quem vai avaliar as respostas dos candidatos? Quais os critérios para passar ou chumbar na avaliação? O que é "cultura portuguesa"?
Governo fecha as portas ainda mais à imigração. "Economia terá que se adaptar". TGV, terceira travessia do Tejo, novo aeroporto. Já faltam 100 mil, segundo os patrões, mas a "economia terá que se adaptar", e ainda nem começaram as obras do século. O Governo que não consegue fixar os indígenas altamente qualificados, que emigram por causa dos salários para países com a carga fiscal superior aquela que o Governo baixou para os reter por cá, é o mesmo Governo que quer receber menos imigrantes, dando preferência clara aos "altamente qualificados". TGV, terceira travessia do Tejo, novo aeroporto. Pedreiros, serralheiros, soldadores, carpinteiros, cofreiros, electricistas, pintores etc, etc, altamente qualificados, com doutoramento, mestrados e MBA, em empreitadas, sub empreitadas, e sub sub empreitadas. Há os patetas, e depois há os que gostam de ser tomados por patetas.
Não, o PSD não mimetiza o discurso do partido da taberna para lhe roubar eleitorado e base de apoio, o PSD perdeu a vergonha e assumiu o discurso por ver que daí não lhe vem grande mal e até factura nas urnas. O que antes nem sequer ousavam pensar em privado dizem-no agora publicamente e à boca cheia. Por vezes têm uma recaída de pudor e emendam a mão mas é coisa para gradualmente desaparecer, basta ver de onde vem o taberneiro e todos os seus empregados de balcão, as origens político e partidárias, não ficaram assim, por artes mágicas, quando saíram das origens, já assim o eram.
Um preto e uma entrapada, a imagem do imigrante, cliché e preconceito, o Governo a dar o exemplo. "Revisão da lei da nacionalidade", para todos os nacionais? "Descontrolo na imigração no passado", ainda faltam 100 mil, segundo os patrões, e ainda nem sequer começaram as obras do novo aeroporto, do TGV, da nova travessia do Tejo. "Limitação ao agrupamento familiar", o mecanismo que mais estabilidade dá, e mais contribui para a integração, até o João Félix levou a família com ele quando assinou pelo Atlético de Madrid. "Repatriamentos mais céleres", pena o desinvestimento na ferrovia, agora enviávamos vagões de gado cheios para a terra deles, já nem o trabalho liberta. Repressão e surfar a onda da ignorância e do instinto primário, ao invés da pedagogia. Entretanto o Governo apagou o tweet da vergonha, fica aqui para memória futura. A direita no poder, ódio, xenofobia, preconceito.
Por um lado temos a direita-extrema com a agenda da extrema-direita, que os emigrantes devem ir para a terra deles, que há cá demais para as necessidades, que têm que vir com contrato assinado e com habilitações necessárias; por outro lado temos os patrões, que faltam cem mil - 100 000 - cem mil imigrantes em Portugal para suprir as necessidades, e ainda nem sequer começaram as obras do novo aeroporto, da nova ponte sobre o Tejo, do TGV, tudo assente nas sub empreitadas e sub sub empreitadas, para maximizar lucros e fugir às obrigações fiscais, com a cumplicidade do poder político, e resta saber como se vão identificar os pedreiros, os carpinteiros, os serralheiros, etc, etc, com diploma passado que os habilite a trabalhar na obra.
Por um lado temos o controlo minucioso de fronteiras, por causa dos alegados bandidos que vêm de fora, para se aproveitarem dos subsídios, do Serviço Nacional de Saúde, para as mulheres parirem à pala e ficarem logo a receber abonos, como diz o líder do partido da taberna, e como repetem acéfalamente os que estavam na abstenção e resolveram sair de casa para meterem o país na merda com o seu direito ao voto; por outro lado temos os "investidores" que dizem desistir de Portugal por causa da exagerada burocracia e da caça ao imigrante nas fronteiras.
É a direita no seu labirinto a ganhar eleição atrás de eleição com um discurso em choque com a realidade do país mas ao sabor da bolha.
Leitão Amaro apareceu na televisão para nos dizer, com cara de Leitão Amaro, que com o Governo PS a imigração aumentou de 4% para 15% e que neste momento são já 1.600.000, coisa nunca vista, uma rebaldaria, uma irresponsabilidade socialista a que este Governo pôs termo. Isto mesmo depois dos patrões dizerem que ainda são precisos mais 100 mil para suprir as necessidades. Ufano, a pensar que toda a gente o escuta com ouvidos de eleitor do partido da taberna, Leitão Amaro, que apesar da cara de Leitão Amaro não é burro, remata que com o fim da "manifestação de interesse" houve uma quebra de 59% na entrada de imigrantes em Portugal, agora é que é, ordem na casa, e diz isto a saber que os 59% estão cá, continuam a vir, ficaram em quebra mas aos olhos dos cidadãos e das reportagens que abriam os telejornais com as filas intermináveis nas portas dos serviços para legalização. Não são vistos não existem. Mas existem, agora mais vulneráveis, sem direitos, sem protecção social, às mãos de empregadores sem escrúpulos. Manhosos todos os dias, os empregadores e o Leitão Amaro.
No dia em que milhares desciam desde a Alameda até ao Martim Moniz num protesto contra o racismo, a xenofobia, e a instrumentalização política das forças da ordem, a televisão do Correio da Manha, sem til, optou por cobrir uma contra manifestação convocada pelo líder do partido da taberna, contra a imigração e, alegadamente, em solidariedade com as polícias, onde as ramonas da polícia eram em maior número que os contra-manifestantes.
Em 16 de Março de 2003, Durão Barroso, então primeiro-ministro, servia de mordomo numa cimeira que juntava W. Bush, Tony Blair e José Maria Aznar na base aérea das Lajes e que com base numa mentira antecedia em quatro dias a invasão de um país soberano, a desestabilização de toda uma região, inventar uma guerra onde ela não existia, estar na génese do nascimento do ISIS, dor e sofrimento, criar milhões de refugiados que se fazem diariamente ao Mediterrâneo em busca de paz e de uma vida decente na Europa. Hoje, 21 anos passados sobre um crime de guerra, um dos criminosos implicados, Durão Barroso, vem dizer com a maior cara de pau que "os europeus não querem muito mais imigração e que há limites para o multiculturalismo" como se não tivesse nada a ver com isso. Não ter a puta da vergonha na cara é isto.
"Turistas olham e não compram nada", aqueles que ainda não perceberam que podem, por metade do preço, fazer férias na outra margem do Guadiana, gasolina e portagens incluídas, nalguns casos em regime de alojamento superior ou praticado deste lado. Vai daí, a propósito de um Orçamento do Estado, o partido da taberna quer um referendo aos que asseguram a alegada baixa rentabilidade do negócio e de todas as empresas à volta, e os greetings enviados do Algarve para todas as partidas do mundo. O português é um bicho estranho...