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DER TERRORIST

"Podem ainda não estar a ver as coisas à superficie, mas por baixo já está tudo a arder" - Y. B. Mangunwijaya, escritor indonésio, 16 de Julho de 1998.

O país onde toda a gente goza com o cidadão a torto e a direito

por josé simões, em 06.06.19

 

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O país dos 600 € de salário mínimo nacional e da média salarial a rondar os 900 €, descontos para a recapitalização dos bancos incluídos, é o país onde uma renda de casa "acessível" na capital é um T2 por 1 150 € mensais e é o país onde toda a gente, Governo incluído, goza a torto e a direito com o cidadão, o eleitor, o contribuinte, não necessariamente por esta ordem, cada um por si ou todos em conjunto.

 

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||| Com os votos contra dos partidos "da família"

por josé simões, em 08.01.16

 

House of Self-Indulgence Fright Night Tom Holland,

 

 

Passar a vida, anos, 42 mais precisamente, com a boca cheia de família e o dedo em riste apontado aos outros, aos que não respeitam o "núcleo central da sociedade", além de Deus e da autoridade.


Esquerda aprova fim de execuções fiscais de casas de família com os votos contra do PSD e do CDS.


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||| A corveia, a talha, a banalidade, a capitação

por josé simões, em 09.03.15

 

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E o dízimo que é pago voluntariamente via declaração de IRS ou por transferência do Orçamento do Estado para os heterónimos vários da Igreja católica, as IPSS.


O sentimento de posse e o direito de propriedade são prejudiciais ao homem novo que se quer na nova relação feudal servo-senhor que é o neoliberalismo libertador do Estado e criador de emprego e riqueza.


«Fim do travão no IMI pode aumentar imposto da casa até 500%»


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||| Da série "O país está melhor"

por josé simões, em 16.06.14

 

 

||| Nós por cá todos bem

por josé simões, em 01.12.13

 

 

 

Que é como quem diz, temos de ser punidos por ousar comprar habitação própria a contar com o salário do emprego que tínhamos antes de termos empobrecer para voltarmos a ser ricos outra vez;

 

temos de ser punidos porque o banco perseguia para emprestar a quem ganhava 700 por mês para ficar com uma prestação de 500;

 

temos de ser punidos por ser mais barato comprar casa do que alugar a casa que não havia para alugar;

 

temos de ser punidos porque ter habitação é um óbice à mobilidade social que é ir trabalhar daqui para 100 kms mais ali nos empregos que ali não há para os que ali moram quanto mais para os que daqui vão, num regresso à pré-história do nomadismo;

 

temos de ser punidos porque o ambicionar ser proprietário é um impedimento para que floresça um mercado de arrendamento dominado por meia dúzia com capital para investir agora na miséria dos outros e viver toda a vida, e a vida da sua descendência, de papo para o ar a expensas das rendas;

 

temos de ser punidos porque as pessoas antes de serem pessoas são números e são descartáveis e são danos colaterais na guerra dos mercados e um sistema bancário saudável e enxuto é essencial para o regular funcionamento da economia.

 

«Islândia corta até 24.000 euros nas hipotecas de cada família com empréstimos à habitação»

 

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|| O mundo ao contrário

por josé simões, em 24.10.13

 

 

 

É a ver os "puros", a esquerda "verdadeira"/ "verdadeira" esquerda, como gostam de se denominar, recuperar uma medida emblemática do Estado Novo de Salazar nos 60s do século XX, então a cargo da Caixa de Previdência, os famosos "bairros da caixa" que povoaram o país de norte a sul, e em que trabalhadores [na altura não havia "colaboradores"] de uma mesma empresa se juntavam e construíam um prédio, normalmente com 4 andares, rés-do-chão incluído, e ficavam a pagar uma renda fixa durante 25 anos, renda fixa sim, sem variáveis "taxas de juro" e/ ou aumentos salariais vs. inflação, e ver a direita, herdeira directa mas descendente envergonhada do Estado Novo e da "primavera marcelista", saudosa da ordem e do respeitinho e das coisas arrumadinhas nos seus devidos lugares, que trata Salazar por "o doutor Salazar" com um temor e um tremor reverencial na voz, recusar essa mesma ideia com o argumento dos "custos" e das "implicações" e das "desvantagens para os trabalhadores", para os trabalhadores, leram bem.

 

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Uma Casa portuguesa (Do Estado social no Estado Novo)

por josé simões, em 25.10.08

 

Não explica tudo mas ajuda a perceber.

 

Estive esta manhã na esplanada do café à conversa com um senhor de quase 80 anos, que me disse ter votado em Salazar n’Os Grandes Portugueses porque quando era novo e precisou de uma habitação para «constituir família», juntou-se com «mais uns quantos» que trabalhavam «lá na fábrica», pediu um empréstimo à Caixa de Previdência, comprou o terreno, construíram o prédio, e ficaram a pagar 450 escudos (2 euros e vinte e picos cêntimos) por mês durante 25 anos. «Nem mais um tostão; só pagámos o que pedimos». «Não é como estes filhos da puta de agora que dizem que são democratas, e o meu filho, veja lá o senhor, pediu um empréstimo ao banco para pagar em 25 anos e vai pagar 15 casas até a casa ser dele!».

 

E vou para casa a pensar no mercado de arrendamento tão caro à Direita e nos empréstimos bancários e na Euribor e no Fundo Imobiliário e que segunda-feira vou trabalhar outra vez e que é só uma questão de tempo até parecer por aí um Haider qualquer.

 

(Na foto de Américo Ribeiro, uma das habitações do Bairro dos Olhos de Água em Setúbal em 1954)